Organizando o armário – 1ª fase

Eram 50 cabides, alguns sustentavam até duas peças, mais 3 gavetas e uma prateleira. Tinha blusa pendurada que eu nunca usei. Saias, camisetas, vestidos de todas as cores e modelos, de todo tipo de tecido. Alguns recém comprados, outros… com 20, 25 anos de história – estes há tempos deixaram de ser roupa e ganharam o status de peça de museu!

.

Armario da bia antes do projeto

 

.Para começar o projeto, esse experimento maluco, tinha que arrumar o armário. E lá fui eu fazer esse trabalho glamuroso #SQN. Fiz algumas fotos para documentar o processo, é claro! E vários snaps (segue lá: biattrix). Gastei toda a manhã, mas organizei tudo. Pilhas de roupas na cama, aproveitei para separar para doação o que não usaria mais.

roupas para organizar guardar e doar
Roupas para guardar na mala e para doar.

 

roupas que serao guardadas por 6 meses
A mala! Aí não tem só roupa: tem história! Como é difícil me desapegar!

.

E aí me dei conta de que não separei, no projeto, roupas para ficar em casa!

Ihhh, já furei tudo, né?
(Que nada, não tô me levando tão a sério assim!)

Entonces, o armário agora tem 13 peças para o projeto, sendo:

(Gente, essa rouparia toda é para reunião com clientes, levar e buscar o João na escola, café com as amigas, aulas, workshops, palestras (as minhas e as que assisto!), supermercado, cabeleireiro, médico, dentista, cinema, barzinho, festinha, reuniãozinha, balada… qualquer coisa que me tire de casa!)

  • 5 camisetas pretas idênticas.
  • 2 calças pretas iguais
  • 1 blue jeans
  • 1 saia lápis preta
  • 2 saias de malha listradas (amo listras!)
  • 1 bermuda blue jeans
  • 1 vestido de festa preto
armario da bia durante o projeto
As 13 peças básicas, pretas, simples.

.

Para vestir somente em casa, separei roupinhas confortáveis e seguindo, mais ou menos, a história do projeto: quase tudo preto! Mas tem duas peças estampadas: as mais sóbrias. (acreditem, sou capaz de misturar estampas nada a ver e, na maioria das vezes, sou muito, muito colorida!).

  • 1 vestido preto
  • 4 blusas (preta/off-white)
  • 1 bermuda de malha
  • 3 leggings (preto/ poá/ liberty)
  • 3 casacos moletom (aqui em casa é gelado no inverno, mesmo que na rua esteja um clima ameno)

A primeira coisa que pensei foi: putz! estou mudando tudo, já que agora tenho 25 peças no armário!
Relaxa, mesmo assim, mudei muito meu padrão – tá valendo!

Eu disse que os acessórios estava liberados, né? Mas aí eu me dou conta de que tenho MUITOS paninhos (leia-se: echarpes, lenços, pashiminas). O que fazer? Ao longo do projeto, vou reduzir isso também!

Quanto aos sapatos… tô me percebendo uma acumuladora!!! Ou tenho síndrome de centopeia! Mas vou deixar o inventário para depois. Hoje é aniversário do João (meu filhote faz 10 anos!) e preciso me arrumar para o jantar. Com que roupa eu vou, hein?

 

 

Que ideia maluca!

A ideia veio no banho. E se? Como vou me sentir? Será que isso pode me mudar?

Não quis procurar projetos parecidos para não me contaminar. Não quero saber o que outras pessoas viveram ao mergulharem de cabeça numa ideia tão maluca quanto a minha.

Afinal, qual é a ideia, Bia?! 

eu mais 13 pecasA ideia maluca que tive é, durante 6 meses, usar apenas 13 peças de roupa. Mas não é um armário cápsula, com peças curinga, clássicas, ou tendências… minha ideia está mais para um uniforme: cinco camisetas iguais, duas calças idênticas, um jeans, três saias, uma bermuda e um vestido de festa. Tudo (mentira! Quase tudo…) preto. Basicão mesmo.

Vou esvaziar meu armário e guardar todas as roupas em malas, longe das vistas (assim deve ser mais fácil, né? Depois penso o que farei com elas…). Ainda estou pensando se limito os sapatos… Por enquanto, não consigo nem pensar em reduzir os acessórios! Sou louca por eles, amo todos que tenho e penso que nunca são demais. Nesse item, incluo meus “paninhos”: pashiminas, lenços, echarpes… (é muito amor, gente!)

Então, tá: é isso. Começo oficialmente amanhã, de 15 de março e vou até 15 de setembro, a data que marquei para finalizar o experimento. Ou não, vai saber!

Você tem medo de quê?

Ela a olhou bem fundo dos olhos. Aquele instante pareceu uma eternidade. Rasgando o silêncio, a pergunta a trouxe de volta do transe: qual o seu medo? Silêncio. Olhos nos olhos.

– me responde: qual o seu medo?

Agora, ela desviou o olhar. Não conseguiria sustentá-lo por mais tempo. Talvez, neles a outra visse a resposta. Ou a vergonha fosse maior.

– Vergonha? – ela pareceu ler seus pensamentos: – vergonha de quê?

Não sabia dizer. A mente estava embaralhada, os olhos, turvos, os ouvidos, zunindo. Já não ouvia mais nada. O tempo parou. A outra continuava matracando qualquer coisa.

– Medo de quê? Vergonha de quê? O que está acontecendo?

Ela cambaleou. As perguntas ecoavam pela cabeça, que agora doía mais que de costume.

– Medo? Qual? Vergonha? Por quê?

Deu um passo à frente, mas esbarrou no espelho que lhe encarava de volta.

Photo credit: ethermoon via VisualHunt.com / CC BY-ND
Photo credit: ethermoon via VisualHunt.com / CC BY-ND

Dá série: Telemarketing – 01

– Olá, posso falar com a Regina?
– Você ligou errado, não tem ninguém com esse nome aqui.
– Posso, então, falar com a responsável pela casa?
– Pois não, sou eu a irresponsável.
– mas, a responsável não está?
– nunca esteve, senhor… nunca esteve.

old-phones-telephones

 

Foto: Visual hunt

Certezas

Eu-tenho-certezas-poof

.

Eu tenho pequenas certezas.

Sei que elas, as certezas, são ninfas voláteis. Basta um segundo e… poof!, desaparecem no ar. Mas gosto delas mesmo assim. Aliás, gosto delas exatamente por isso, por serem tão instáveis. É que essa caracteristica tão peculiar exige minha constante observação.

Poof, lá se foi uma delas.

Tudo bem, eu construo outras (Poof, poof, poof!) que se desfarão no ar, igualzinho as todas as outras. E assim, nesse movimento intelectual meio esquisito, eu me reinvento a todo instante.

Estamos juntos!

 

Por algum tempo, eu me sentia única – mas de uma maneira estranha. Eu me sentia inadequada. E acreditava que só eu era assim.

Aprendi a escrever para organizar os pensamentos. Ao colocá-los para fora, mudava a perspectiva e era capaz (ainda sou) de ordená-los de maneira mais eficiente. Isso sempre funcionou para mim. Até se tornar um hábito de limpeza ~mental~, como escovar os dentes.

Um dia, há muito tempo, resolvi publicar um blog e o chamei de “Pensamento Acidental – o que penso, quando penso“. O compromisso era não ter compromissos: de tema, de dias certos para postagens, ou quaisquer regras preestabelecidas. Isso porque sempre fui meio anárquica, eu acho.

Quando escrevia meus sentimentos, medos e angústias sob o manto protetor da “ficção” em contos e poesias, comecei a receber emails e comentários de outras pessoas que juravam que eu falava delas. Percebi que minha inadequação, minhas particularidades não eram tão únicas assim… Várias outras pessoas sofriam do mesmo, viviam com as mesmas angústias.

Depois de um tempo, comecei a ver com encanto o quanto somos tão iguais e tão diferentes.

Um dia, voltei a achar que “isso – desse jeito – só acontece comigo!”.
Mas, desta vez, eu estava doente.

A vida começou a não fazer sentido, os dias perderam a cor, a luz virou sombra. Só sabia chorar e me encolher. Esquecia das coisas, não conseguia pensar, nem escrever. E logo eu, que falava sobre os mais diversos assuntos e adorava um bate papo, já não conseguia conversar! Eu me sentia tão desinteressante, que me faltavam palavras! Eu estava com depressão.

Comecei a achar que estava fazendo corpo mole para determinadas coisas, que andava preguiçosa e procrastinadora demais. E me envergonhei por isso. É claro que no início, eu tentei esconder de todos o que eu sentia. E, posso dizer, fui muito boa nisso, porque escondi até de mim mesma. Quer dizer, hoje eu acho que alguns amigos mais atentos perceberam que as coisas não estavam tão bem assim…

Segui anestesiada por um tempo. Até que me faltaram forças. E eu cai.

Psiquiátra, psicólogo, neurologista, e alguns tarjas pretas fizeram parte da minha rotina. Ouvi até médico dizer que era falta do que fazer, cabeça vazia demais! (Oi?) Eu sabia que precisava de ajuda, por isso contei para alguns poucos amigos, embora eu ainda me sentisse muito envergonhada. Estava fraca e odiava isso!

Aos poucos fui me entendendo e fazendo as pazes comigo. Percebi que a doença também me trouxe uma ótima oportunidade de repensar a vida, mudar várias coisas que não valiam mais. Voltei a me sentir leve! As cores, o brilho e a luz voltaram. Depois de quase um ano de tratamento, recebi alta da medicação. Isso foi em dezembro de 2014.

De um tempo para cá, tenho pensado que a útima etapa deste longo tratamento é a exposição pública.

Era preciso contar pra todo mundo sobre esse período turbulento, sem grandes emoções. Esta seria uma maneira de saber – de fato! – que ele ficou no passado.

Falar abertamente sobre a minha depressão é também uma forma de dizer para várias outras pessoas que elas não estão sozinhas. E assim, numa corrente do bem, tentar explicar para tantas outras de que a depressão não é uma frescurinha, não é cabeça vazia ou falta de louça para lavar!

Falar abertamente sobre a minha depressão é a minha maneira de te estender a mão e falar: – “vem! Estamos juntos nisso! Vá procurar um médico, vai se tratar, e se quiser, tô aqui para te escutar. Para trocar umas ideias”.

Se eu sobrevivi e estou mais forte, você também pode. Afinal, somos tão iguais: humanos!