Ela

Ela estava ali: sexy, a me olhar. Pronta. Vestida para matar sua vontade e o meu desejo.

Foi abrir a porta e me deparar com aquilo. A cabeça, a rodar, pensava em tudo ao mesmo tempo. Fiquei assim, parado em êxtase, sem noção do tempo. Preso por uma infinidade de nanossegundos… ela era expert em capturar meus sentidos.

O olhar de menina no corpo de mulher foi a combinação que me fisgou. Estávamos juntos há pouco mais de um ano. Lembro do exato momento que a vi. Ela roubou minha atenção sem sequer me dirigir uma só palavra – foi seu olhar que me arrebatou. E ela sabia disso. Tinha plena consciência do seu impacto sobre as pessoas – hipnótico.

Ali estava ela: seminua. Perfeita. E seus olhos me chamaram ao agora, a prometer o gozo futuro.

* A foto veio daqui: the things that excite me

A história recriada, ou Um Tributo a Todos os Homens.

Essa é a história da amiga de um amigo meu. Ela me foi contada em uma noite chuvosa, depois de muitos drinks a mais, na mesa de um bar, durante uma nada inocente brincadeira chamada “verdade ou consequência”. Éramos sete ou oito amigos bebendo depois do trabalho. As revelações eram picantes, mas em nada diferentes do cardápio já conhecido e praticado por todos. Até a pergunta corriqueira surgir: fetiche, qual o seu?

Rimos muito com as respostas, imaginamos umas cenas estranhas e não sei bem por qual motivo, a brincadeira desviou um pouco, deu uma esfriada e quase morreu, até que Carlos colocou o assunto em pauta:
– Uma amiga, e não vou dizer o nome, me confidenciou que só goza quando transa com estranhos…

Entre gargalhadas desconcertadas, respondemos que quase todo mundo ali, pelo menos uma vez na vida, já tinha dado para um estranho.

– Estranho completo, gente. Escolhido quase que aleatoriamente, completou Carlos e continuou: – é, ela me disse que se arruma toda, sai por aí e, quando esbarra em um cara desacompanhado, sugere um sexo rápido. Ela diz não ter padrões nem preferências. Só repara na mão do sujeito e confere os cuidados com a higiene pessoal. (pelo menos isso, falamos!) Diz que goza como nunca gozou com namorados ou amantes… Que é uma coisa selvagem, sei lá, ela nem sabe explicar direito.

Manel cortou o assunto quando chegou com a última rodada e a conta. Uma galera, constrangida e excitada, resolveu aproveitar a deixa e ir embora. O que fez a mesa toda se despedir e programar um próximo encontro, para saber mais detalhes das aventuras da tal amiga do Carlos.

Eu morava muito perto para pegar um taxi, por isso resolvi caminhar pelos quatro quarteirões até em casa. Não pensei mais no assunto, que ficou esquecido em algum lugar na minha mente. Dormi e sonhei cenas obscuras, tensas, quentes. Acordei suada e ofegante, mas sem lembrar direito o que havia sonhado. No resto da noite, até o amanhecer, foi um sono pesado.

Nem preciso dizer que acordei atrasada para o trabalho. Ducha rápida, café devorado em segundos, e num pulo já estava no primeiro ônibus que passou.

Quando ele subiu um ponto depois, foi o meu nariz quem o sentiu primeiro. Um cheiro de macho, sabe? Nem alto nem baixo, de jeans, camiseta, mochila. A barba por fazer ressaltava o queixo. Levemente moreno, cabelos curtos, e olhar cansado. Ele não era nada demais. Não chamava atenção. Não sei porque o vi. Muito menos porque me interessei por ele.

A história da noite passada me tirou daquele transe. – Credo, pensei, o que deu em mim? – e ri sem graça.

Perdi meu ponto e tive que caminhar dois quarteirões… Eu estava impressionada demais. Reparava em cada espécime masculino que cruzava meu caminho. Estranhamente, me excitava pensar como seria ser tocada por cada um deles. Como seria a pegada, a pressão das mãos nos meus braços? Qual seria a posição preferida? De que jeito beijavam? E que gosto teriam na boca? Como reagiriam no momento do gozo?

Naquele percurso de cinco minutos, me perdi a observar esses homens tão comuns que se aglomeram nos bares de esquinas, ou nas calçadas a esperar o sinal abrir. Homens que não frequentam a balada do momento, mas se reúnem na frente de uma TV para ver o jogo começar. Homens que viram o pescoço para acompanhar o andar rebolativo de qualquer mulher.

São canalhas, cretinos, santinhos, bons moços. Trabalhadores, desempregados, folgados, caretas. Nerds, surfistas, roqueiros, sem jeito. Suados, cansados, malhados. Homens no gênero, na essência, na marra. Cada um de um jeito singular. Mas todos meninos-moleque na cama, quando dentro de uma mulher.

Hotel 08

Quando acordei, ele não estava mais ao meu lado. Na cama, apenas um bilhete relembrando as delícias da noite passada, e reafirmando a vontade de um novo encontro. [perigo!]. E o nome assinado, Franco, personifica o mito e nomeia a lembrança. O chuveiro acaba por me despertar. Um banho demorado, pra colocar as idéias em ordem. [penso muito quando tomo banho]. O velho jeans e camiseta, um all star surrado. Câmera na bolsa. Os cigarros acabaram. [desespero]. Desço pra tomar café e preparar o roteiro do dia. No elevador, encontro o tal hóspede, que também descia para o café… O coração dispara. [como sou volúvel!]. Ainda não sei o quarto dele. Sentamos em mesas próximas. Por cima das páginas do jornal local, eu observo seus movimentos. E por ele sou observada. [misto de curiosidade e desejo]. O corpo dolorido reaviva o acontecido. [sua puta, já de olho em outro?]. Busco na bolsa meu caderno de anotações e uma caneta. Distraída por poucos minutos, mais uma vez o perco de vista… ele se foi e levou meus pensamentos. Na rua, pessoas andam apressadas. Trabalho. Colégio. Ginástica. Compras. Qualquer que seja a tarefa a ser realizada, o relógio é inimigo. Sem tempo para pensar, a multidão corre como formigas. Passos lentos destoam do normal. [normal?]. Ando calma, deixando que esbarrem em mim. Não me importo. O contato físico me revigora. Outro Café, outra avenida. [adoro as calçadas da vida!]. E a vida passa sem muito cobrar. Nas folhas brancas do caderno, a tinta azul começa a dar forma aos pensamentos desconexos. Solto a caneta que, com vontade própria, marca o papel com palavras que não ouso ler em voz alta. Em letras tortas, me vejo em cada linha. Como em um espelho, minha imagem refletida no conto, confunde e transtorna. Será que ao ler isso saberão separar escritora e mulher? [duas faces de uma mesma pessoa, afinal]. Pouco importa. Não tenho medo da exposição. Que tal curiosidade me traga boas risadas. [é isso o que eu quero?]. E é desta forma que as horas passam por mim. Cafés, cigarros, várias cocas light. Observação da vida que anda, corre, chora, sorri, sofre e ama. Cada rosto me traz uma percepção diferente do tempo, da vida e da morte. [e me sufoca, me transtorna, me transforma]. Perdida em questionamentos, esqueço o que vim buscar. Mas não quero confronto. [existe outra maneira?]. São angústias superficiais, tenha certeza. Sou livre, e assim me sinto. Sou feliz, colorida, cheia de vida. Todos sabem, está nos meus olhos, claro pra quem quiser ver. Mais, já disse, quero mais. Sinto que preciso mergulhar em mim, morrer afogada em devaneios, e renascer outra. Reinventar o ser, o estar… Tudo é transitório, afinal.

Hotel 07

Volto ao meu quarto. Mas não estou sozinha. Ele cruzou comigo no Café. Os olhos se encontraram. Faísca. O calor típico da excitação tomou conta de mim. [preciso conquistá-lo]. Paixão é meu combustível. Preciso amar pra viver. Mesmo que por duas horas, a necessidade de estar apaixonada é voraz. [ele é tão normal]. E mexeu comigo. Acho que foi seu cheiro, contra o vento, que me entorpeceu. Mas ele foi embora. Minutos depois volta com um sorriso nos lábios e uma revista nas mãos. Pergunta se pode se sentar. Pede dois cafés. Começamos a conversar como se nos conhecêssemos. [nos apresentamos antes?]. Fotógrafo. Sonhador. Tatuado. [perigo!]. Aos 40 anos já tinha visto o mundo. Cigano. Nunca parou em um único lugar. Nem nunca sentiu tal necessidade. Quando me tocou, no meio da conversa, senti um choque. [perigo!]. Éramos íntimos, então. A eminência de um ataque nos levou de volta ao hotel. Mal abri a porta, um furacão entrou. Roupas no chão. Corpos jogados na cama. Venda nos olhos e a experiência mais louca que já vivi. Seu toque suave arrepiou minha carne. [perigo!]. Ao me privar da visão, ele ampliou meus sentidos. Seus dedos percorrendo meu corpo ativavam áreas negligenciadas. Já que relutar não adiantaria, relaxei e me entreguei inteira. [perigo!]. Ele visitou cada centímetro de mim. Foi doce. Foi menino. Dos dedos, vieram as mãos. Mãos fortes e seguras, que sabem o que fazer. E me apertou. E me marcou. Sem pressa, investigou cada dobra, procurou cada linha do tempo na minha pele. E me incendiou. E me derreteu. Sua boca encontrou a minha. Sua língua me invadiu. E o beijo mais selvagem nasceu. Seus dentes marcaram meu pescoço. E meus ombros. E minhas costas. Ao retirar a venda dos meus olhos, ele se mostrou um homem perfeito. [perigo!]. E nos fundimos. Unimos corpo com mente para um único objetivo: saciar a ânsia. O momento perfeito. O movimento ritmado, tal como uma dança. Ele me guiava. Eu o seguia. Dentro de mim, ele encontrou o seu lugar. E se perdeu. E se achou. E gozamos juntos. Dormimos assim, nus, largados na cama, esperando um novo dia chegar.

Hotel 06

Pelo caminho descobri coisas lindas. Fragmento de histórias, verdadeiros pedaços de vida que, como em um quebra-cabeça, pouco sentido fazem quando avulsas, mas que guardam uma beleza estranha. Hoje sou meio colecionadora – coleciono fatos, causos, histórias. [bullshit, alguém diria]. Minha matéria prima é moldada aos poucos, palavra por palavra, transformada em outras linhas, recheada nas entrelinhas por sentidos figurados, recados diretos, duplos sentidos… Gosto disso. [adoro seduzir sem estar presente]. Sentada em um Café de rua, observo a vida e o passar do relógio com uma certa fome de contos. Quero escrever. [preciso escrever]. Assim me sinto viva e pulsante. Mas nem sei por onde começar. Pensei que o Hotel fosse me trazer a paz que precisava. Ledo engano. O fervilhar de idéias nunca foi tão intenso. [separar o joio do trigo]. Mas como? O café quente me traz de volta ao agora. [adoro café]. Acendo um cigarro. Um longo trago me tira o chão. Viajo. Volto à realidade com um gole de café forte e sem açúcar. Das ruas, levo para o hotel algumas coisas que vou precisar e idéias pra colocar no papel. [algo mais?]. Sempre tem algo mais – aos poucos. Agora não tenho pressa.

Hotel 05

Rodei por horas pela cidade. Observei pessoas. Meu maior passatempo. Indaguei meus passos, minhas escolhas, minha rota. Alinhei as vontades. [sensação de desconforto]. E agora estou adormecida, com as pernas cansadas, mas endorfinada o suficiente pra continuar por dias. Engraçado esse poderio químico do corpo humano, não? Por tempos usei drogas sintéticas por não saber como disparar a produção da minha “drogaria interna”. Ilusões. Hoje brinco com minha mente e sou capaz de induzir qualquer estado mental que desejar. Loucura? Talvez – nunca vi por este ângulo. Mas também não busco mais a felicidade em pílulas coloridas. A vida crua já me satisfaz. Sensações diversas despertas só pelo focar dos olhos – dor e êxtase. E assim sigo em frente. Dou as costas ao que não me serve mais. Não quero bagagem pesada a me atrasar o passo. Aliás, foi pra isso que cheguei ao hotel. Quis me despir e me re-conhecer. E que seja. Quero ser invadida pela vida. Quero todas as cores, e sabores, e humores, e cheiros. Quero sensações que nunca vivi. [sempre quis tudo]. E agora quero mais. Não vou me preocupar com pessoas dizendo isto ou aquilo pra mim. [que se danem!]. Sei que posso ir longe, embora não saiba ao certo aonde chegar. Ainda.

Hotel 04

Ao abrir a porta do quarto, abro uma nova vida. As cores lomográficas, diria até lisérgicas, deste lugar ofuscam por segundos minhas retinas. [confusão] O calor típico da ansiedade. [frio na barriga] A sensação de novidade toma conta. Por onde anda aquela figura, hein? Será que vou esbarrar nele outra vez, por aí? Ou será que ele já se foi, como um caixeiro viajante, mudou de paragens? Que horas são? Pára de perguntar! [inquietação chata!] Vou descer e comer alguma coisa por aqui mesmo. Talvez até converse com alguém no bar do hotel. Preciso de gente, como preciso de ar. Coisa louca, né?! Só agora me dou conta que nem vi direito o meu quarto. Dou meia volta e observo com calma cada detalhe. Lugar amplo, um excelente cômodo, na verdade. A cama, king, no canto esquerdo, com duas mesas de cabeceira a sustentar abajures. Do lado direito, um jogo de sofás brancos cria um outro ambiente. E uma mesinha de centro, sobre um tapete espesso, completa o mobiliário. No corredor, um armário, um espelho enorme, e o banheiro. Um tanto impessoal, acho. Preciso trazer vida pra este lugar. Primeira tarefa do dia (ou noite, sei lá!) – personificar a minha estada. [acho que vou ficar por aqui um bom tempo]. Hora de sair. Vida, aqui vou eu.

Hotel 03

Acordei com o barulho da noite e o burburinho dos outros hóspedes. Quem serão eles? Depois de dezenove horas, devo estar com a cara amassada denunciando as horas passadas na cama. Nem sei se chorei. Sonhei, é certo. Sonho bom, daqueles que dão tesão. Mas, ao mesmo tempo, tive pesadelos. Corredores longos, quase infinitos. Muitas portas. Todas fechadas. Foi um sonho quase profético. Essa é minha missão: abrir as portas, descobrir o que está por trás, e me conhecer… putz! Que viagem mais Santiago… eu só quero me despir, fazer o meu trabalho e parar de inventar personagens. Vou sair pra comer alguma coisa, dar umas voltas pelas redondezas. Quem sabe não consigo a inspiração pro meu primeiro texto. Sempre gostei das ruas, das luzes à noite. Agora pensei que deve ser uma loucura estar dentro da minha cabeça… por isso ando tão zonza. [fome] Estou com fome. E não é só de comida. Estou com fome de idéias novas, de rostos desconhecidos, de histórias a escrever. Pareço louca, não? Minha cabeça não pára. Não sei se você já percebeu, mas está dentro da minha mente. Neste turbilhão de pensamentos que não me abandona nunca. Agora preciso sair. [anda, se arruma] Mas o que usar nesta cidade estranha? [qualquer coisa, vai… sai logo daqui!] Jeans sempre vai bem. Novas idéias começam a surgir. Sabe onde isso vai dar? Tenho uma vaga noção…

Hotel 02

No meio do sono agitado, sonho com você. Queria dormir sem me lembrar de nada. Apenas desligar. Mas sonho. Estranho a cama que, mesmo sendo dura como gosto, não recebe meu corpo com aconchego. Mesmo assim sonho. Os lençóis de algodão esquentam minha nudez. Sempre gostei de dormir pelada… Pela primeira vez eu te vi. Foi ao entrar no hotel. Você estava na recepção, eu pegava as chaves. Achei engraçado o número do quarto: 69. Como minhas intenções não são as melhores, este quarto combina comigo. Ironia, não? É, eu acho irônico vir pra cá me descobrir puta e me apaixonar logo na entrada. Estou sonhando com você. Acho que sempre estive. E nem sei o seu nome. Não sei quem você é. Não sei quem eu sou. Muito menos se estamos disponíveis. Mas, enquanto isso, sonho com você. Pelo menos aqui eu não preciso de respostas. Estou sonhando.

Hotel 01

Eu vou dormir. Espero que respeitem a plaquinha de não perturbe na porta, porque estou exausta. Andei horas a procurar este hotel. Na verdade foram dias. Aliás, minha vida inteira. Fiquei sabendo deste hotel em sonho… acho que foi. Porque o passado me parece névoa, agora. Estou cansada. Queria começar uma vida nova, mudar a ID e tentar algo novo. Nada de codinomes. Nada de personagens. QUERO UM NOVO EU. Mas, pra falar a verdade, já me acostumei com essa velha cara no espelho, e – mesmo sem querer, não respondo pelo meu próprio nome. Há tempos criei uma máscara, um artifício pra ser outra. Só mamãe sabe quem sou. Eu mesma preciso me descobrir. É pra isso que vim pra cá. Cheguei nesta nova etapa. E o hotel é um marco. Sacanagens fazem parte, já aviso. Pretendo ser várias, até me achar. Se na vida me perco, no sexo me acho. Começo de tudo, não? Pois então, que seja. Mas agora, me entrego a Morpheu, pra só depois despertar neste quarto que ainda não vi… 69 é o número.

Abril

Enfim, chegou o fim

– Eu sou muitas. Cuide-se. Estou em todos os lados.

Ao admirar minha cara de santa, você vai estranhar essas afirmações. Mas não perca seu tempo. Gastei o meu na busca de respostas. E o que encontrei foram verdades expostas. Então, rapaz, digo mais uma vez:
Não pense que sou rasa. Sou mil, sou várias, sou todas as mulheres que um dia você pensou conquistar. E evitar.

Você ignorou minhas recusas. Investiu. Conquistou. Você, inocente, acreditou em um poder imaginário, desses que só a ignorância traz. E por meses a fio, você foi o herói solitário que enfrentou os monstros aprisionados em mim. Bravo guerreiro, um menino… você não percebeu, mas as feras devoraram sua alma. Sorrateiras, elas usaram do feitiço mais antigo, o mais manjado: o meu sexo.

Todas as noites que passamos juntos. Elas estavam lá. Cada gozo que vivemos. Elas sentiram também. E assim, ao poucos, invadiram o seu corpo. Levaram sensações no lugar da pele de cordeiro. Você dizia ser amor. Eu sabia ser luxúria.

Abril chegou atrasado pra mim, porque me perdi em você. E eu reafirmo: amei cada momento. Até o fim. Até agora. Despedaçada, encontro o adeus.

http://pensamentoacidental.blogspot.com por Bia Quadros

Exibida


Nas palavras exercito meu lado exibicionista
E faço catarse produtiva.
É uma tentativa de te trazer pra mais perto
E pra me fazer conhecer
Me sinto em desvantagem
Por não ler nos seus olhos
As frases que gostaria de escutar
Me sinto perdida
Por inventar legendas
Pra atos desinteressados

Seriam de fato?

Jogos?! Só os de sedução
Daqueles que dão frisson
Só de repensar a cena
Então… pra que me esconder?
Quando quero me mostrar
Pra que fingir
Se pretendo te agarrar?
Mas não faço mistérios
Já sou misteriosa demais
Sem tentar mostrar
O que não sou
Sou direta sim
Sei o que quero
Sei aonde chegar

* Ui… essa veio do flickr.com/nyki_m

Homem objeto

Homem objeto, exibido pelas ruas da cidade, nos chás de caridade, pras tias velhas empoadas. [Calem-se!] Não enxergam que estou acompanhada? Não percebem o quanto sou amada? Sexo todo dia, café na cama [um love-doll sem conceito, um amante sem desejo]. Romance de novela da Globo na minha vida! Vocês não adoram o meu bibelô?…

Bonequinha de lixo, aprendi cedo a fazer meus caprichos, seduzir sem me deixar encantar… Pra montanha-russa de emoções basta um bilhete do parque. Comprei, me enganei, caí.

Maquiagem borrada, máscara arrancada, coração ferido, me descobri humana, afinal. [Amei o deus errado]. Tirei meus ídolos da parede. Dorian Gray foi destituído.

Da carne, com gosto de desejo, ficou a saudade.

Da boca, de sorriso fácil, só restou indiferença.

No vaso rachado, as rosas murchas da minha paixão.

Homem, não se engane, você é o objeto do meu mais doce amor… Persona onipresente, que até em sonhos te vejo. Criança grande e terna, pra sempre vou te amar.

* Essa foto veio do flickr.com/hagerstenguy

O BEIJO

Do lábio entreaberto
Sai a língua úmida
A testar a maciez da carne
A provocar o olhar alheio
A instigar o desejo


Na boca sedenta
Os alvos dentes
Marcam o lábio inferior
Numa mordida despudorada
Tingindo de sangue o tesão


O aproximar é lento
E marcado pela respiração sofrida


O encontro é suave
E molhado pela vontade latente


O enroscar das línguas é demorado
E saboreado pelos sentidos


Sem pressa, te devoro
Minha boca na sua
A querer seu ar
A roubar sua calma


Fusão de almas


Vem, beija a minha boca
E esquece do mundo...

* A foto perfeita veio do flickr.com/vesperis

Quando 1+1 é muito mais que 2

Fui convidada/intimada a escrever um texto pra foto do Paulo Salerno. Em cima do prazo, enviei duas alternativas. Hoje, foi ao ar a versão que eu mais curti. Aqui o link original: Contato Zine, 4ª edição, junho de 2008.

Prostituta Sagrada

Prostituta Sagrada

Mulher humana
Deusa do amor
Tua sexualidade é reverenciada

Prostituta Sagrada,
Tu és paixão, tu és prazer
Muitos são teus nomes
Inana, Istar, Ísis
Hátor, Bastet,
Astarte, Afrodite  ou Vênus

Em teu doce corpo
Humano e divino se entrelaçam
Tu, mulher, és bruxa, és mãe,
Donzela, sereia e puta.

Instintiva e sexual, és Eva
Sedutora, bela e graciosa, és Helena
Divina, és Maria
Sábia, és Sofia

Lua de fases
Mulher de vontades
Humana deusa do amor.

Como seduzir Érato?

Seu corpo curvilíneo, helênico, é alvíssimo
sua textura, macia como as nuvens
desperta o desejo do toque.

Quando fecho meus olhos, quase posso vê-la. Fugidia, escorrega por entre meus dedos e me deixa sozinha na noite quente. Ela sabe que desejo sorver seus beijos, sequiosa por sua saliva. Sinto falta de alimentar-me de suas carícias. Estou faminta, é verdade. E ela brinca comigo, e se esconde para que eu não possa segurar-lhe pelos braços. Para que eu não possa tocar-lhe o sexo, e assim extrair o néctar de que tanto preciso. Amante caprichosa, se fecha a cada nova investida. Sabe que a desejo mais que tudo nesta vida. Mas, se diverte com tais recusas.

Quero seduzir Érato.
Minha intenção é trazê-la para a minha cama.
Para que depois, possa de novo descrever o gozo, a paixão, o amor.

Érato
Mais conhecida como aquela que desperta o desejo.
Musa do verso erótico, da Poesia Amorosa.

É representada por uma jovem ninfa coroada de mirto e rosas. Na mão direita, uma lira e na esquerda, um arco. Ao seu lado, muitas vezes tem um pequeno Amor, que lhe beija os pés.

Para lembrar de ti

Da série Meu passado me condena.


Para lembrar, fechei meus olhos, abri minhas pernas, toquei meu corpo. Apesar do tempo, você ainda está aqui, em mim. Ainda sinto seu hálito, seu cheiro, seu gosto. Posso sentir seu peso, posso sentir sua mão. Meu corpo estremece. Dói lembrar e não ter você.

Quando você foi embora, me restou a memória. E apagá-la foi mais difícil do que te perder. Um mal necessário. E agora me esforço para recuperá-la. Mas o que ficou gravado na pele não se apaga tão fácil. E como um sentimento escondido e mascarado, lembro, aos poucos, das vezes que estive na sua cama.

* Foto de Paulo Salerno. Clica pra ver mais!

História sórdida

Tenho um quê de exibicionista, que satisfaço ao imaginar que alguém, não sei onde, vai ler tudo o que escrevo aqui. Não sou a única, não é mesmo?

Agora, o que mais me excita é saber que ELE vai ler essas linhas. Lá, ele vai me sentir, quase me tocar. É isso o que eu quero. Porque neste momento, todos os meus pensamentos estão com ele. Confesso: não são os mais ingênuos. Nunca foram. Desde o dia, há tempos, que bati meus olhos naquele homem, à porta do meu hotel. Eu o quis loucamente enquanto passeávamos pela cidade, ou tomávamos um café despretensioso no fim da tarde daquele sábado. Mais ainda quando dançávamos numa boate da moda…

Guardo na pele o que tivemos. E, na cabeça, invento outras deliciosas e tantas e sórdidas histórias. Ele é o meu Muso, meu tesão platônico, que me inspira e me faz transpirar.

Exibida

Nas palavras exercito meu lado exibicionista
E faço catarse produtiva.
É uma tentativa de te trazer pra mais perto
E pra me fazer conhecer
Me sinto em desvantagem
Por não ler nos seus olhos
As frases que gostaria de escutar
Me sinto perdida
Por inventar legendas
Pra atos desinteressados

Seriam de fato?

Jogos?! Só os de sedução
Daqueles que dão frisson
Só de repensar a cena
Então… pra que me esconder?
Quando quero me mostrar
Pra que fingir
Se pretendo te agarrar?
Mas não faço mistérios
Já sou misteriosa demais
Sem tentar mostrar
O que não sou
Sou direta sim
Sei o que quero
Sei aonde chegar

Homem Objeto

Homem objeto, exibido pelas ruas da cidade, nos chás de caridade, pras tias velhas empoadas. [Calem-se!] Não enxergam que estou acompanhada? Não percebem o quanto sou amada? Sexo todo dia, café na cama [um love-doll sem conceito, um amante sem desejo]. Romance de novela da Globo na minha vida! Vocês não adoram o meu bibelô?…

Bonequinha de lixo, aprendi cedo a fazer meus caprichos, seduzir sem me deixar encantar… Pra montanha-russa de emoções basta um bilhete do parque. Comprei, me enganei, caí.

Maquiagem borrada, máscara arrancada, coração ferido, me descobri humana, afinal. [Amei o deus errado]. Tirei meus ídolos da parede. Dorian Gray foi destituído.

Da carne, com gosto de desejo, ficou a saudade.

Da boca, de sorriso fácil, só restou indiferença.

No vaso rachado, as rosas murchas da minha paixão.

 

* é… abri o baú. Na esperança que ele seja meio caixa de Pandora, sabe? Pra tirar de lá todos os fantasmas que me amarram as mãos e não me deixam mais escrever…