Aprender a aprender

Falemos de empatia…

Somente enfrentando a complexidade de tantas diferenças entrelaçadas será possível progredir em harmonia.

No capítulo nove, do livro Sonho Manifesto, Sidarta Ribeiro nos convida a aprender a aprender. Diz o que muitos de nós já sabemos: “quase tudo o que se aprende com desprazer e monotonia dura pouco tempo na mente das pessoas. O que permanece por muito tempo é o que é aprendido com prazer e curiosidade.” (Pág. 138).

Sidarta cita Paulo Freire, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, Flavia Soares, Carolina Maria de Jesus, Machado de Assis, Lima Barreto, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, W.E.B. Du Bois entre outros (isso num só capítulo!). Tantos pontos de vista para chamar a atenção para a empatia – embora não use muito essa palavra; para que vejamos a realidade com outros olhos e exercitemos ativamente essa coisa chamada alteridade.

Alteridade é diferente de subjetividade. Enquanto esta fala sobre a nossa experiência interna, o nosso olhar, a alteridade é sobre outro. É reconhecer esse outro e suas idiossincrasias. É ver o outro em suas diferenças, suas esquisitices, seus medos, sonhos, afetos, crenças.

E aprender com ele: “nessa troca cultural contra-hegemônica, o encontro dos diferentes propicia enorme energia potencial para a cura das unilateralidade”.

As bolhas nas quais vivemos… (e como sair delas!)

“Hoje, os riscos de “câmaras de eco” e “bolhas” são uma verdade incontestável e ajudam a explicar as divisões na opinião pública que muitas vezes parecem seguir rígidas linhas partidárias” – essa frase é de uma matéria publicada no site da BBC News em 2016… De lá pra cá, muita coisa mudou, é verdade, mas as bolhas seguem fortalecidas pelos algoritmos, pelas fake news e pela polarização política. 

(infelizmente, as bolhas sociais não são tão inocentes quanto as bolhas de sabão…)

Aliás, o trio bolha, fake news e polarização tem uma relação de estreita dependência, como o efeito Tostines: me fecho na bolha por causa da polarização; ou há polarização porque me fecho na bolha? E a fake news? Bem, ela nos joga de um lado pro outro, num jogo de poder que vai muito além das nossas bolhas.

Complicado, né?

“Estourar a bolha pode ser altamente transformador, pois assim será possível aprender e vivenciar coisas que nunca pensou que pudessem ser possíveis”. Mas este é um processo que demanda intenção, como escreve Liliane Rocha na Revista Época. Negócios, “exige esforço coordenado e planejado”.

Antes de furar a bolha, é preciso reconhecer que estamos numa!

Vou lhe perguntar uma coisa: o que você sabe do outro é uma suposição, fruto de um achismo? Ou você procura realmente conhecer o outro, em suas dores e alegrias, as outras realidades, os outros mundos diferentes do seu? (eu me faço essas perguntas muitas vezes!)

É porque tendemos a reproduzir pré-conceitos, ideias engessadas, conhecimentos cristalizados no passado, muitas vezes fatos fora de contexto… E tá tudo bem, a gente generaliza para aprender. Mas é preciso reconhecer isso e abrir espaço para aprender o novo, afinal nada aprende aquele que tudo sabe, não é mesmo? 😉

Às vezes, supomos conhecer. Isso porque essas outras realidades aparecem na TV, em filmes e séries, nos jornais locais, nas notícias dos sites, nos compartilhamentos do zap…

Nem sempre é fácil notar que aquela informação é um recorte da vida real (quando não uma ficção!) – cuidadosamente escolhido para reforçar o ponto de vista de quem o compartilha.

Então, qual o caminho possível?

Eu acredito que o caminho mais frutífero seja o do exercício da empatia.

A empatia é uma capacidade inata aos seres humanos – é uma das nossas forças evolutivas!

Expandir nosso potencial empático não melhora só nossos relacionamentos com o outro, mas também a nossa própria qualidade de vida.

Separei cinco dicas para (re)despertar a empatia:

  • Seja curioso
  • Descubra pontos em comum
  • “Ande com os sapatos alheios”
  • Escute sem julgar
  • Inspire os outros

Recapitulando: a empatia é inata, cria e reforça a conexão, e pode (e deve!) ser exercitada.

Agora me conta: como você faz para furar a sua bolha? (sim, estou assumindo que você sabe que vive numa bolha, e quer sair dela!)