Síndrome de Alice

Escrever é, pra mim, um grande remédio – daqueles que a gente tem que tomar pro resto da vida, sabe? Pois é… Aí fico semanas, dias a fio, sem desenhar uma só letrinha [escrever por obrigação profissional não vale!!!]. Quase tenho tremedeiras…

Sinto-me como Alice. Perdida toca-do-coelho-abaixo sem saber onde acaba esta minha estranha história… Tudo parece tão absurdo! E, no meio deste non-sense todo, só penso em voltar pra casa.

O que será que Lewis Carroll bebeu pra imaginar algo tão lisérgico, tão deliciosamente-insano, como o País das Maravilhas?

Depois que desci pela toca-do-coelho, me pergunto como fazer diferente, já que – ao voltar – nunca mais serei a mesma, ainda que retorne exatamente ao mesmo ponto. Estranho? Nem tanto. A minha curiosidade me levou a lugares que jamais pensei existir! Sei bem dos tormentos de Carroll – embora não passe nem pela calçada, com medo de me achar lá dentro… se é que você me entende.

E não é que queira voltar. Estou bem aqui. Mas é que a possibilidade de não-poder-voltar me assusta mais do que a de seguir em frente. [Afff… lôca-de-pedra!].

Mas não é isso que quase todo mundo sente? Esse medinho-besta de seguir, mas sem querer fechar a porta atrás da gente – vai que eu resolva voltar? O que é isso, se não uma insegurança-da-porra [desculpa, mas o palavrão cabe muito bem aqui!]. É esse pensamento doido que me faz temer o novo e credita toda a segurança em algo que não me vale mais nada – mesmo com o título de propriedade ou algo parecido.

E assim é com quase tudo – dos relacionamentos aos empregos – a cada mudança, um abalo sísmico.

Quero é me largar aos encantamentos não-planejados. E me surpreender pelo caminho.

Regras pra Bem-Viver

O pensador russo Guerdjef traçou 20 regras de vida, destacadas pelo Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.

Dizem os especialistas em comportamento que basta assimilar 10 delas para aprender a viver com qualidade.

1 – Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, converse com alguém e analise suas atitudes.

2 – Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3 – Planeje seu dia, sim – mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4 – Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5 – Pare de pensar, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6 – Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos.

7 – Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8 – Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9 – Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que isso é o máximo a se conseguir na vida.

10 – Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11 – Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12 – Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso – a trava do movimento e da busca.

13 – É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de 100 Km. Não adianta estar mais longe.

14 – Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15 – Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16 – Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17 – A rigidez é boa na pedra, não no ser humano. A ele cabe firmeza.

18 – Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19 – Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

20 – Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer.

Ai-ai… Nem vou comentar.

Procure o enquadramento perfeito

Desta vida, quero só a melhor parte.

Procuro o ângulo, aquele que me mostrará algo que nunca vi. Porta entre-aberta a exibir um mundo quase perfeito, feito instantâneo e, emoldurado, pendurado, eternizado, na parede será troféu de caça.

Posted by Picasa capturei um dos meus melhores dias: na Lagoa, o fim de tarde é divino.

Lá fora está chovendo

Acordei com o barulho da chuva na minha varanda. A mistura de terra e asfalto molhados, com um toque de árvores lavadas, tem um cheiro inconfundível. Respiro fundo para absorver o dia inteiro, todos os sonhos que tive, mas não me lembro, todos os amores que já foram, os que virão, e Ele – o eleito senhor-de-mim.

Em dias assim, sinto falta de um montão de coisas que eu mesma deixei de lado.

Nesses dias chuvosos, as lágrimas nas janelas choram em silêncio por mim. Porque eu acho bonito aquele choro silencioso cheio de lágrimas que escorrem quietas e ligeiras, meio nascente, rápidas, sabe? E acho intrigante essa nostalgia que me arrebata nos dias de chuva. Não é tristeza pura e simples – é The Blues. Quero ouvir todas as que mais gosto – as que rasgam a alma. Se me perguntarem, não sei nome, data ou qualquer outra informação – tudo isso porque eu sinto a música. E quando tento racionalizar e explicar em palavras, The Blues se vai e minha alma fica num silêncio denso. Aí, prefiro nem falar nada: só fecho os olhos e sinto. Não é tristeza mortal, comum, explicável – é The Blues que me consome, e divino, e esplêndido, e imaculado, lava e escorre lágrimas nas janelas.

Eu sorrio de leve. Leve, quase flutuando, sorrio. The Blues me deixa em paz. E as janelas que choram emprestam uma beleza singular ao meu dia.

Posted by Picasa * fotos de hoje, a caminho da agência…

Estrada

Eu estou na estrada. Não vou dizer de onde venho. Tão pouco o meu destino. Esses detalhes não acrescentam glamour algum a esta história. A não ser alimentar a sua curiosidade. Então, tudo o que vai saber de mim é que estou a caminho. Você pode me esperar. Ou ficar à beira da estrada para me ver passar. Juntar-se a mim também é uma escolha. Mas, deve partir de você esta decisão.

Um dia vou te contar sobre as minhas escolhas. E sobre meus dias. Meus quereres. Sonhos.

Um dia. Mas não hoje.

Agora eu estou na estrada.

Posted by Picasa Esqueci de dizer: esta é mais uma foto minha.

Igual, mas diferente

Escrevo não como exercício barato de exibicionismo. Mas para ver se consigo me livrar de mim, e deixar toda essa efervescência de idéias desconexas escorrer de mim. Para que todos esses pensamentos insanos saiam como fumaça, por um buraco aberto na minha cabeça pelo ponto-final que colocarei numa frase qualquer.

As minhas histórias abrem as portas de um mundo onde sou única. E mesmo que outros tantos escrevam variações sobre o mesmo tema, minhas palavras são inéditas. Imprimo minhas digitais em cada linha, me exponho nas entrelinhas. Mesmo que o sujeito seja outro: sou eu quem você lê. Invento o que eu poderia ser. Até nas minhas mentiras há um pouco de mim. Porque a minha maior fantasia é ser diferente de tudo o que você já imaginou.

Escrevo para criar um novo paradigma, para dar um brilho diferente a toda essa mesmice, para me tirar dessa normalidade monocromática. Porque, no fundo, no fundo, todos nós temos as mesmas inseguranças, as mesmas angústias. Nem os quereres mudam, ou devaneios. E eu preciso, igualzinho a você, me destacar nessa multidão rodriguiana, para não me sentir tão burra, tão bege, tão normal, tão igual.

Aí, desembesto a escrever palavras sem sentido, mas que quando leio no final, até que entendo direitinho: sou igual a todo o mundo.

Procura-se platéia

Ontem comentei que escrevo o que eu quero, mas não escrevo só pra mim. Não! Eu quero ser lida. Preciso de leitores como qualquer ator precisa de platéia. A diferença é que no meu palco, não preciso de aplausos. Pra mim, saber que sou lida basta.

Gozo literário
Sou uma escritora puta
Que se vende barato
A todos que parecem me querer
Me exibo nas prateleiras
A esperar que alguém se seduza
Que me abram as capas
Me toquem por dentro
Me virem as páginas
E assim, lida, devorada
Me sinta, enfim, saciada.

* foi bom pra você? *
* Procure estante, e São Google te guiará! *

Meu velho tênis

Hoje acordei meio Forest Gump. Não no sentido de contar histórias, o que já faço todos os dias. Mas com aquela vontade louca de andar, de usar meu velho tênis-de-corrida-que-não-combina-com-nada-do-meu-armário.

Logo imaginei várias andanças. Ainda de olhos fechados, percorri caminhos, passei por muitas árvores, subi encostas, desci pirambeiras. Até senti um ar fresco nos cabelos e o geladinho da areia sob os pés, na beira da praia. Respirei fundo. Nesta hora, me enchi com toda a vida do mundo. Senti passar pelos meus pulmões, as histórias que nunca vou escrever.

Ficou na boca um gostinho-de-quero-mais.

Levantei atrasada. Tenho certeza de que não descansei com o sono, mas que ganhei energia com este daydream.

As janelas da minha vida

Você lembra que sou fissurada em janelas, não é mesmo? Pois então…

 

Das janelas da vida, vislumbro idéias . Pontos espalhados por aí, como naquela brincadeira, entro no jogo e ligo um a um, imaginando o que vai dar – ainda não sei ao certo – não me preocupo. Estou me divertindo.

 

Uma janela se abre. E outra. Mais uma…

 

Essas deliciosas janelas foram clicadas por um amigo virtual lá de Minas, o Alessandro Bastos. Gostei tanto que pedi pra colocar na parede. Antes de ganhar moldura, ela ganha este espaço aqui.

Meus 36 anos

Antes, eu queria escrever algo impressionante. Linhas de tirar o fôlego, palavras justas. Daquelas que não há como trocar por outras: perdem o significado e a beleza. Escrever O Texto, sem tirar, nem pôr. Intocável, até por um acerto de vírgulas.

Pensava, talvez assim, passar a vida a limpo, reescrevendo minha história. Não porque vivi o que não quis. Mas por não ter feito tudo o que pude.

Aos 36 anos vivo numa encruzilhada. O corpo sente como nunca. A cabeça pensa que é jovem. A sociedade cobra como sempre. E eu, no meio de tudo isto, estancada pela quantidade das velas no bolo, me pergunto onde está o espelho da madrasta, na ânsia por saber se há alguém mais boba do que eu.

Há tempos estou em busca do perfeito. Sempre procurando, ou fugindo do efeito da inércia diante da paúra de enfrentar ajustes e críticas. Sem querer encarar a humanidade do imperfeito – a minha humanidade imperfeita.

Agora, me dou conta. Que imperfeita vida levei, até chegar aqui! Muitas vezes, aos trancos e barrancos, à beira do precipício mesmo. Outras tantas, dentro da linha limítrofe da sanidade. Mas nunca pasteurizada. Jamais bege. Esta é a minha glória.

Isto porque busquei identidade. Camaleônica, voraz, inconseqüente. Fui ao encontro de mim, separando joio de trigo. Por anos me perdi em caminhos labirínticos, sinuosos, intrincados. É que por dentro, estava fragmentada.

Busquei juízo. Encontrei riso. E ao me duplicar, fiz nascer das entranhas homem-menino, carne de mim, que vai andar por aí em suas pernas, pensar sozinho, crescer pro mundo.
Nele sou perfeita.

A vida que segue

Hoje acordei nostálgica. Aliás, fui dormir assim.

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Fui buscar referências do que um dia fui… achei este e muitos outros escritos. Deu vontade de colar aqui:

A vida que segue

Um dia, falava a algum conhecido sobre as delícias dos cafés que agora ocupam as calçadas do Leblon, invadindo assim a minha vida. Morro sem eles.

Fim de tarde, pessoas queridas ou a companhia de um livro. É sempre um passatempo agradável: boa comida, grandes amigos, um naco de cultura.

Mas, o que gosto mesmo é ouvir a vida que passa.

Adoro sentar sozinha em um desses cafés e observar os tipos que vagam e divagam pelas ruas, apressados pra algum compromisso, preguiçosos a caminhar sem destino. E ouvir fragmentos da vida alheia. Como isso é bom! Pesco uma frase, uma confissão, rasgos de uma discussão… e depois construo histórias inteiras acerca desses pequenos parágrafos roubados.

Então, mania explicada, volto àquele dia da conversa sobre as delícias.

Apesar da pressa, não deixei passar a cena: um casal, na faixa dos 65 anos, almoço após bateria de exames e encontros com médicos. Câncer foi o diagnóstico. E pelo tom, poucos meses de vida. Nada de lágrimas. A atitude era de luta e coragem. Entre garfadas, as mãos se encontravam por cima da mesa. De frente um para o outro, os olhares transmitiam força. Depois do café, e quase na hora da minha volta à agência, percebi o marido fugir com o olhar, e dizer com a voz embargada: é, querida, se me fosse dado apenas um desejo nesta vida, seria trocar de lugar com você. Já na saída, escondendo as minhas lágrimas que insistiam em cair, ouvi a resposta: Sou egoísta, meu bem. Sem você não saberia viver.

Caminhei de volta para o trabalho, acreditando ainda mais na vida e no amor. Ganhei uma lição. Desta vez, não quis escrever a história completa. Nada do que poderia inventar seria digno daquele casal.

Dói, mas é bom…

[Começo a achar que tenho fixação por janelas]

A vida passa rápido, não? Lembro que rezava pra crescer… Queria ser adulta. Queria mandar no meu próprio nariz. Minha mãe respondia aos meus desejos com um “mocinha, quando a senhora for dona do seu próprio nariz…” E lá ia eu pro meu quarto rezar pra que o tempo passasse rápido e eu tomasse logo posse desse meu nariz. Arrebitado, seja dito! De tanto ouvir, empinei o tal que agora muitos me acham besta. Bicho! [denunciei a idade agora!] Eu queria e não podia. Tinha vontades e ficava a ver navios… sempre colocavam minhas conquistas pro dia em que eu viesse a ser dona de minha vida.

Aprendi que não era suficiente.
Aprendi, de tanto ouvir, que deixasse por conta de outros as decisões mais importantes. Não é de se estranhar…

E, depois de tanta mordomia, resgatar a responsabilidade, assumir que há tempos já sou a adulta que rezei ser – haja análise!!!
Porque dói, viu? É verdade! Dói bater no peito e dizer: é! eu fiz isso sim… é… se estou assim-ou-assado, é por culpa e mérito meu! Dói ficar exposta, vulnerável. Mas, devo ter um quê sado-masô. Ô dorzinha boa, viu? Taí: essa é a beleza de ser adulta. É se entregar de corpo e alma à vida. É cair, ralar os joelhoes, mas se levantar, pronta pra seguir. É achar, vez ou outra, que a felicidade está na ignorância – mas dar de ombros e ser feliz mesmo tendo um montão de informação pra administrar. É saber que, não importa o que aconteça: eu faço o meu caminho.

E então, dona do meu próprio nariz, agora rezo pro tempo dar um refresco, andar pianinho, pra eu aproveitar essa vida-boa que conquistei.

:: é, eu brinco de ser fotógrafa ::

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A ponte

Dois lugares separados: uma ponte a unir distâncias.
Majestosas e imperativas, pontes sempre são imagens românticas, não é mesmo?
A idéia de unir dois pontos separados, o desafio da construção, a superação dos limites e todas as metáforas que daí surgem rendem horas de filosofia, conversas inflamadas, devaneios e uma constatação: eu preciso de uma ponte!É sério! Preciso deste marco da arquitetura urbana para diminuir as distâncias entre mim e o que desejo. Tudo bem se terei que contruí-la com minhas mãos. Mas isso não vem ao caso. Agora só penso na ponte que não tenho…

:: outra foto minha ::

Janelas

Abertas ou fechadas, as janelas me causam um certo fascínio… Gosto olhar por janelas entre-abertas. Curiosidade típica de quem tudo-quer-saber, diz minha mãe.

Mais do que olhar, quero enxergar o que está além. Não alguém trocando roupa, vendo TV largado no sofá, ou fazendo sexo num sábado à tarde. O meu interesse é no como. É na digital que todos imprimimos no que fazemos. Gosto de observar personalidades em ação. Adoro ver o jogo de sedução e conquista em troca de carinho, sexo, dinheiro ou poder. Gosto de observar um ataque de raiva [não comigo, é claro!] – prova da imbecilidade humana. E me deixo comover com a gentileza que insiste-em-persistir.

E por trás dessas janelas, esquecemos que somos observados. Despimos capas de convenções e, nús, tocamos a nossa vida privada.
Agora entendo porque minha mãe [mais sábia do que eu imaginava!] dizia para eu observar como o meu homem, objeto de desejo, reagia às outras pessoas [e não a mim, como eu insistia em comentar]. Longe dos deveres sociais, somos mais selvagens, mais instintivos, mais nós mesmos.

Por trás das janelas cerradas, permitimos o indizível. Ultrapassamos limites questionáveis. Escondemos esqueletos no fundo dos armários… e validamos a afirmação que nem bom-dia daríamos aos vizinhos, se soubéssemos o que rola entre as quatro paredes da intimidade humana.

É por tudo isso que AMO janelas.

[As minhas, ultimamente, deixo abertas, escancaradas – nada a esconder; tudo a exibir]

p.s. eu também fotografo…

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Da minha janela

Dá pra pensar em alguma outra coisa?
Trabalho no que gosto, num lugar muito legal, com uma vista dessas…
E eu ainda fico pensando na vida.

Vai pra janela, vai!

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Eu não pensei

Meu Deus! Eu fiz um blog! E agora?

Só de pensar que terei de escrever todos os dias… TODOS OS DIAS???

Ai. Frio na barriga. Mão suada. Cabeça rodopiando.

Mas, pensando bem, é só colocar no papel [modo de dizer!] tudo o que se passa na minha cabeça. Pronto. Tenho, assim, material de sobra para escrever não um, mas duzentos blogs. Tudo bem que meu esforço será mostrar que não sou maluca. Mas isso é outra história…

Vou me concentrar para não desfocar, ok?

Então está feito. Eu tenho um blog!

Aguardem as próximas postagens.

Tendência. Mas, pode chamar de mania.

Sou volúvel. [tô me sentindo num confessionário!] Mudo de opinião como quem experimenta sapatos. [e o pior: tô me sentindo leve por dizer isso!]

Acho que esta é a melhor definição da minha instabilidade crítica. Entenda uma coisa: acredito que só não muda de opinião quem não as tem. Não é porque escolhi este ou aquele doce que preciso morrer adorando comer tal iguaria! Não é por achar algo bom, mediano ou ruim que não possa descobrir que estava errada por qualquer que seja o motivo: o que era bom acabou; o mediano evoluiu; o ruim lançou um up grade. Que seja! Descobri novos pontos de vista e mudei. Convenceu-me o novo. Afinal, não preciso ser arraigada para parecer normal, né?

Então. Exposta minha inconstância, digo que tudo o que leio, ouço, vejo por aí me instiga a prodzir algo. Adoro fazer releituras. A pergunta é sempre a mesma: como eu faria tal coisa? Uso essa mania como um exercício de criatividade. [uma mania, dentre muitas!] Porque nem sempre do zero começa o novo.

E você? Qual é a sua mania?

A Louca fugiu de casa

A Louca fugiu de casa
Abandonou os móveis
Não cobriu nada com lençóis
Nem se preocupou com a poeira

A Louca fugiu!

Na morada vazia
O eco do vento,
Aquele sopro agudo,
É o único som lá de dentro.

A casa agora é assombrada
Por todos os fantasmas do passado
Etéreos, míticos, alados

Nem as lembranças ficaram
Coitada, a Louca saiu com bagagens
Arrastando memórias como se fossem correntes.

:: texto meu, inspirado no livro de Rosa Montero, A Louca da Casa ::