a cumplicidade do ato, a segurança do olhar
a mão segura firme,
o gesto, ensaiado, repetido inúmeras vezes
não é mais banal do que na primeira vez que o fizeram
é belo
é poesia feita de carne
é dança no ar.

Posso ser quem eu quiser, e posso mudar de ideia
Mais uma vez vejo com clareza o meu erro
É, eu errei, confesso
No peito, o peso do engano
Na garganta seca
As palavras que nunca direi
Mas, como conseqüência do devaneio
A renovação se faz
E traz a quietude de depois da chuva
O silêncio que acalma
Se instalou em mim
Percepções
Tão claras quanto o dia
E a certeza de que
Não foi a última vez
Porque o erro foi a entrega
E disso, eu não abro mão
* A imagem veio daqui. Mergulhe por sua conta e risco.
Não sou daqueles riachos
Seguros, rasos, calmos
Minhas águas são claras
Porém
Agitadas, rápidas, ágeis
Corro rumo ao oceano
Com fúria, com pressa
Caudalosa, sou larga
Transparente, sou profunda
Água fresca que renova
Acorda!
Nunca me imaginaria água parada.
Quando você chegar
estarei rodeada de flores
a exalar o perfume das chuvas
Franca e faceira
serei Musa: escreve sobre minha pele
com seus dedos angélicos
o momento presente
em cada palavra
coloca alma
Quando você me tocar
vou me abrir feito botão
e derramar gotas de orvalho – minhas lágrimas de gozo
a descer pelas pétalas e a molhar o chão
lençol verde, sob céu de estrelas
Meu nome é Hera
e em meus braços
preso por abraços
você dormirá
Meus olhos, miosótis
e na boca rósea, a sedução
dita pela palavra muda
dos lábios entreabertos
Liliácea e delicada
meus encantos
Maria-sem-vergonha
meu dom
Sou flor vestida de Primavera
a esperar você, meu fim
meu Verão
* Foto minha, do meu W810i

O tudo é azul, sabia?
Só agora me dei conta…
Podes achar obsceno,
Mas garanto que não há conotação,
Eu literalmente mergulhei no mundo
Despida de qualquer fantasia
Nua, sozinha, crua.
Teus olhos procurarão algo sexy
Mas só verão a mim
Sem roupas, sem quereres, sem máculas.
Não te basto?
A calmaria destes dias
Mostram que o tudo é azul.
Como o mar de outras terras,
Azul infinito e profundo.
Imersa neste mundo
Absorvo o novo
Planejo o próximo momento
Respiro a vida
Aqui, onde tudo é azul,
Meus olhos não têm lágrimas
Meu corpo não tem marcas
Minha alma está lavada.
* Azul veio do flickr.com/jakalito
Quero escrever.
Sinto a urgência das palavras
Que insistem em me assombrar
Nas horas mais estranhas do dia
Mas o Tempo está contra mim
As Horas estão de complô
E fazem greve
Uma greve insana,
Às avessas – andam aceleradas,
Passando a correr pelo meu relógio
O Tempo se esvai,
Escorre pelos meus dedos,
Pingando no chão infértil,
Num estalido metálico irritante
Quero escrever!
Quero colocar todas as idéias loucas
Que passam pela minha cabeça,
A me corromper os sentidos
A me sacudir o corpo
Mas o Tempo passa rápido
E leva consigo a ordem
Abrindo espaço pra Morfeu
Que, sorrateiro
Invade minha cama
E me toma como amante
Na terra dos sonhos
Horas malditas!
Que me arrastam por prazeres deletáveis
Me desviando o rumo
Quero escrever!
E colocar pra fora a angustia
Causada pelas palavras
Que me rasgam a alma
Mas estas são palavras fracas
E cansadas pelo Tempo
Não têm a esperança pra conquistar o mundo
Tempo assombroso
Que me mata a cada segundo
E me entorpece
E me adormece
Com seu tic-tac hipnótico
Quero escrever!
Mas um bocejo
É o marco
É a lona
É o fim.
O que dói no meu peito?
Que dor é essa, que me estrangula a garganta
Me impede a fala e anestesia todos os sentidos?
Enganei-me pensando que de amor doía
Na verdade, morriam meus sonhos
E a agonia do fim, traduzida em dor
Era tudo o que eu sentia.
Morreram as tarde na praia
Os passeios pelos jardins do Rio
As fantasias criadas pra te envolver
Sua falta se faz presente
Nos planos apagados
Nos dias vazios
Na nova rotina que imperiosa
Se faz necessária.
Meus pés já estão cansados de tanto trilhar, tanto dançar, tanto tropeçar… Parada, ali a esperar mais uma coreografia da vida, questionei minhas escolhas, meu ritmo, meus passos. Com o tempo contado e olhos atentos aos meus gestos, me senti perdida na multidão, que no mesmo compasso seguia em frente. Dancei.
Embalada por sons externos, mais uma vez esqueci de me ouvir… Sem tempo ou contra-tempo, sem compassos ritmados, estava agora no total silêncio – daqueles densos, afiados e desafiantes. Dancei.
Na companhia de outros, perdi o fluxo. Dancei.
Mas só pra você imagino solos inesquecíveis, passos sedutores,e invento uma dança feita de mãos, bocas, olhos, pernas…
Canta pra mim… quero dançar pra você…
* Essa foto veio do flickr.com/imagemcompartilhada
Do lábio entreaberto
Sai a língua úmida
A testar a maciez da carne
A provocar o olhar alheio
A instigar o desejo
Na boca sedenta
Os alvos dentes
Marcam o lábio inferior
Numa mordida despudorada
Tingindo de sangue o tesão
O aproximar é lento
E marcado pela respiração sofrida
O encontro é suave
E molhado pela vontade latente
O enroscar das línguas é demorado
E saboreado pelos sentidos
Sem pressa, te devoro
Minha boca na sua
A querer seu ar
A roubar sua calma
Fusão de almas
Vem, beija a minha boca
E esquece do mundo...
* A foto perfeita veio do flickr.com/vesperis
http://pensamentoacidental.blogspot.com por Bia Quadros
São tantos os rostos
são tantos os pensamentos
nas ruas, a andar todos os dias
sem quase olhar para o lado
preocupados com o caminho
Pessoas
Histórias
Sentada num café de rua,
não penso no que tenho a fazer
paro um minuto para observar outros que passam
tento escutar suas angústias
descobrir seus sonhos
saber de suas vidas
Quanta coisa deixo de aprender
com este ou aquele?
Meu sorriso cúmplice parece chegar até
o coração daquela que
também sentada na calçada
me observa curiosa
desligada de seus pensamentos
para escutar os meus
Com um piscar de olhos
nos despedimos, sem nunca nos apresentarmos
Aprendi uma lição:
muitas vezes, basta sorrir.
O sorriso é iluminado
Faz ascender o espírito
O toque, suave, sereno
É paixão, pura emoção
O olhar nada esconde
Ao contrário,
Deixa claro que
A chama é eterna
E queima, intensamente
A alma dos desavisados
Enamorados que repetem
O poeta, em altos brados:
Que seja infinito enquanto dure
E a paixão inflama
Corpo e mente
Só os loucos amam desta forma.
Ela era Hipnótica.
Olhar preso ao dela
e lá me perdia em pensamentos.
Ela ditava o caminho
palavra por palavra
dizia, num sussurro, aonde ir.
Se direita ou esquerda,
morro acima,
ladeira abaixo.
E ela sabia do seu poder
e o fazia com maestria
e eu, rendido, entregue
apenas me deixava guiar.
Hipnótica criatura que passa
e arrebata meus sentidos…
Se você soubesse o que é o amor,
não me traria preso, mas liberto
para que pudéssemos, então
juntos, caminhar lado a lado.
Descobri uma galeria deliciosa… vai lá ver. Esta arte é daqui: clique.
Num passado distante
sua vida foi marcada pelo luxo.
Ela despertou desejos.
Atiçou a cobiça.
Superou a inveja.
Alimentou fantasias.
Ela se acostumou a reverências
acreditou na lisonja.
Confiou na eternidade.
E assim, por um tempo, prosperou.
Uma época de glórias.
Ela foi princesa,
Dama em uma corte de costumes.
Hoje, as muitas lembranças
estão gravadas na mente
e nas fotos desbotadas da parede.
O presente é feito de lixo
a decadência bateu à porta
e seu reino se transformou.
Em comum, passado e presente
têm a luz quente das festas.
Antes, grandes salões de baile,
hoje, disputadas esquinas mal-iluminadas.
De princesa, Copacabana passou a cafetina.
Nas areias, os playboys agora são piratas.
Sempre usei a palavra como matéria-prima. Escultora de sensações, dou formas as minhas idéias, crio mundos. Envolvo, simulo, guio. E assim, entre-vírgulas, entre-linhas, sem ponto-final, vou alinhavando a trama. Das palavras, faço tecido – e ao me vestir de poeta, dispo pudores, máscaras, malhas feitas pra esconder e proteger.
Na prosa, estou nua.
As coisas que quero
Quero um amor. Quero sensações.
Quero aquele frio na barriga que dá na hora em que os olhos se encontram.
Quero aquele arrepio quando a pele esbarra de leve uma na outra.
Quero a boca seca a esperar pelo beijo.
Quero a tontura da paixão.
Quero o sexo molhado pela lembrança.
Quero me perder em sonhos, quero me achar nos braços seus.
Quero beijos úmidos e demorados.
Quero que você me pegue com força, mas que seja doce.
Quero o encontro de almas.
Quero que nossos corpos se encaixem e peguem fogo!
Não quero nada morno.
Quero fogo!
Quero paixão.
Quero carinho nos cabelos, massagem nas costas, cócegas nos pés…
Quero comida na boca e beijos com gosto de vinho…
Quero me despir dos medos ao tirar a roupa
E me vestir de êxtase ao deitar com você…
Quero você, homem-menino
Cheio de sonhos, cheio de garra
E quero ser tudo pra ti.