A velha deslumbrada

João, aquele bebezito linducho, agora é um adolescente chato e implicante. (Eu o amo na mesma, fazer o quê?).

Foi ele quem disse, outro dia (ontem!) que sou uma velha que parece ter descoberto a mídias sociais há pouco e usa todos os filtros do Instagram ao mesmo tempo.

Aproveitei para contar que participava das salas de bate-papo quando a internet ainda era discada, que fiz meu primeiro blog no fim do século passado, que em 2005 cuidava de uma comunidade no Orkut, que reclamava que nenhum amigo usava o Twitter (fiz amigos incríveis por lá!), que já fiz arquitetura da informação para os sites da Ipiranga e da Oi… ou seja, uma dinossaura que já andava por aqui quando tudo isso era mato.

Neste percurso, encontrei pessoas maravilhosas, fiz amigos, influenciei pessoas e fui influenciada pelos melhores! Em nossos encontros, discutíamos o futuro da web.

Então, filhote, saiba que a mãe pode parecer uma velhota deslumbrada (porque sou mesmo). Quero ser eternamente deslumbrada pelas fantásticas possibilidades deste admirável mundo novo.

E que eu possa passar adiante um pouquinho que seja deste meu maravilhamento. 😉

Perguntas que nos ajudam na hora de escrever

Estou fixada nesta coisa do CINCO 5️⃣ mas essa dica que eu aprendi há quase 30 anos, quando fiz algumas cadeiras de jornalismo, no curso de Comunicação Social, é tão importante, que abri uma excessão – por isso a brincadeira do 5+1…

👉 A dica de hoje traz as seis perguntas fundamentais do texto jornalístico. Elas compõem o lead, ou melhor, a primeira e mais importante parte da matéria, e têm a função de atrair e conduzir o leitor pelo texto.

❌Não confundir com o Lead, do Marketing Digital, que é o nome usado para aquelas pessoas estão dois passos mais adiantadas na jornada de compras: de desconhecidos > a visitante > a leads > a consumidores > a promotores (mas isso é outra história!) ❌

➡️ Voltemos ao lead jornalístico! Se o nosso texto responder a essas seis perguntas, ele estará completo:

Apesar do lead ser típico do jornalismo, essas seis perguntas garantem uma boa história até para a ficção! A importância de cada uma delas vai depender do objetivo da comunicação. E uma vez respondidas, nos fornecem a base consistente para o nosso texto. 

Então, achas que assim fica mais fácil começar a escrever? 😉

Desafio de escrita #1

O mapa, a máquina fotográfica e o cogumelo

Escolhi 3 dados aleatoriamente, para ilustrar um post… acabou por virar um desafio de escrita!

Naquela tarde, sai para uma caminhada despretensiosa. Escolhi caminhos aleatórios, para conhecer melhor a região. O céu azul, o vento fresco de outono, folhas estaladiças pelo chão… Foi o cheiro de mato que me guiou até um bosque próximo, logo depois do parque, a alguns metros da minha rua. Por ser em uma direção oposta a que tomo todos os dias, aquele lugar era completamente novo pra mim.

Distraída, segui pela trilha aberta por outros passos, e quando dei por mim já estava a vaguear por entre as árvores. O sol fraco trespassava os galhos e emprestava um brilho diferente às folhas amareladas pela estação. Pequenos insetos voadores cruzavam meu caminho e o barulho da cidade ficava cada vez mais distante.

Gosto de caminhar para pensar. Assim consigo me desligar das questões do dia a dia. É um processo de descolamento da realidade, e ao mesmo tempo, um mergulho no meu eu-interior.

O bosque não era muito denso, o que permitia que eu mantivesse o parque sob o olhar, a alguns metros de distância. Apesar de estar sozinha em um local até então desconhecido, não sentia medo, mas a liberdade de estar na natureza.

Parei, observei ao redor, e foquei a atenção em uma das maiores árvores dali. Não muito grande, mas o suficiente para se destacar. Ainda não tinha perdido todas as suas folhas, mas anunciava que o outono já ia ao meio. No chão, muitas folhas de múltiplos tons, do amarelo ao castanho. Mas algo em seu tronco gritava por atenção, prendendo o meu olhar: os mais estranhos cogulemos que já vi salpicavam o tronco da árvore como degraus, subindo em círculos, e conferiam ao momento uma atmosfera mágica, extranatural, quase a retirar aquele lugar do mapa real, e transportá-lo para alguma terra mítica, fantástica das histórias infantis.

Sorte a minha que os telemóveis há tempos são verdadeiras máquinas fotográficas, com suas lentes XPTO. Saquei uma foto, com medo de que aquele instante se perdesse na minha memória. Depois de retornar a casa, esta tarde seria história, e as preocupações quotidianas seguiriam seu curso. Entretanto, aquela cena estaria ali, impressa, emoldurada na parede, como um portal pronto a me levar de volta aquele tempo quimérico.

Inventar histórias é um jogo divertido

Esquece aquela visão do escritor solitário em sua cabana, isolado de tudo e de todos enquanto escreve o livro da sua vida.

Essa cena romântica, clichê de filmes de hollywood, só serve se for para passarmos o tempo na frente da TV, porque na prática, ela pouco ou quase nada nos ajuda na hora em que nós nos sentamos para escrever as nossas histórias. Talvez ela até nos bloqueie – não somos tão bons quanto a personagem, não podemos nos isolar ou quem tem uma cabana charmosa daquelas?

Escrever pode ser difícil – trabalhos académicos, muitas vezes, são como um parto de elefante! Criar textos para clientes pode ser uma tarefa complexa. Lidar com criatividade, técnica e prazos é sempre desafiador.

Mas aqui eu quero concentrar-me nas histórias escritas por gosto, daquelas onde soltamos a imaginação, sem pressa ou controle, sem prazo ou expectativas. Um exercício livre da nossa criatividade (acredite: todos nós somos criativos!).

Então, se tu sentes alguma dificuldade para criar histórias, fantasiar e te divertir no processo, eu sugiro um jogo diferente, que pode ser jogado sozinho ou com a família e amigos: Rory’s Story Cubes (www.storycubes.com). São caixinhas temáticas com 9 com pictogramas em suas faces, totalizando 54 dicas para construir a sua história.

Tenho a caixinha Voyages, e os dados indicam sempre uma grande aventura!

As únicas regras são: começar com “era uma vez” e conectar todos os pictogramas ao criar a sua narrativa.

Tu podes usar três dados para cada parte do enredo – começo, meio e fim. Nas caixinhas, outras dicas de como usar os dados.

Há no mercado, outras opções, até em versão digital, na tua loja de apps preferida.

E tu, diz-me, já conheces alguma?

Five Minute Journal: conheces?

Escrever um diário é ótimo para nosso autoconhecimento, além de ajudar a destravar a nossa escrita. Há várias técnicas. No post anterior, falei da técnicas das 5 páginas . Agora, trago a do Five Minute Journal, que estabelece uma rotina de escrita pela manhã e ao fim do dia, e assim direciona o teu foco para as coisas boas que te acontecem.

Rotina matinal: ao despertar, logo nos primeiros momentos do teu dia, responda três às primeiras perguntas (enumere 3 respostas para as duas primeiras).

Rotina noturna: antes de dormir, deixa que as perguntas (as duas últimas, dos cards pretos) guiem-te numa reflexão sobre tuas experiências positivas daquele dia e pensa em como criar um amanhã mais gratificante para ti.

Se tu usas alguma técnica diferente, comenta aqui pra eu conhecê-la!

Escrita criativa: as 5 páginas

Aprendi há muitos anos, uma técnica de escrita de diário que além de ser ótima para autoconhecimento, nos ajuda a destravar nossa escrita criativa.

Lembrei-me desta técnica por conta de uma enquete que fiz no meu perfil do Instagram – @biattrix – queria saber quais as dúvidas que as pessoas tinha sobre escrita criativa. Uma das perguntas foi justamente sobre a técnica do Five Minute Journal. Como usei os stories para respondê-la, acabei por compilar tudo em um vídeo que deixei no meu IGTV.

Agora, aproveito para trazer o vídeo para cá, assim ele terá vida longa e estará mais acessível.

Vídeo gravado e publicado, originalmente, no Instagram (por isso está na vertical!)

Se tiveres alguma dúvida, quiseres partilhar tua experiência ou fazer um comentário, não sê tímido, será muito bom trocar contigo!