Pensamento Acidental

O que penso, quando penso...

Muda tudo, vai…

A sua vida está tranquila, mas nada favorável.
O que você faz?
MUDA!

.

Essa semana, começo a encaixotar os pré-conceitos, os medos, os “e se…”.

.

Ainda não sei o que fazer com eles porque, né, são tipo lixo tóxico! Se eu jogá-los em qualquer lixão, corro o risco de aumentar o surto de histeria coletiva que ronda por aí.

Guardá-los num depósito? Sei não… o custo é muito alto para pouco valor que eles têm. Diferente de roupa que, se não nos servem mais, doamos, esses itens não têm serventia a ninguém mais (nem deveriam ter!). Ainda tenho um certo receio de baixar a Pandora em mim: vai que abro a porra da caixa?

Acho que o ideal seria um ritual pagão, onde fosse possível queimá-los todos, me purificando com fogo… (embora tenha medo de defumar minha pequena casa!!!)

https://unsplash.com/christianallard

unsplash.com/christianallard

 

#Aguardemos

Até aonde você vai para se encontrar?

Vou repetir a pergunta: até aonde você vai para se encontrar? Mas se encontrar mesmo – de verdade – na essência? Conhecer seus limites, entender seus desejos e frustrações…

Acredito que eu estava anestesiada pela rotina. Você sabe, essa sequência de acordar, cuidar da casa, do filho, do trabalho, se divertir (quando dá!), dormir e acordar no dia seguinte para fazer tudo – quase – igual.

Os projetos estava indo para a gaveta. No início, eles se debatiam e se rebelavam, mas com o passar do tempo nem isso faziam. Era só aquele olhar de soslaio e tchum, mergulhavam de cabeça na gaveta.

Eu não estava feliz. Aliás, não estava feliz há anos. Foi aí que me descobri uma ótima atriz. Sim! Porque eu até me enganei direitinho por vários anos (vou ser mais precisa: foram uns 3 ou 4). Tá bom, não estava sempre infeliz. Até chegar 2014 e cair a ficha: eu estava com depressão. E quando a ficha caiu, o seu peso me levou pro fundo do poço. Hoje, vejo que a tal mola no fundo do poço assume várias formas – no meu caso foi trocar o tratamento tradicional da dupla psiquiatra+psicólogo e apostar em uma neurologista, a Dra. Maria Elisa, com apoio da psicóloga Ananda Salerno. Duas mulheres fundamentais na minha recuperação – serei sempre grata pelo suporte!

Foi eu sair de uma crise para cair em outra! Se, por um lado, a crise político-econômica está reduzindo minha atuação, está também ampliando meus horizontes. Mas o que isso tem a ver com se conhecer de verdade?

Acontece, meu caro, que se a doença me ensinou a buscar as respostas para os meus problemas em mim mesma, esta crise político-econômica reforça tal aprendizado. Foi preciso mergulhar em mim, conhecer meus oceanos e suas correntes, mapear sua vastidão, catalogar a vida que existe nos arrecifes, me descobrir afinal.

caravela

foto: unsplash

.

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta” – Carl Jung

.

Se eu continuar na metáfora, posso dizer que cem tanques de oxigênio não foram (ou são!) suficientes! Por muitas vezes me senti perdida, desorientada. E cada vez mais fascinada. Só agora sei que essa sensação de desconforto é peculiar do crescimento (seja ele físico, espiritual, intelectual..).

No crescimento do corpo do animal (a lagosta), a carapaça deixa de lhe servir (devido á rigidez do exoesqueleto) e começando a ficar “apertada”, o animal liberta-se da carapaça num curto espaço de tempo, sintetizando em seguida um novo exoesqueleto, o que equivale a dizer que durante esse período o corpo fica “mole” e desprotegido, ficando vulneráveis aos inimigos e predadores. – Por Rui Motta Freitas (6/99) Cadeira de Fisiologia Aquática.

Interpretei errado os sinais da vida e acreditei que precisava deixar para trás meu lado vulnerável, sendo só forte. É claro que deu um bug no sistema! A inteireza do ser é sua maior expressão, um tesouro de valor inestimável!

.

Odes de Ricardo Reis

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, 14-2-1933
Fernando Pessoa

.

Eu não me lembro quando escrevi a frase: “posso ser quem eu quiser, e posso mudar de ideia”. Hoje, ela faz ainda mais sentido.

Você tem medo de quê?

Ela a olhou bem fundo dos olhos. Aquele instante pareceu uma eternidade. Rasgando o silêncio, a pergunta a trouxe de volta do transe: qual o seu medo? Silêncio. Olhos nos olhos.

– me responde: qual o seu medo?

Agora, ela desviou o olhar. Não conseguiria sustentá-lo por mais tempo. Talvez, neles a outra visse a resposta. Ou a vergonha fosse maior.

– Vergonha? – ela pareceu ler seus pensamentos: – vergonha de quê?

Não sabia dizer. A mente estava embaralhada, os olhos, turvos, os ouvidos, zunindo. Já não ouvia mais nada. O tempo parou. A outra continuava matracando qualquer coisa.

– Medo de quê? Vergonha de quê? O que está acontecendo?

Ela cambaleou. As perguntas ecoavam pela cabeça, que agora doía mais que de costume.

– Medo? Qual? Vergonha? Por quê?

Deu um passo à frente, mas esbarrou no espelho que lhe encarava de volta.

Photo credit: ethermoon via VisualHunt.com / CC BY-ND

Photo credit: ethermoon via VisualHunt.com / CC BY-ND

Dá série: Telemarketing – 01

– Olá, posso falar com a Regina?
– Você ligou errado, não tem ninguém com esse nome aqui.
– Posso, então, falar com a responsável pela casa?
– Pois não, sou eu a irresponsável.
– mas, a responsável não está?
– nunca esteve, senhor… nunca esteve.

old-phones-telephones

 

Foto: Visual hunt

Certezas

Eu-tenho-certezas-poof

.

Eu tenho pequenas certezas.

Sei que elas, as certezas, são ninfas voláteis. Basta um segundo e… poof!, desaparecem no ar. Mas gosto delas mesmo assim. Aliás, gosto delas exatamente por isso, por serem tão instáveis. É que essa caracteristica tão peculiar exige minha constante observação.

Poof, lá se foi uma delas.

Tudo bem, eu construo outras (Poof, poof, poof!) que se desfarão no ar, igualzinho as todas as outras. E assim, nesse movimento intelectual meio esquisito, eu me reinvento a todo instante.

Estamos juntos!

 

Por algum tempo, eu me sentia única – mas de uma maneira estranha. Eu me sentia inadequada. E acreditava que só eu era assim.

Aprendi a escrever para organizar os pensamentos. Ao colocá-los para fora, mudava a perspectiva e era capaz (ainda sou) de ordená-los de maneira mais eficiente. Isso sempre funcionou para mim. Até se tornar um hábito de limpeza ~mental~, como escovar os dentes.

Um dia, há muito tempo, resolvi publicar um blog e o chamei de “Pensamento Acidental – o que penso, quando penso“. O compromisso era não ter compromissos: de tema, de dias certos para postagens, ou quaisquer regras preestabelecidas. Isso porque sempre fui meio anárquica, eu acho.

Quando escrevia meus sentimentos, medos e angústias sob o manto protetor da “ficção” em contos e poesias, comecei a receber emails e comentários de outras pessoas que juravam que eu falava delas. Percebi que minha inadequação, minhas particularidades não eram tão únicas assim… Várias outras pessoas sofriam do mesmo, viviam com as mesmas angústias.

Depois de um tempo, comecei a ver com encanto o quanto somos tão iguais e tão diferentes.

Um dia, voltei a achar que “isso – desse jeito – só acontece comigo!”.
Mas, desta vez, eu estava doente.

A vida começou a não fazer sentido, os dias perderam a cor, a luz virou sombra. Só sabia chorar e me encolher. Esquecia das coisas, não conseguia pensar, nem escrever. E logo eu, que falava sobre os mais diversos assuntos e adorava um bate papo, já não conseguia conversar! Eu me sentia tão desinteressante, que me faltavam palavras! Eu estava com depressão.

Comecei a achar que estava fazendo corpo mole para determinadas coisas, que andava preguiçosa e procrastinadora demais. E me envergonhei por isso. É claro que no início, eu tentei esconder de todos o que eu sentia. E, posso dizer, fui muito boa nisso, porque escondi até de mim mesma. Quer dizer, hoje eu acho que alguns amigos mais atentos perceberam que as coisas não estavam tão bem assim…

Segui anestesiada por um tempo. Até que me faltaram forças. E eu cai.

Psiquiátra, psicólogo, neurologista, e alguns tarjas pretas fizeram parte da minha rotina. Ouvi até médico dizer que era falta do que fazer, cabeça vazia demais! (Oi?) Eu sabia que precisava de ajuda, por isso contei para alguns poucos amigos, embora eu ainda me sentisse muito envergonhada. Estava fraca e odiava isso!

Aos poucos fui me entendendo e fazendo as pazes comigo. Percebi que a doença também me trouxe uma ótima oportunidade de repensar a vida, mudar várias coisas que não valiam mais. Voltei a me sentir leve! As cores, o brilho e a luz voltaram. Depois de quase um ano de tratamento, recebi alta da medicação. Isso foi em dezembro de 2014.

De um tempo para cá, tenho pensado que a útima etapa deste longo tratamento é a exposição pública.

Era preciso contar pra todo mundo sobre esse período turbulento, sem grandes emoções. Esta seria uma maneira de saber – de fato! – que ele ficou no passado.

Falar abertamente sobre a minha depressão é também uma forma de dizer para várias outras pessoas que elas não estão sozinhas. E assim, numa corrente do bem, tentar explicar para tantas outras de que a depressão não é uma frescurinha, não é cabeça vazia ou falta de louça para lavar!

Falar abertamente sobre a minha depressão é a minha maneira de te estender a mão e falar: – “vem! Estamos juntos nisso! Vá procurar um médico, vai se tratar, e se quiser, tô aqui para te escutar. Para trocar umas ideias”.

Se eu sobrevivi e estou mais forte, você também pode. Afinal, somos tão iguais: humanos!

 

Kintsugi e a arte dos relacionamentos

– O relacionamento é como um cristal, sabe? E quando se quebra, não há mais volta.

Embora tenha se passado mais de 20 anos, ainda o lembro proferir essa frase. Acho que por não concordar, e ter a forte sensação de que a analogia perfeita para relacionamentos estava mais para a arte do Kintsugi.

Digo “forte sensação” porque na época eu não sabia, não tinha a mais remota ideia do que era Kintsugi. Isso, eu aprendi depois. Bemmmm depois! Se não fosse pela maravilha da internet, ou pelo São Google, talvez eu nunca ficaria sabendo.

Kintsugi

Fonte: Blog Hey Goat Hold It | http://heygoatholdit.blogspot.com.br/2010/12/kintsugi.html

Kintsugi é a arte tradicional japonesa de reparação da cerâmica, que fixa os pedaços com laca polvilhada ou misturada com pó de ouro, prata, platina. É mais uma filosofia de vida, já que trata a quebra e a reparação como parte da história do objeto, ao invés de algo para se disfarçar.

Lindo, não?

E mais: os cristais, para mim, belíssimos, finos e raros, sempre estiveram na prateleira, guardados, quase intocáveis, a espera de uma ocasião especial para, só então, serem usados, exibidos, ostentados. E isso nunca combinou com minha ideia de relacionamento!

É no dia a dia que as relações se criam e se fortalecem: nesse cotidiano louco, corrido, muitas vezes no automático, entre o trabalho, o supermercado, as contas para pagar, o médico, a louça na pia…

É mais fácil descartar do que focar a energia para se consertar algo quebrado? Talvez seja mais prático jogar fora e comprar outro novo. Eu concordo com isso, quando falamos de pratos e copos; mas não com algo de valor, como a xícara da vovó que ainda uso como medida na hora de fazer o bolo. Muito menos quando falo de relacionamentos!

Outro dia, no Facebook, alguém perguntou se também nos enjoávamos das pessoas, ao que muitos responderam positivamente, e se confortavam por não serem os únicos com tais sentimentos.

Aquilo me causou estranheza e me entristeceu. Confesso que o umbigo doeu: será que alguém já se enjoou de mim???

– Ah! Com certeza, dona Ana Beatriz!

– Malditos tempos líquidos, senhor Bauman!

Eu sei que toda relação tem um fim. Apenas não quero ser aquela que abrevia relações: prefiro consertá-las com ouro, prata ou platina, simplesmente por acreditar que há beleza nas diferenças, que aprendo e me modifico no viver com o outro. São essas marcas, ou cicatrizes, se preferir, que me fazem mais forte, mais eu.

A tarefa de me definir em poucas linhas

Posso ser quem eu quiser. E posso mudar de ideia. E assim, nesta multiplicidade de papéis, escrevo sobre tudo o que se passa na minha cabeça. Porque me limitar a um só tema seria me confinar numa caixa apertada, quando o mundo é tão vasto...

Post via e-mail

* Prometo: nada de spam!

Por aqui, só para você saber: escrevo o que se passa na minha cabeça, ou seja - o que der na telha. Assino em baixo de cada pensamento, cada teoria. Não quero causar polêmica. Quem não concordar, que me ignore.
Assim eu sigo... Tento não cair em tentação. Mas se ela me pegar, me entrego de corpo e alma.

@biattrix

  • Recordao palaciodapena sintra Portugal
  • Aqui em casa
  • palaciodapena Sintra Portugal Dia incrvel com amigos queridos no temhellip
  • Eu j estava a planejar um jeito de importar meushellip
  • Nosso caminho Seixal setbal Portugal
  • PorOndeAndo WalkingAround FotografiaUrbana UrbanPhotography CenriosUrbanos UmaCariocaEmSeixal UmBeloDiaResolviMudar PelasRuasDeSeixal Igportugal igersportugalhellip
  • PorOndeAndo WalkingAround FotografiaUrbana UrbanPhotography CenriosUrbanos UmaCariocaEmSeixal UmBeloDiaResolviMudar PelasRuasDeSeixal Igportugal igersportugalhellip
  • Improvvel PorOndeAndo WalkingAround FotografiaUrbana UrbanPhotography CenriosUrbanos UmaCariocaEmSeixal UmBeloDiaResolviMudar PelasRuasDeSeixal Igportugalhellip
  • Runa PorOndeAndo WalkingAround FotografiaUrbana UrbanPhotography CenriosUrbanos UmaCariocaEmSeixal UmBeloDiaResolviMudar PelasRuasDeSeixal Igportugalhellip

Arquivo do blog