Uma lacuna na minha história

Preciso dizer do susto que levei ao me dar conta do tantão de tempo sem escrever por aqui. O blog era para ser um diário, semanário talvez, mas não ter esse espaço todo entre uma postagem e outra. Sem querer apontar culpados, foi o Insta quem me roubou a atenção. Pronto, falei.

Escrevo este post sem nenhum planejamento, direto no WP, sem rascunho ou outra organização dos meus pensamentos (tá um caos aqui dentro!).

É que recebi um email do meu provedor, avisando da manutenção dos sistemas e da troca de qualquer coisa por lá. E que eu não deveria me preocupar, eles me avisariam quando tudo estivesse finalizado. (A Mindnet é um excelente provedor, recomendo!). Foi aí que me bateu o desespero: preciso atualizar meu blog!

E cá estou, mais uma vez… confesso que essas lacunas são frequentes. Mais do que eu gostaria, é verdade. Mas lá vou eu me programar para ser mais constante, prometo.

Para guardar o registro, vou fazer um apanhado de coisas importantes que aconteceram nesse período. Rever a vida é bem interessante e traz uns insights poderosos.

No mais, é organizar o recap, postar pra posteridade e seguir em frente.

Você vem comigo?

Fixação

elephant gun – beirut

If I was young, I’d flee this town
I’d bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let’s take them down one by one
We’ll lay it down, it’s not been found, it’s not around

Let the seasons begin – it rolls right on
Let the seasons begin – take the big king down

Let the seasons begin – it rolls right on
Let the seasons begin – take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

Água parada

Não sou daqueles riachos

Seguros, rasos, calmos

Minhas águas são claras

Porém

Agitadas, rápidas, ágeis

Corro rumo ao oceano

Com fúria, com pressa

Caudalosa, sou larga

Transparente, sou profunda

Água fresca que renova

Acorda!

Nunca me imaginaria água parada.

Abril

Enfim, chegou o fim

– Eu sou muitas. Cuide-se. Estou em todos os lados.

Ao admirar minha cara de santa, você vai estranhar essas afirmações. Mas não perca seu tempo. Gastei o meu na busca de respostas. E o que encontrei foram verdades expostas. Então, rapaz, digo mais uma vez:
Não pense que sou rasa. Sou mil, sou várias, sou todas as mulheres que um dia você pensou conquistar. E evitar.

Você ignorou minhas recusas. Investiu. Conquistou. Você, inocente, acreditou em um poder imaginário, desses que só a ignorância traz. E por meses a fio, você foi o herói solitário que enfrentou os monstros aprisionados em mim. Bravo guerreiro, um menino… você não percebeu, mas as feras devoraram sua alma. Sorrateiras, elas usaram do feitiço mais antigo, o mais manjado: o meu sexo.

Todas as noites que passamos juntos. Elas estavam lá. Cada gozo que vivemos. Elas sentiram também. E assim, ao poucos, invadiram o seu corpo. Levaram sensações no lugar da pele de cordeiro. Você dizia ser amor. Eu sabia ser luxúria.

Abril chegou atrasado pra mim, porque me perdi em você. E eu reafirmo: amei cada momento. Até o fim. Até agora. Despedaçada, encontro o adeus.

http://pensamentoacidental.blogspot.com por Bia Quadros

Vestir-me-ei de primavera


Quando você chegar
estarei rodeada de flores
a exalar o perfume das chuvas

Franca e faceira
serei Musa: escreve sobre minha pele
com seus dedos angélicos
o momento presente

em cada palavra
coloca alma

Quando você me tocar
vou me abrir feito botão
e derramar gotas de orvalho – minhas lágrimas de gozo
a descer pelas pétalas e a molhar o chão
lençol verde, sob céu de estrelas

Meu nome é Hera
e em meus braços
preso por abraços
você dormirá

Meus olhos, miosótis
e na boca rósea, a sedução
dita pela palavra muda
dos lábios entreabertos

Liliácea e delicada
meus encantos
Maria-sem-vergonha
meu dom

Sou flor vestida de Primavera
a esperar você, meu fim
meu Verão

* Foto minha, do meu W810i

Azul


O tudo é azul, sabia?
Só agora me dei conta…

Podes achar obsceno,
Mas garanto que não há conotação,
Eu literalmente mergulhei no mundo
Despida de qualquer fantasia
Nua, sozinha, crua.

Teus olhos procurarão algo sexy
Mas só verão a mim
Sem roupas, sem quereres, sem máculas.
Não te basto?

A calmaria destes dias
Mostram que o tudo é azul.
Como o mar de outras terras,
Azul infinito e profundo.

Imersa neste mundo
Absorvo o novo
Planejo o próximo momento
Respiro a vida

Aqui, onde tudo é azul,
Meus olhos não têm lágrimas
Meu corpo não tem marcas
Minha alma está lavada.

* Azul veio do flickr.com/jakalito

A maldição do Tempo

Quero escrever.
Sinto a urgência das palavras
Que insistem em me assombrar
Nas horas mais estranhas do dia

Mas o Tempo está contra mim
As Horas estão de complô
E fazem greve
Uma greve insana,
Às avessas – andam aceleradas,
Passando a correr pelo meu relógio

O Tempo se esvai,
Escorre pelos meus dedos,
Pingando no chão infértil,
Num estalido metálico irritante

Quero escrever!
Quero colocar todas as idéias loucas
Que passam pela minha cabeça,
A me corromper os sentidos
A me sacudir o corpo

Mas o Tempo passa rápido
E leva consigo a ordem
Abrindo espaço pra Morfeu
Que, sorrateiro
Invade minha cama
E me toma como amante
Na terra dos sonhos

Horas malditas!
Que me arrastam por prazeres deletáveis
Me desviando o rumo

Quero escrever!
E colocar pra fora a angustia
Causada pelas palavras
Que me rasgam a alma

Mas estas são palavras fracas
E cansadas pelo Tempo
Não têm a esperança pra conquistar o mundo

Tempo assombroso
Que me mata a cada segundo
E me entorpece
E me adormece
Com seu tic-tac hipnótico

Quero escrever!
Mas um bocejo
É o marco
É a lona
É o fim.

Depois do fim

O que dói no meu peito?

Que dor é essa, que me estrangula a garganta

Me impede a fala e anestesia todos os sentidos?

Enganei-me pensando que de amor doía

Na verdade, morriam meus sonhos

E a agonia do fim, traduzida em dor

Era tudo o que eu sentia.

Morreram as tarde na praia

Os passeios pelos jardins do Rio

As fantasias criadas pra te envolver

Sua falta se faz presente

Nos planos apagados

Nos dias vazios

Na nova rotina que imperiosa

Se faz necessária.

Exibida


Nas palavras exercito meu lado exibicionista
E faço catarse produtiva.
É uma tentativa de te trazer pra mais perto
E pra me fazer conhecer
Me sinto em desvantagem
Por não ler nos seus olhos
As frases que gostaria de escutar
Me sinto perdida
Por inventar legendas
Pra atos desinteressados

Seriam de fato?

Jogos?! Só os de sedução
Daqueles que dão frisson
Só de repensar a cena
Então… pra que me esconder?
Quando quero me mostrar
Pra que fingir
Se pretendo te agarrar?
Mas não faço mistérios
Já sou misteriosa demais
Sem tentar mostrar
O que não sou
Sou direta sim
Sei o que quero
Sei aonde chegar

* Ui… essa veio do flickr.com/nyki_m

Homem objeto

Homem objeto, exibido pelas ruas da cidade, nos chás de caridade, pras tias velhas empoadas. [Calem-se!] Não enxergam que estou acompanhada? Não percebem o quanto sou amada? Sexo todo dia, café na cama [um love-doll sem conceito, um amante sem desejo]. Romance de novela da Globo na minha vida! Vocês não adoram o meu bibelô?…

Bonequinha de lixo, aprendi cedo a fazer meus caprichos, seduzir sem me deixar encantar… Pra montanha-russa de emoções basta um bilhete do parque. Comprei, me enganei, caí.

Maquiagem borrada, máscara arrancada, coração ferido, me descobri humana, afinal. [Amei o deus errado]. Tirei meus ídolos da parede. Dorian Gray foi destituído.

Da carne, com gosto de desejo, ficou a saudade.

Da boca, de sorriso fácil, só restou indiferença.

No vaso rachado, as rosas murchas da minha paixão.

Homem, não se engane, você é o objeto do meu mais doce amor… Persona onipresente, que até em sonhos te vejo. Criança grande e terna, pra sempre vou te amar.

* Essa foto veio do flickr.com/hagerstenguy

A dança

Meus pés já estão cansados de tanto trilhar, tanto dançar, tanto tropeçar… Parada, ali a esperar mais uma coreografia da vida, questionei minhas escolhas, meu ritmo, meus passos. Com o tempo contado e olhos atentos aos meus gestos, me senti perdida na multidão, que no mesmo compasso seguia em frente. Dancei.

Embalada por sons externos, mais uma vez esqueci de me ouvir… Sem tempo ou contra-tempo, sem compassos ritmados, estava agora no total silêncio – daqueles densos, afiados e desafiantes. Dancei.

Na companhia de outros, perdi o fluxo. Dancei.

Mas só pra você imagino solos inesquecíveis, passos sedutores,e invento uma dança feita de mãos, bocas, olhos, pernas…

Canta pra mim… quero dançar pra você…

* Essa foto veio do flickr.com/imagemcompartilhada

O BEIJO

Do lábio entreaberto
Sai a língua úmida
A testar a maciez da carne
A provocar o olhar alheio
A instigar o desejo


Na boca sedenta
Os alvos dentes
Marcam o lábio inferior
Numa mordida despudorada
Tingindo de sangue o tesão


O aproximar é lento
E marcado pela respiração sofrida


O encontro é suave
E molhado pela vontade latente


O enroscar das línguas é demorado
E saboreado pelos sentidos


Sem pressa, te devoro
Minha boca na sua
A querer seu ar
A roubar sua calma


Fusão de almas


Vem, beija a minha boca
E esquece do mundo...

* A foto perfeita veio do flickr.com/vesperis

Sexta-feira

Dia de feira, do jeito que eu gosto.
Cor, sabor, aromas. E o melhor pastel de queijo…

Posted by Picasa

Limites

Em um dia de papo-furado e vinho tinto, formulei uma teoria doida sobre os limites que nos impomos ou nos impõem. Na ocasião, falávamos dos sexos e suas diversas formas de interações. Homens e mulheres são iguais na essência, porém diferentes nas formas – físicas e de expressão.

Voltando à teoria, é o seguinte: o limite da mulher é plástico, e não elástico. Eu explico – limite elástico é aquele que se distende, mas retorna ao ponto original. É claro que depois de um tempo esse elástico fica um tanto fraco, frouxo. São as exceções pontuais que abrimos. Certo? Mas a meu ver, nós, mulheres, temos limites plásticos que uma vez distendido não retornam ao ponto de partida. Eles ficam lá, largos, quase que esgarçados…

Quando o assunto é sexo, você, malandro, criou um monstro que vai te devorar vivo. [O que pode ser muito divertido!] Agora, quando esse limite regula outros aspectos da vida, quem está ferrada é a pobre da mulher.

Aí, pensando melhor – ou melhor – ampliando o poder de ação da minha teoria, hoje eu digo e repito que todos nós temos limites plásticos. Ponto. Se não pra tudo, em alguns aspectos, definitivamente. [E isso tem a ver com a tal idéia estapafúrdia]

Abrimos exceções, na intenção de sermos flexíveis. [bambu que verga não quebra]. Mas sempre tem um qualquer que é tão obstinado, mas tão ferrenho, que uma hora perdemos a mão, e já não sabemos se exceções ou Lei. O limite, no calor das emoções, se distende. Plástico, se resfria no cotidiano, e acaba por se esgarçar de vez.

CAPRICHO

Vivia em um mundo sem limites. Onde nada era suficiente. E o humano ansiava ser super.

Há tempos questionava a fronteira do bom-senso. Primeiro de maneira tímida, dentro da caixola, reservadamente entre seus neurônios. Mas aos poucos aquela idéia estapafúrdia, totalmente anárquica, tomava corpo, ganhava massa, voz, vida própria e escapava por onde podia: olhos, orelhas, nariz, boca, poros.

Seus gestos se tornaram reféns da tal idéia. Ela não mais respondia por sua linguagem corporal. Estava claro, ali, na cara estampado o pensamento rebelde.

O que fazer?

Dividida entre isto ou aquilo, conceitos díspares até, seguia aos tropeços, muitas vezes entre lágrimas. Ela não sabia como resgatar sua essência. À noite, escondida de tudo e de todos, ela confessava ao travesseiro sua insatisfação. Ela se vendera ao sistema. Mas sua alma era rebelde sim. Uma guerrilheira daquela causa quase perdida.

Durante os dias, maquinava escapar. Era preciso. Engodos vestidos de responsabilidades rondavam o caminho. E muitas vezes ela era fisgada. Até se encontrar com o espelho. Aquele não era o seu mundo.

Mas, então, onde seria?

Quem manda aqui…

SOU EU. EUZINHA. TÁ OK?

Precisava gritar que neste espaço as palavras são minhas. Que aqui escrevo o que bem entendo. Ou não escrevo palavra alguma por dias a fio. Combinado? Aliás, combinado o escambal. Porque só eu digo o que fazer, ou não. Hoje estou meio azeda, médio ácida – cítrica – porém, no bagaço! Estou cansada, exaurida – cérebro-uva-passa-total.

Quero de volta as minhas palavras. Quero sentenças inteiras. Parágrafos imensos! Quero ter algo a dizer. Quero conteúdo – e desta vez, só desta vez, não quero pertinência, muito menos relevância. Quero verborragia – sangrar para me curar, enfim.

Homem bonito?

Todo mundo admira e procura a beleza, não? Porque ela pode não pôr mesa, mas que dá uma cor – ah, isso dá! O fato é que todo mundo busca um senso estético, uma identificação até. E ao longo da vida, aprimora – ao seu jeito – esse olhar esteta.

Não vou entrar na discussão sobre obras de arte ou mesmo sobre cirurgias plásticas. Não busco respostas. Quero só externar meus pensamentos, quem quiser que escute – neste caso, leia.

Quem nunca virou o pescoço para acompanhar o andar daquele cara lindo ou daquela mulher de beleza estonteante?

Eu muitas vezes já torci o pescoço, estiquei o olhar até perder de vista, só para admirar um belo espécime da raça humana. Homem ou mulher. Sim, porque eu olho para mulheres bonitas – a cobiça aqui é outra e o máximo que ela pode ter pra me fazer salivar serão os acessórios – bolsas, sapatos, óculos ou o namorado, pra ser mais precisa. Entenderam?

Hoje, num dos feeds que assino, li sobre o desinteresse crescente das mulheres em homens bonitos. Rá! Isso mesmo: desinteresse. E lembrei de um papo bem interessante que tive com uma grande amiga há uns quinze anos atrás, na época da faculdade. [Nem gastem tempo fazendo as contas: tenho – e assumo – 37 anos bem vividos!].

Num dos intervalos, no pátio da FACHA, percebemos que admirávamos o mesmo cara: um gato moreno que desfilava de um lado para o outro, de queixo levantado e jeans surrado. Concordamos que ele era LINDO, o tipo que faz a mulherada cair de inveja. Papo vai, papo vem, e a imagem do gatinho foi por terra. A beleza virou caco quando percebemos que aquilo era tudo o que ele tinha a oferecer.

É bom me dar conta de que, aos 22 anos, já sabíamos que o mais importante era o conteúdo e o charme. Estas sim, as coisas que fazem um homem normal ser muito mais sedutor do que um deus grego.

Mas, tudo bem se aos 22 anos a gente não dispensar o bonitão só por isso, né?! Até que valeu a voltinha…

A Última Tentação


pecado: GULA 2, upload feito originalmente por Biattrix.

Gente, a batata era Ruffles, mas o hot dog estava INCRÍVEL. E não vou nem comentar a respeito do Shake… Só digo uma coisa: excelente pedida junk para a última refeição trash. Concordam?