As bolhas nas quais vivemos… (e como sair delas!)

“Hoje, os riscos de “câmaras de eco” e “bolhas” são uma verdade incontestável e ajudam a explicar as divisões na opinião pública que muitas vezes parecem seguir rígidas linhas partidárias” – essa frase é de uma matéria publicada no site da BBC News em 2016… De lá pra cá, muita coisa mudou, é verdade, mas as bolhas seguem fortalecidas pelos algoritmos, pelas fake news e pela polarização política. 

(infelizmente, as bolhas sociais não são tão inocentes quanto as bolhas de sabão…)

Aliás, o trio bolha, fake news e polarização tem uma relação de estreita dependência, como o efeito Tostines: me fecho na bolha por causa da polarização; ou há polarização porque me fecho na bolha? E a fake news? Bem, ela nos joga de um lado pro outro, num jogo de poder que vai muito além das nossas bolhas.

Complicado, né?

“Estourar a bolha pode ser altamente transformador, pois assim será possível aprender e vivenciar coisas que nunca pensou que pudessem ser possíveis”. Mas este é um processo que demanda intenção, como escreve Liliane Rocha na Revista Época. Negócios, “exige esforço coordenado e planejado”.

Antes de furar a bolha, é preciso reconhecer que estamos numa!

Vou lhe perguntar uma coisa: o que você sabe do outro é uma suposição, fruto de um achismo? Ou você procura realmente conhecer o outro, em suas dores e alegrias, as outras realidades, os outros mundos diferentes do seu? (eu me faço essas perguntas muitas vezes!)

É porque tendemos a reproduzir pré-conceitos, ideias engessadas, conhecimentos cristalizados no passado, muitas vezes fatos fora de contexto… E tá tudo bem, a gente generaliza para aprender. Mas é preciso reconhecer isso e abrir espaço para aprender o novo, afinal nada aprende aquele que tudo sabe, não é mesmo? 😉

Às vezes, supomos conhecer. Isso porque essas outras realidades aparecem na TV, em filmes e séries, nos jornais locais, nas notícias dos sites, nos compartilhamentos do zap…

Nem sempre é fácil notar que aquela informação é um recorte da vida real (quando não uma ficção!) – cuidadosamente escolhido para reforçar o ponto de vista de quem o compartilha.

Então, qual o caminho possível?

Eu acredito que o caminho mais frutífero seja o do exercício da empatia.

A empatia é uma capacidade inata aos seres humanos – é uma das nossas forças evolutivas!

Expandir nosso potencial empático não melhora só nossos relacionamentos com o outro, mas também a nossa própria qualidade de vida.

Separei cinco dicas para (re)despertar a empatia:

  • Seja curioso
  • Descubra pontos em comum
  • “Ande com os sapatos alheios”
  • Escute sem julgar
  • Inspire os outros

Recapitulando: a empatia é inata, cria e reforça a conexão, e pode (e deve!) ser exercitada.

Agora me conta: como você faz para furar a sua bolha? (sim, estou assumindo que você sabe que vive numa bolha, e quer sair dela!)

Uma resposta para “As bolhas nas quais vivemos… (e como sair delas!)”

  1. Vou começar confessando que ando me enfiando propositalmente em bolhas, sabe? Bem cultivadas em grupos no WhatsApp e no Telegram com um punhadinho de gente que pensa parecido no essencial: ter empatia e alteridade (aliás alteridade aprendi há pouco tempo).

    Quando busco outras bolhas em geral é pelo Twitter ou IRL, conversando com alguém aleatório na rua. Só que ainda estou saindo muito pouco.

    Por coincidência estive conversando hoje no Twitter com uma pessoa que apoia incondicionalmente o governo atual.

    Uma coisa é furar a bolha gótica e entrar numa bolha Barbie ou o contrário. Pode ser estranho, mas não deve ser aterrador.

    Outra coisa é entrar em bolhas que parecem de antimatéria, que procuram aniquilar qualquer ligação com fatos.

    Infelizmente sair da bolha muitas vezes tem levado a esse tipo de encontro. Não foi o meu caso hoje, fiz de propósito, mas tem sido muito frequente entrar nessas bolhas sem querer.

    Outro dia foi no café em uma academia para fazer exercícios. Pessoas simpáticas até que forçaram o assunto “antimatéria”.

    Claro que concordo contigo que é essencial sair da bolha, ver e entender outras bolhas, mas não dá para fazer isso plenamente só olhando sem interagir e aí depende da empatia e da alteridade das pessoas com quem estamos interagindo também…

    Hoje mesmo a pessoa no Twitter disse que ia me seguir para estar vendo quando eu saísse da caverna. Ou seja, ela queria se sentir bem quando eu me curvasse à bolha dela. Ali não havia empatia.

    Por ora em geral tenho saído da bolha quase sempre só como um observador invisível…

    No entanto escrever isso me lembrou que ando, há algumas semanas, pensando nas viagens entre bolhas “estranhas”, mas não tóxicas ;-P

E você, o que pensa sobre isso?! Comente aí, vai...

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