Sobre falar, sobre usar sua voz para comunicar

Muitos dos meus colegas (e não só eles) não gostam de falar em público. A timidez atrapalha e o desconforto acaba por roubar-lhes o prazer da comunicação. A falta de autoconfiança, e o medo do julgamento também são questões a serem consideradas.

Falar em público é inevitável. Precisamos apresentar e defender nossos trabalhos na universidade. Temos de expor nossas ideias acerca de um projeto em uma reunião de negócios. Muitas vezes vamos vender nosso trabalho para possíveis clientes. Então, quanto melhor falarmos, mais chances de sucesso nessas pequenas tarefas teremos.

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O bom que falar em público é uma habilidade que aprendemos e desenvolvemos como quaisquer outras. É prática. E temos à disposição inúmeras técnicas para ajudar-nos.

Esta não é a minha área de excelência, mas gostava de ajudar neste processo de mudança,

Compartilho dois dos vídeos que me ajudam a falar melhor – é um processo e eu estou a aprender, a melhorar. Espero que eles também lhes ajudem.

E se precisarem conversar, trocar algumas dicas, estou aqui. 😉

A Pandemia de 2020

O mundo sofre com a pandemia do novo coronavírus, popularmente chamado de Covid-19. O surto começou na China e, em poucas semanas, se espalhou pelo mundo, que (falha em ) toma medidas de isolamento para tentar travar a propagação do vírus SARS-CoV-2.

Imagem ampliada do novo coronavírus, o SARS-CoV-2. Fonte: Wikipédia.

Segundo a cobertura ao minuto do Público.pt, às 19h30 de 13 de abril de 2020 (no momento em que escrevo este post), já são 1.321.000 infectados no mundo, 443.816 recuperados e 118.305 mortos.

Print-screen do jornal publico.pt, no link especial sobre Coronavírus, em 13/04/2020, às 19h30

Hoje, completo meu 34º dia de isolamento social e ainda não sou capaz de pensar com clareza sobre o que vivo.

Sou a única a sair de casa, para compras de alimentos, remédios e passeios rápidos com Loki, o cão, que se recusa a fazer suas necessidades no tapetinho higiênico (sim, já tentei de tudo!). A volta à casa é sempre tensa: estou paranóica com a higienização das compras, do cão, e minha.

Enquanto cuido de todos – meus pais estão aqui comigo, nas férias mais frustradas ever! (eles chegaram em dezembro, para o Natal, e ficariam até o começo de junho, para acompanhar minha formatura, em 30 de maio) – descuido de mim mesma, em uma procrastinação que dura semanas. Acho que só a alimentação está dentro do desejado, a mais saudável em décadas (agradeço à Fernanda Anders, pela graça alcançada!).

Se perguntarem-me o que faço nos meus dias de quarentena, não saberei dizer ao certo… a primeira semana foi de férias. A sensação de segurança era mais forte: cuidei do planeamento das compras e de como seriam as saídas. Em poucos dias, Portugal decretou o fechamento das escolas e, logo depois, o estado de emergência. Ter todos em casa foi um alívio! Nestes dias, até consegui ver algumas séries e ler qualquer coisa. Mas as semanas se seguiram preguiçosas, e as incertezas despertaram um tipo diferente de ansiedade – a falta de concentração, a insônia e a irritabilidade começaram a crescer. Uma apatia se instalou. E a cobrança por produtividade também chegou. Tudo junto e misturado.

Para os amigos, digo que nem bipolar me define. Já estou TRIpolar!

As notícias do Brasil deixam-me ainda mais aflita. Evito ler a respeito, mas cobro-me estar atenta ao que acontece na política do meu país – já estive tempo demais alienada de tudo.

Diz Paulo Coelho, em o Livro dos Manuais: “devemos nos desligar da ideia de dias e horas, e prestar cada vez mais atenção ao minuto.”. Na teoria, eu bem sei disso. Mas na prática, tenho falhado imenso!

Amanhã, mais uma vez, tentarei implementar uma rotina de estudos.

Be water, my friend

Minha mente traz à tona algumas coisas curiosas…

Às vezes, quando estou a escrever, ela dá-me uma palavra que não conheço bem, como quem liga um interruptor, uma palavra que eu nem sequer tinha noção de conhecer o significado. Ou um conceito. Ou uma citação. Algo que absorvi, aprendi, me esqueci… daí “isto” volta à mente consciente no exato momento necessário.

Por vezes, me assusto ao perceber que sei tal coisa (não é curioso?); noutras, não me dou conta e deixo fluir.

Agora, ao pensar nas mudanças que virão (será?), me lembro do discurso de Bruce Lee (sobre a arte de lutar), que cabe bem em muitas (em todas?) as situações da vida: be water, my friend.

“Empty your mind. Be formless, shapeless, like water. Put water into a cup, it becomes the cup. Put water into a teapot, it becomes the teapot. Water can flow or creep or drip or crash. Be water, my friend.”.

Fonte: https://youtu.be/cJMwBwFj5nQ

Babel

Abro uma nova folha em branca no notebook
não sem antes preparar meu canto
luz, silêncio, incenso.

O caderno está aqui, ao meu lado, mas parece que não mais sei escrever como antes.
Preciso do teclado, e da sensação táctil de premir cada tecla.
Preciso do ecrã e da sua luz amarelada, para onde olho por longos minutos antes de saber como encadear meu pensamento. E mesmo assim, não o sei.

Ele. O meu pensamento.
Tão confuso e tão errático.

Como traduzir tudo o que sinto e penso em letrinhas nesta tela?
Será que a caneta e o papel tornariam essa tarefa mais simples?

Já fui capaz de brincar com a enxurrada de pensamentos desordenados. Hoje, não tenho certeza, esqueci como se escreve. Talvez porque os 50 me peçam mais consistência. É preciso deixar ir os arroubos juvenis e assumir uma cadência que não está em mim. Porque em mim pouco mudou. Sinto como sempre, apesar da aparência denunciar os anos que passaram. Por dentro, sou a mesma: assustada, sozinha, perdida. 

Mas não é só, nem tudo é pesar. 
Dentro de mim vivem muitas e nem por isso concordamos. 
Entretanto, aprendi a dialogar, a negociar, a conciliar.
Essas tantas, que em mim moram, convivem com suas próprias dores e alegrias. 
Uma verdadeira Babel. E talvez por isso eu me defina como efervescente: vivo em constante ebulição. 

Se de um lado tem dores, os dissabores não vão além. 
Há festa, há calma, há paz. 
Porque em mim nascem flores de todas as cores. 
E com os anos, confirmei que é preciso chover para renascer. 

Todo dia, hora, minuto. 
A cada respiro
pisco e morro; 
pisco e sou.

Photo by Daniil Kuželev on Unsplash

O gosto da nostalgia

Marrom Glacê

Ao dar uma mordida no marrom glacê, fui transportada a um passado tão distante…

Vigário Geral, na casa da minha tia-avó. Uma casa quente e escura, quase sempre fechada por conta dos mosquitos. A copa-cozinha era meu lugar preferido: branca e fresca. Lá fazíamos pastel, que eu tanto amo. Na geladeira, daquelas de porta abaloada e com uma trava, sempre tinha mate (Leão, da infusão de folhas!).

Tia Dília gostava de doces, daqueles industrializados e enlatados em duplas ou trios: goiabada, marmelada e marrom glacê (o meu preferido!).

Olhos azuis lindíssimos, cabelos brancos, a pele levemente morena, ela devia ter sido bonita quando mais jovem. Mas era muito má… elegia a criança mais pequena da família como sua predileta e tratava-a com todos os mimos, até um outro bebê nascer, e ganhar seu coração.

Foto da foto dos irmãos Loureiro: Minha tia-avó Dília, o tio-avô Antônio e minha avó Clotilde Loureiro Quadros (mãe da minha mãe, que adotou o apelido Quadros do marido, Oscar).

Assim perdi meu posto para meu irmão do meio que, por sua vez, o perdeu para o caçula.

Minha mãe também comprava esses doces em lata. Mas preferia as latas de sabores únicos: só goiabada, só marrom glacê…

É… acho que é nostalgia que se chama.

P.s.1: hoje, meu marrom glacê preferido é o espanhol, do El Corte Inglês, feito de castanhas 😉


P.s.2: imagens meramente ilustrativas, via Google e Pinterest, sem fontes reconhecíveis (links quebrados). Caso saibam quem são os donos das imagens, ficarei feliz em dar o devido crédito.

I really need you tonight

Lá vem história… em 1983, Bonnie Tyler lançou uma power ballad que a levou ao topo da Billboard Hot 100. A música fez parte da trilha sonora da novela das seis Pão, Pão, Beijo, Beijo, da Rede Globo, e entrou para o hall das minhas prediletas.

Eu tinha 12 anos, e foi quando dei meu primeiro beijo na boca, na festa de aniversário do menino mais bonito da rua da minha prima, no subúrbio carioca. Estávamos dançando essa música quando rolou o beijo. Depois disso, todas as vezes que o Dudu​ tocava Total Eclipse of the Heart, nas festas do playground do PRDC, eu sentia borboletas no estômago, uma tímida ansiedade difusa: quem vai me chamar para dançar?

Confesso que a sensação de borboletas no estômago, ao ouvir essa música, ainda me rouba o ar. É nostalgia que se diz, não?