Uma lacuna na minha história

Preciso dizer do susto que levei ao me dar conta do tantão de tempo sem escrever por aqui. O blog era para ser um diário, semanário talvez, mas não ter esse espaço todo entre uma postagem e outra. Sem querer apontar culpados, foi o Insta quem me roubou a atenção. Pronto, falei.

Escrevo este post sem nenhum planejamento, direto no WP, sem rascunho ou outra organização dos meus pensamentos (tá um caos aqui dentro!).

É que recebi um email do meu provedor, avisando da manutenção dos sistemas e da troca de qualquer coisa por lá. E que eu não deveria me preocupar, eles me avisariam quando tudo estivesse finalizado. (A Mindnet é um excelente provedor, recomendo!). Foi aí que me bateu o desespero: preciso atualizar meu blog!

E cá estou, mais uma vez… confesso que essas lacunas são frequentes. Mais do que eu gostaria, é verdade. Mas lá vou eu me programar para ser mais constante, prometo.

Para guardar o registro, vou fazer um apanhado de coisas importantes que aconteceram nesse período. Rever a vida é bem interessante e traz uns insights poderosos.

No mais, é organizar o recap, postar pra posteridade e seguir em frente.

Você vem comigo?

A árvore

A árvore mais “majestosa” do condomínio sempre me chamou a atenção.

Ela fica num morrinho, de difícil acesso pra sedentária que sou, mas sempre que passo por ela, me imagino sentada à sua sombra.

Ela me inspira sabedoria. Como uma anciã que detém o conhecimento do mundo, os segredos da vida que os apressados não conseguem captar.

Sua sombra tem gosto de calmaria, de domingo à tarde, de abraço de avó.

Quero, um dia, quem sabe, inspirar noutras pessoas algo próximo disso… e velhinha, olhar para trás e sorrir para a semente dessa árvore que germinou em mim.

❤️

O brilho e a imperfeição

Ah, o brilho! Adoro!

Dizem por aí que quem vê close não vê corre. Ou para sermos gentis com todos, já que não sabemos as batalhas internas de cada um…

Brincando com a câmera na textura brilhosa da minha necessaire, descubro mais uma foto-metáfora!

Repare que, no destaque abaixo, conseguimos ver as imperfeições, as marcas de uso e do tempo, as falhas.

Mas nada disso tira o brilho e a beleza da minha bolsinha.

No fundo (mas nem sempre), todos nós temos as nossas questões, dores, sombras. Damos o nosso melhor, fazemos acontecer e seguimos. E tá tudo bem – não precisamos nos abrir com todo mundo, nem com qualquer um.

Mas não deixe que as coisas daí de dentro, ó 🫀🧠, fiquem pesadas demais para carregar – peça ajuda.

Esse é um post-it para que eu me lembre quando precisar. Talvez ele sirva pra você também!

Autenticidade e efetividade

Pensei numa imagem para ilustrar a frase “tudo o que você faz com autenticidade é mais efetivo”, mas 1) fiquei com preguiça de abrir o Canva; 2) amei essa foto.

Venho, ao longo dos anos buscando me reconhecer, entender as mudanças inexoráveis e me posicionar de maneira consciente na minha vida – o tal do protagonismo.

E isso, pra mim, não tem fórmulas, (desconfio que pra ninguém!) apesar da resposta ser muito clichezona: busque sua essência; seja aquela que você deveria ser e não quem os outros dizem ser…

Seja autêntica!

E aqui, digníssima pessoa que me lê agora, cabe sim minha selfie bonitona porque coloco a cara no sol pra dizer que não é fácil, não é uma chave que a gente vira e pronto, ou um interruptor que ligamos e agora-vai: é PRO-CES-SO, é construção diária, é solitária (eu-comigo-mesma) e coletiva (nós enquanto seres sociais).

Não dá pra ser autêntica copiando os outros, mas dá pra aprendermos juntas, com troca, com gentileza, com afeto…

Esse medo é mesmo seu?

“O quanto seríamos livres se não fôssemos esmagados pelas ansiedades, dúvidas e inseguranças de outras pessoas?”

Essa provocação está na página 239 do livro Seja, Fale, Faça, como vencer o medo e ter a coragem de encarar seus sonhos, de Luvvie Ajayi Jones – no instagram: @luvvie

O autoconhecimento que buscamos pede que identifiquemos nossos medos, e que os separemos do medo dos outros…

– ah, você vai viajar sozinha? Cuidado, lá é perigoso!

– Você vai largar seu emprego para criar seu sonho? Olha, o mercado não está nada bom, você tem certeza?

– Você vai mesmo assumir essa dívida? Talvez não seja o melhor momento de expandir os negócios…

Frases assim podem vir disfarçadas de preocupações e podem até ser legítimas, mas não foram solicitadas e têm forte carga emocional – dizem muito mais sobre quem as emitiu do que sobre você mesma.

A gente já tem que superar nossos próprios medos… para que assumir o medo dos outros?!

Saiba a diferença, e não aceite carregar o peso das ansiedades, dúvidas e inseguranças das outras pessoas!

Responsabilidade

É fundamental atentar para o que se diz, e sobre cada ação, deve-se refletir sobre o seu efeito. Veja a qual meta a ação está relacionada e, quanto às palavras, observe seus significados.

O tal do protagonismo, que muita gente tem falado, pede responsabilidade.

É preciso que a gente assuma nossas ações e palavras!

E mais: precisamos pensar no impacto que elas vão causar – seja no meio-ambiente, seja nas pessoas à nossa volta.

Escolhas suas palavras e ações intencionalmente.

Cuide para que elas causem o efeito desejado.

Que afetem com afeto o nosso entorno. 😉

#citação vem do livro Meditações, de Marco Aurélio, publicado pela editora Camelot, com prefácio de Lúcia Helena Galvão Maya. E pode ser achada na página 67.

Moral e ética. É tudo a mesma coisa?

Spoiler: nem sempre!

Enquanto a moral tem a ver com os hábitos e costumes de uma sociedade em um determinado local e tempo (já consegue ver onde isso vai dar?), a ética é uma área de estudos da Filosofia, ou seja: é muito mais profunda e que, muitas vezes, vai contra a moral social vigente!

A moral se baseia num conjunto de valores e regras de conduta que norteiam os comportamentos dos indivíduos em um grupo social. É um imposição de fora para dentro.

A ética vai além: ela busca a universalidade, a serviço de todos, em qualquer lugar.

Para exercitarmos a ética, é preciso crítica, razão, questionamento, reflexão. É algo de dentro pra fora.

Lembro logo do Grilo Falante, a consciência do Pinóquio! É aquele que alerta, questiona o senso comum, busca a verdade.

Você tem dado ouvidos ao seu Grilo Falante? O que ele tem dito aí no seu ouvido?

As bolhas nas quais vivemos… (e como sair delas!)

“Hoje, os riscos de “câmaras de eco” e “bolhas” são uma verdade incontestável e ajudam a explicar as divisões na opinião pública que muitas vezes parecem seguir rígidas linhas partidárias” – essa frase é de uma matéria publicada no site da BBC News em 2016… De lá pra cá, muita coisa mudou, é verdade, mas as bolhas seguem fortalecidas pelos algoritmos, pelas fake news e pela polarização política. 

(infelizmente, as bolhas sociais não são tão inocentes quanto as bolhas de sabão…)

Aliás, o trio bolha, fake news e polarização tem uma relação de estreita dependência, como o efeito Tostines: me fecho na bolha por causa da polarização; ou há polarização porque me fecho na bolha? E a fake news? Bem, ela nos joga de um lado pro outro, num jogo de poder que vai muito além das nossas bolhas.

Complicado, né?

“Estourar a bolha pode ser altamente transformador, pois assim será possível aprender e vivenciar coisas que nunca pensou que pudessem ser possíveis”. Mas este é um processo que demanda intenção, como escreve Liliane Rocha na Revista Época. Negócios, “exige esforço coordenado e planejado”.

Antes de furar a bolha, é preciso reconhecer que estamos numa!

Vou lhe perguntar uma coisa: o que você sabe do outro é uma suposição, fruto de um achismo? Ou você procura realmente conhecer o outro, em suas dores e alegrias, as outras realidades, os outros mundos diferentes do seu? (eu me faço essas perguntas muitas vezes!)

É porque tendemos a reproduzir pré-conceitos, ideias engessadas, conhecimentos cristalizados no passado, muitas vezes fatos fora de contexto… E tá tudo bem, a gente generaliza para aprender. Mas é preciso reconhecer isso e abrir espaço para aprender o novo, afinal nada aprende aquele que tudo sabe, não é mesmo? 😉

Às vezes, supomos conhecer. Isso porque essas outras realidades aparecem na TV, em filmes e séries, nos jornais locais, nas notícias dos sites, nos compartilhamentos do zap…

Nem sempre é fácil notar que aquela informação é um recorte da vida real (quando não uma ficção!) – cuidadosamente escolhido para reforçar o ponto de vista de quem o compartilha.

Então, qual o caminho possível?

Eu acredito que o caminho mais frutífero seja o do exercício da empatia.

A empatia é uma capacidade inata aos seres humanos – é uma das nossas forças evolutivas!

Expandir nosso potencial empático não melhora só nossos relacionamentos com o outro, mas também a nossa própria qualidade de vida.

Separei cinco dicas para (re)despertar a empatia:

  • Seja curioso
  • Descubra pontos em comum
  • “Ande com os sapatos alheios”
  • Escute sem julgar
  • Inspire os outros

Recapitulando: a empatia é inata, cria e reforça a conexão, e pode (e deve!) ser exercitada.

Agora me conta: como você faz para furar a sua bolha? (sim, estou assumindo que você sabe que vive numa bolha, e quer sair dela!)

Foto-metáfora

O céu cinza de Lisboa, num dia frio do comecinho do inverno (dia 22/12/2020)

Adoro o céu quando misturado com verdes e azuis. Mas também quando em tons acizentados. São emoções e sensações diferentes, nem sempre antagónicas.

Acho que é minha foto-metáfora predileta: cabeça nas nuvens, raízes fortalecidas em solo firme.

Céu e terra com suas dualidades complementares, pedacinhos de mim.

Sei que tenho algo de “louca”, mas também sei que percebes o que digo, não é mesmo?

E a tua foto-metáfora, qual é?

A gratidão

Já é fato comprovado: o sentimento de gratidão abre um mundo de possibilidades. É incrível como ficamos mais leves, mais dispostos, mais vibrantes.

E sintonizados nesta vibração, nos tornamos mais criativos!

? Eu sou grata por poder compartilhar o pouco que sei contigo, daí deste lado. ?

E tu, pessoa, pelo que és grata?

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A velha deslumbrada

João, aquele bebezito linducho, agora é um adolescente chato e implicante. (Eu o amo na mesma, fazer o quê?).

Foi ele quem disse, outro dia (ontem!) que sou uma velha que parece ter descoberto a mídias sociais há pouco e usa todos os filtros do Instagram ao mesmo tempo.

Aproveitei para contar que participava das salas de bate-papo quando a internet ainda era discada, que fiz meu primeiro blog no fim do século passado, que em 2005 cuidava de uma comunidade no Orkut, que reclamava que nenhum amigo usava o Twitter (fiz amigos incríveis por lá!), que já fiz arquitetura da informação para os sites da Ipiranga e da Oi… ou seja, uma dinossaura que já andava por aqui quando tudo isso era mato.

Neste percurso, encontrei pessoas maravilhosas, fiz amigos, influenciei pessoas e fui influenciada pelos melhores! Em nossos encontros, discutíamos o futuro da web.

Então, filhote, saiba que a mãe pode parecer uma velhota deslumbrada (porque sou mesmo). Quero ser eternamente deslumbrada pelas fantásticas possibilidades deste admirável mundo novo.

E que eu possa passar adiante um pouquinho que seja deste meu maravilhamento. ?

Escrita criativa: as 5 páginas

Aprendi há muitos anos, uma técnica de escrita de diário que além de ser ótima para autoconhecimento, nos ajuda a destravar nossa escrita criativa.

Lembrei-me desta técnica por conta de uma enquete que fiz no meu perfil do Instagram – @biattrix – queria saber quais as dúvidas que as pessoas tinha sobre escrita criativa. Uma das perguntas foi justamente sobre a técnica do Five Minute Journal. Como usei os stories para respondê-la, acabei por compilar tudo em um vídeo que deixei no meu IGTV.

Agora, aproveito para trazer o vídeo para cá, assim ele terá vida longa e estará mais acessível.

Vídeo gravado e publicado, originalmente, no Instagram (por isso está na vertical!)

Se tiveres alguma dúvida, quiseres partilhar tua experiência ou fazer um comentário, não sê tímido, será muito bom trocar contigo!

Babel

Abro uma nova folha em branca no notebook
não sem antes preparar meu canto
luz, silêncio, incenso.

O caderno está aqui, ao meu lado, mas parece que não mais sei escrever como antes.
Preciso do teclado, e da sensação táctil de premir cada tecla.
Preciso do ecrã e da sua luz amarelada, para onde olho por longos minutos antes de saber como encadear meu pensamento. E mesmo assim, não o sei.

Ele. O meu pensamento.
Tão confuso e tão errático.

Como traduzir tudo o que sinto e penso em letrinhas nesta tela?
Será que a caneta e o papel tornariam essa tarefa mais simples?

Já fui capaz de brincar com a enxurrada de pensamentos desordenados. Hoje, não tenho certeza, esqueci como se escreve. Talvez porque os 50 me peçam mais consistência. É preciso deixar ir os arroubos juvenis e assumir uma cadência que não está em mim. Porque em mim pouco mudou. Sinto como sempre, apesar da aparência denunciar os anos que passaram. Por dentro, sou a mesma: assustada, sozinha, perdida. 

Mas não é só, nem tudo é pesar. 
Dentro de mim vivem muitas e nem por isso concordamos. 
Entretanto, aprendi a dialogar, a negociar, a conciliar.
Essas tantas, que em mim moram, convivem com suas próprias dores e alegrias. 
Uma verdadeira Babel. E talvez por isso eu me defina como efervescente: vivo em constante ebulição. 

Se de um lado tem dores, os dissabores não vão além. 
Há festa, há calma, há paz. 
Porque em mim nascem flores de todas as cores. 
E com os anos, confirmei que é preciso chover para renascer. 

Todo dia, hora, minuto. 
A cada respiro
pisco e morro; 
pisco e sou.

Photo by Daniil Kuželev on Unsplash

Sobre pontes e muros

Por causa de uma notícia compartilhada por uma querida amiga (a Rachel, do Terapia da Palavra), descobri Yo-Yo Ma, que diz viver entre fronteiras – físicas, culturais, musicais, e reforça que devemos construir pontes, não muros.

Yo-Yo Ma toca Bach na fronteira entre Laredo, Texas, e Nuevo Laredo, México, em 13 de abril de 2019

Longe de casa, de tudo o que me é familiar, ainda a construir o meu pedaço, me desconstruo todos os dias na tentativa de fazer pontes, de criar vínculos. Embora, em muitas horas, eu sinta um muro a me fechar.

Cruzar distâncias é cansativo – e nem falo das físicas. Dessas eu tiro o prazer de longas caminhadas. Refiro-me às distâncias entre pessoas…

Sobre a beleza

Eu sempre ouvi a frase “a beleza está nos olhos de quem a vê“, e nunca soube quem a proferiu pela primeira vez. Diz a internet que foi o filósofo e poeta espanhol Ramón de Campoamor y Campoosorio, no século XIX.

Hoje, ao ver algumas fotografias feitas debaixo d’água, e ficar emocionada com tanta poesia, me perguntei se todos veriam ali a beleza que me comovia.

Fotografia de Christy Lee Rogers. Mais em mymodernmet.com/muses-christy-lee-rogers

Aprendemos o belo como quem aprende a falar. Somos ensinados a apreciar isto ou aquilo. O teu gosto pessoal não é assim tão pessoal como gostarias de acreditar. É quando damo-nos conta de tal feito que libertamo-nos para além dos limites que nos são impostos. Livres.

Talvez isso não importe tanto quando falamos de fotografias, quadros ou músicas. Entretanto faz toda a diferença quando falamos de corpos, de pessoas, de humanos. Porque impõe-nos a fronteira entre sermos aceitos ou não. Marca a divisão entre pertence e não-pertence. Secciona o valor intrínseco de cada um de nós. Categoriza. Fere. E mata.

Going grey! Sim, assumi os fios grisalhos

Minha mãe dizia que aos 17 anos já tinha cabelos brancos. Eu, desde os 15, 16 anos, mudo a cor dos meus cabelos. E já os pintei de quase todos os tons. Já fui loira com mechas, ruiva de diversas tonalidades, castanho com e sem luzes, preto azulado. Gosto de mudar. É divertido. 
 
Em 2005, passei “máquina 2”, deixando o cabelo mais curto quanto possível, e ao natural. Amei o resultado e me curti grisalha. Mas a ideia era cortar para tirar a tinta preta e poder voltar ao vermelho… Porém, logo depois, me descobri grávida. Engordei 30 quilos e me sentia envelhecida. Naquela época, com tantas mudanças, não consegui “comprar” a briga de ser grisalha aos 35 anos. Tão logo parei de amamentar, tingi os cabelos.
 
Em 2014, fiquei platinada. O loiro mais claro possível, e com ele fui feliz por mais de um ano. Até cortar curtíssimo de novo, um pixie totalmente grey e charmosérrimo. De lá pra cá, deixei crescer, mudei o tom, voltei ao loiro e ao quase platinado. Até que em novembro de 2017, (des)colori os cabelos pela última vez.
 

Ver as raizes grisalhas traz um misto de sentimentos, nem sempre bons.

Selfie feita agorinha, dia 1º de maio de 2018, às 13h

Hoje, revendo o passado penso que, aos 34 anos, 54 quilos, vestindo os tão enaltecidos tamanhos 36/38, usar os cabelos curtérrimos e grisalhos foi uma deliciosa provocação. Afinal, eu era padrão, e recebia da sociedade a permissão de ousar.  Com 13 anos e 30 quilos a mais, bem… a história é um pouco diferente.

Veja bem, eu liguei o foda-se para o que pensam de mim. Mas ainda não desliguei o meu crítico interno. E dizer isso no masculino faz todo sentido: meu crítico interno é macho, cis, branco, classe média.  Ele me diz que não tenho mais idade para certas coisas, que deveria me vestir deste ou daquele jeito, que não deveria me comportar assim ou assado. Ele é um pé no saco!

Acredito que ele participava da Comissão Reguladora dos Padrões Socialmente Aceitos, e fez, com seus colegas, essas regrinhas (idiotas) que muitos seguem sem questionar. Agora, perdendo seu poder, vendo seu templo ruir, ele se apega com força ao que pode… e lá estão todos os meus ganchos, onde ele luta para se manter. Foda, né?

Eu acho lindo todos esses movimentos de mulheres maravilhosas que se cansaram da ditadura da beleza, da juventude, do corpo, do peso, etc, etc, etc. Aplaudo de pé! Há tempos entendi o significado da liberdade de expressão, parei de julgar e abracei as diferenças. (sim, eu já fui muito, muito idiota e preconceituosa, sem ter consciência disso). Se você pensa algo de mim, que bom, saiba que isso diz muito mais sobre você mesmo, e pouco – ou quase nada – sobre mim. Eu não estou nem aí e só aproveito o que me convém, afinal, só eu sei as dores e as delícias de ser quem sou. Por isso digo que não me preocupo com você, mas com o meu crítico interno, cada vez menor e mais sem voz, mas ainda assim, dentro de mim, a me julgar e apontar. Um dia ele morre ou muda, e viramos amigos confidentes, sei lá.

Tudo isso para reafirmar que tem dias que me olho no espelho e me acho linda e corajosa por ter quase um palmo de raiz grisalha gritando ao mundo a minha escolha. Noutros, quero usar um chapéu ou correr para o salão mais próximo (mentira! Sem minha Fernanda Pio, quase não sinto vontade de ir a um cabeleireiro).

p.s.: Estou pensando em aproveitar o verão europeu para pintar a parte loira do cabelo de azul clarinho…

Muda tudo, vai…

A sua vida está tranquila, mas nada favorável.
O que você faz?
MUDA!

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Essa semana, começo a encaixotar os pré-conceitos, os medos, os “e se…”.

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Ainda não sei o que fazer com eles porque, né, são tipo lixo tóxico! Se eu jogá-los em qualquer lixão, corro o risco de aumentar o surto de histeria coletiva que ronda por aí.

Guardá-los num depósito? Sei não… o custo é muito alto para pouco valor que eles têm. Diferente de roupa que, se não nos servem mais, doamos, esses itens não têm serventia a ninguém mais (nem deveriam ter!). Ainda tenho um certo receio de baixar a Pandora em mim: vai que abro a porra da caixa?

Acho que o ideal seria um ritual pagão, onde fosse possível queimá-los todos, me purificando com fogo… (embora tenha medo de defumar minha pequena casa!!!)

https://unsplash.com/christianallard
unsplash.com/christianallard

 

#Aguardemos

Até aonde você vai para se encontrar?

Vou repetir a pergunta: até aonde você vai para se encontrar? Mas se encontrar mesmo – de verdade – na essência? Conhecer seus limites, entender seus desejos e frustrações…

Acredito que eu estava anestesiada pela rotina. Você sabe, essa sequência de acordar, cuidar da casa, do filho, do trabalho, se divertir (quando dá!), dormir e acordar no dia seguinte para fazer tudo – quase – igual.

Os projetos estava indo para a gaveta. No início, eles se debatiam e se rebelavam, mas com o passar do tempo nem isso faziam. Era só aquele olhar de soslaio e tchum, mergulhavam de cabeça na gaveta.

Eu não estava feliz. Aliás, não estava feliz há anos. Foi aí que me descobri uma ótima atriz. Sim! Porque eu até me enganei direitinho por vários anos (vou ser mais precisa: foram uns 3 ou 4). Tá bom, não estava sempre infeliz. Até chegar 2014 e cair a ficha: eu estava com depressão. E quando a ficha caiu, o seu peso me levou pro fundo do poço. Hoje, vejo que a tal mola no fundo do poço assume várias formas – no meu caso foi trocar o tratamento tradicional da dupla psiquiatra+psicólogo e apostar em uma neurologista, a Dra. Maria Elisa, com apoio da psicóloga Ananda Salerno. Duas mulheres fundamentais na minha recuperação – serei sempre grata pelo suporte!

Foi eu sair de uma crise para cair em outra! Se, por um lado, a crise político-econômica está reduzindo minha atuação, está também ampliando meus horizontes. Mas o que isso tem a ver com se conhecer de verdade?

Acontece, meu caro, que se a doença me ensinou a buscar as respostas para os meus problemas em mim mesma, esta crise político-econômica reforça tal aprendizado. Foi preciso mergulhar em mim, conhecer meus oceanos e suas correntes, mapear sua vastidão, catalogar a vida que existe nos arrecifes, me descobrir afinal.

caravela
foto: unsplash

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“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta” – Carl Jung

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Se eu continuar na metáfora, posso dizer que cem tanques de oxigênio não foram (ou são!) suficientes! Por muitas vezes me senti perdida, desorientada. E cada vez mais fascinada. Só agora sei que essa sensação de desconforto é peculiar do crescimento (seja ele físico, espiritual, intelectual..).

No crescimento do corpo do animal (a lagosta), a carapaça deixa de lhe servir (devido á rigidez do exoesqueleto) e começando a ficar “apertada”, o animal liberta-se da carapaça num curto espaço de tempo, sintetizando em seguida um novo exoesqueleto, o que equivale a dizer que durante esse período o corpo fica “mole” e desprotegido, ficando vulneráveis aos inimigos e predadores. – Por Rui Motta Freitas (6/99) Cadeira de Fisiologia Aquática.

Interpretei errado os sinais da vida e acreditei que precisava deixar para trás meu lado vulnerável, sendo só forte. É claro que deu um bug no sistema! A inteireza do ser é sua maior expressão, um tesouro de valor inestimável!

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Odes de Ricardo Reis

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, 14-2-1933
Fernando Pessoa

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Eu não me lembro quando escrevi a frase: “posso ser quem eu quiser, e posso mudar de ideia”. Hoje, ela faz ainda mais sentido.

Certezas

Eu-tenho-certezas-poof

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Eu tenho pequenas certezas.

Sei que elas, as certezas, são ninfas voláteis. Basta um segundo e… poof!, desaparecem no ar. Mas gosto delas mesmo assim. Aliás, gosto delas exatamente por isso, por serem tão instáveis. É que essa caracteristica tão peculiar exige minha constante observação.

Poof, lá se foi uma delas.

Tudo bem, eu construo outras (Poof, poof, poof!) que se desfarão no ar, igualzinho as todas as outras. E assim, nesse movimento intelectual meio esquisito, eu me reinvento a todo instante.

Estamos juntos!

 

Por algum tempo, eu me sentia única – mas de uma maneira estranha. Eu me sentia inadequada. E acreditava que só eu era assim.

Aprendi a escrever para organizar os pensamentos. Ao colocá-los para fora, mudava a perspectiva e era capaz (ainda sou) de ordená-los de maneira mais eficiente. Isso sempre funcionou para mim. Até se tornar um hábito de limpeza ~mental~, como escovar os dentes.

Um dia, há muito tempo, resolvi publicar um blog e o chamei de “Pensamento Acidental – o que penso, quando penso“. O compromisso era não ter compromissos: de tema, de dias certos para postagens, ou quaisquer regras preestabelecidas. Isso porque sempre fui meio anárquica, eu acho.

Quando escrevia meus sentimentos, medos e angústias sob o manto protetor da “ficção” em contos e poesias, comecei a receber emails e comentários de outras pessoas que juravam que eu falava delas. Percebi que minha inadequação, minhas particularidades não eram tão únicas assim… Várias outras pessoas sofriam do mesmo, viviam com as mesmas angústias.

Depois de um tempo, comecei a ver com encanto o quanto somos tão iguais e tão diferentes.

Um dia, voltei a achar que “isso – desse jeito – só acontece comigo!”.
Mas, desta vez, eu estava doente.

A vida começou a não fazer sentido, os dias perderam a cor, a luz virou sombra. Só sabia chorar e me encolher. Esquecia das coisas, não conseguia pensar, nem escrever. E logo eu, que falava sobre os mais diversos assuntos e adorava um bate papo, já não conseguia conversar! Eu me sentia tão desinteressante, que me faltavam palavras! Eu estava com depressão.

Comecei a achar que estava fazendo corpo mole para determinadas coisas, que andava preguiçosa e procrastinadora demais. E me envergonhei por isso. É claro que no início, eu tentei esconder de todos o que eu sentia. E, posso dizer, fui muito boa nisso, porque escondi até de mim mesma. Quer dizer, hoje eu acho que alguns amigos mais atentos perceberam que as coisas não estavam tão bem assim…

Segui anestesiada por um tempo. Até que me faltaram forças. E eu cai.

Psiquiátra, psicólogo, neurologista, e alguns tarjas pretas fizeram parte da minha rotina. Ouvi até médico dizer que era falta do que fazer, cabeça vazia demais! (Oi?) Eu sabia que precisava de ajuda, por isso contei para alguns poucos amigos, embora eu ainda me sentisse muito envergonhada. Estava fraca e odiava isso!

Aos poucos fui me entendendo e fazendo as pazes comigo. Percebi que a doença também me trouxe uma ótima oportunidade de repensar a vida, mudar várias coisas que não valiam mais. Voltei a me sentir leve! As cores, o brilho e a luz voltaram. Depois de quase um ano de tratamento, recebi alta da medicação. Isso foi em dezembro de 2014.

De um tempo para cá, tenho pensado que a útima etapa deste longo tratamento é a exposição pública.

Era preciso contar pra todo mundo sobre esse período turbulento, sem grandes emoções. Esta seria uma maneira de saber – de fato! – que ele ficou no passado.

Falar abertamente sobre a minha depressão é também uma forma de dizer para várias outras pessoas que elas não estão sozinhas. E assim, numa corrente do bem, tentar explicar para tantas outras de que a depressão não é uma frescurinha, não é cabeça vazia ou falta de louça para lavar!

Falar abertamente sobre a minha depressão é a minha maneira de te estender a mão e falar: – “vem! Estamos juntos nisso! Vá procurar um médico, vai se tratar, e se quiser, tô aqui para te escutar. Para trocar umas ideias”.

Se eu sobrevivi e estou mais forte, você também pode. Afinal, somos tão iguais: humanos!