Polímata, multipotencial ou indeciso?

O que você quer ser quando crescer? Bem, se você não tem certeza de que deseja fazer apenas uma coisa pelo resto de sua vida, você não está sozinho. Nesta palestra esclarecedora, a escritora e artista Emilie Wapnick descreve o tipo de pessoa que ela chama de “multipotencialistas” – que têm uma variedade de interesses e empregos ao longo da vida. Você é um? (fonte: TEDTalk)

Lembro-me como se fosse ontem da minha primeira entrevista em uma agência de publicidade. Era uma agência nova, mas com grandes nomes – profissionais premiados, badalados e com egos super-inflados. Ao mostrar meu portfólio, e orgulhosamente falar sobre tudo o que amava fazer, logo fui cortada com a frase:

– Mas você faz tudo isso? Não deve fazer nada muito bem, né?! Primeiro ajusta seu foco, depois vem conversar com a gente.

Aquilo foi um balde de água gelada. Saí de lá aos prantos e com a certeza de que tinha algo de errado comigo. Pulei de emprego em emprego, fiz muitos projetos, aprendi inúmeras coisas diferentes. E levei um tempão para aceitar que, sim, faço muitas coisas, gosto de outras tantas, quero aprender muito mais porque ainda não é suficiente e o mundo é grande demais para eu saber um tiquinho só.

Mas essa auto-estima da porra só veio com a idade (algo que preciso lustrar diariamente, ou caio de novo na conversa de que preciso escolher uma coisa!)

Penei por muitos anos, e subaproveitei minhas potencialidades por querer me encaixar nos moldes que a sociedade nos impõe, nem sempre de forma sutil…

Hoje, sei das minhas multipotencialidades. E as uso nos projetos que crio pra mim e para os negócios dos meus clientes. Assim ensino o João, para que desde cedo ele entenda que pode ser muitas coisas, ou pode mergulhar num só assunto – o que importa é que esteja confortável com suas escolhas.

Esse post foi feito sob a influência da newsletter de 27 de julho de 2021 da Livia Forte.

Dica de “ritual” de preparação para o ano-novo

Aperta o play!

Separa um tempo pra ti. Pode ser pela manhã, em um intervalo no meio da tarde, ou à noite, quem sabe no jantar? Faz uma lista com três coisas boas que te aconteceram durante o dia – um bom dia que recebeste, um sorriso no meio do caminho, uma sensação agradável, um elogio ou uma boa notícia: aqui, todos os pequeninos e simples acontecimentos diários têm seu valor.

Repete isso, pelo menos, pelos próximos sete dias. Observa como fica cada vez mais fácil “achar” essas boas coisas… e que outras sensações e sentimentos esse pequeno exercício de gratidão desperta-te?

?‍♂️Não tem nada de “mágico” ou esotérico neste ritual. ? A ciência comprova que focar nas coisas boas ancora a nossa mente o que Shawn Achor chama de “Efeito Tetris Positivo”.

? Shawn traz essa e outras técnicas interessantes, além de muitas pesquisas na área da Psicologia Positiva, no seu livro Happiness Advantage (O Jeito Harvard de Ser Feliz, traduzido para o português por Cristina Yamagami, e editado pela Saraiva).

? Agora, preciso confessar um preconceito meu: se não fosse a Livia a recomendar este livro, talvez eu nunca o tivesse escolhido como leitura de encerramento do meu ano. ? Eu sei, eu sei… parece livro cliché de auto-ajuda. ? Mas, vê lá, qual o problema da auto-ajuda, afinal? Se não fizermos por nós mesmos, estamos tramados!

? Então, deixa o preconceito de lado e faz o exercício. Felicidade, como tudo na vida, é prática diária. Depois conta-me sobre tuas impressões.

Vamos a isso? ?

Foto-metáfora

O céu cinza de Lisboa, num dia frio do comecinho do inverno (dia 22/12/2020)

Adoro o céu quando misturado com verdes e azuis. Mas também quando em tons acizentados. São emoções e sensações diferentes, nem sempre antagónicas.

Acho que é minha foto-metáfora predileta: cabeça nas nuvens, raízes fortalecidas em solo firme.

Céu e terra com suas dualidades complementares, pedacinhos de mim.

Sei que tenho algo de “louca”, mas também sei que percebes o que digo, não é mesmo?

E a tua foto-metáfora, qual é?

A gratidão

Já é fato comprovado: o sentimento de gratidão abre um mundo de possibilidades. É incrível como ficamos mais leves, mais dispostos, mais vibrantes.

E sintonizados nesta vibração, nos tornamos mais criativos!

? Eu sou grata por poder compartilhar o pouco que sei contigo, daí deste lado. ?

E tu, pessoa, pelo que és grata?

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Ajuste de rota

Dezembro é o mês de ajuste de rota, por aqui. ?

E tu, me conta, como e quando fazes os ajustes necessários das tuas metas?

A velha deslumbrada

João, aquele bebezito linducho, agora é um adolescente chato e implicante. (Eu o amo na mesma, fazer o quê?).

Foi ele quem disse, outro dia (ontem!) que sou uma velha que parece ter descoberto a mídias sociais há pouco e usa todos os filtros do Instagram ao mesmo tempo.

Aproveitei para contar que participava das salas de bate-papo quando a internet ainda era discada, que fiz meu primeiro blog no fim do século passado, que em 2005 cuidava de uma comunidade no Orkut, que reclamava que nenhum amigo usava o Twitter (fiz amigos incríveis por lá!), que já fiz arquitetura da informação para os sites da Ipiranga e da Oi… ou seja, uma dinossaura que já andava por aqui quando tudo isso era mato.

Neste percurso, encontrei pessoas maravilhosas, fiz amigos, influenciei pessoas e fui influenciada pelos melhores! Em nossos encontros, discutíamos o futuro da web.

Então, filhote, saiba que a mãe pode parecer uma velhota deslumbrada (porque sou mesmo). Quero ser eternamente deslumbrada pelas fantásticas possibilidades deste admirável mundo novo.

E que eu possa passar adiante um pouquinho que seja deste meu maravilhamento. ?

A Pandemia de 2020

O mundo sofre com a pandemia do novo coronavírus, popularmente chamado de Covid-19. O surto começou na China e, em poucas semanas, se espalhou pelo mundo, que (falha em ) toma medidas de isolamento para tentar travar a propagação do vírus SARS-CoV-2.

Imagem ampliada do novo coronavírus, o SARS-CoV-2. Fonte: Wikipédia.

Segundo a cobertura ao minuto do Público.pt, às 19h30 de 13 de abril de 2020 (no momento em que escrevo este post), já são 1.321.000 infectados no mundo, 443.816 recuperados e 118.305 mortos.

Print-screen do jornal publico.pt, no link especial sobre Coronavírus, em 13/04/2020, às 19h30

Hoje, completo meu 34º dia de isolamento social e ainda não sou capaz de pensar com clareza sobre o que vivo.

Sou a única a sair de casa, para compras de alimentos, remédios e passeios rápidos com Loki, o cão, que se recusa a fazer suas necessidades no tapetinho higiênico (sim, já tentei de tudo!). A volta à casa é sempre tensa: estou paranóica com a higienização das compras, do cão, e minha.

Enquanto cuido de todos – meus pais estão aqui comigo, nas férias mais frustradas ever! (eles chegaram em dezembro, para o Natal, e ficariam até o começo de junho, para acompanhar minha formatura, em 30 de maio) – descuido de mim mesma, em uma procrastinação que dura semanas. Acho que só a alimentação está dentro do desejado, a mais saudável em décadas (agradeço à Fernanda Anders, pela graça alcançada!).

Se perguntarem-me o que faço nos meus dias de quarentena, não saberei dizer ao certo… a primeira semana foi de férias. A sensação de segurança era mais forte: cuidei do planeamento das compras e de como seriam as saídas. Em poucos dias, Portugal decretou o fechamento das escolas e, logo depois, o estado de emergência. Ter todos em casa foi um alívio! Nestes dias, até consegui ver algumas séries e ler qualquer coisa. Mas as semanas se seguiram preguiçosas, e as incertezas despertaram um tipo diferente de ansiedade – a falta de concentração, a insônia e a irritabilidade começaram a crescer. Uma apatia se instalou. E a cobrança por produtividade também chegou. Tudo junto e misturado.

Para os amigos, digo que nem bipolar me define. Já estou TRIpolar!

As notícias do Brasil deixam-me ainda mais aflita. Evito ler a respeito, mas cobro-me estar atenta ao que acontece na política do meu país – já estive tempo demais alienada de tudo.

Diz Paulo Coelho, em o Livro dos Manuais: “devemos nos desligar da ideia de dias e horas, e prestar cada vez mais atenção ao minuto.”. Na teoria, eu bem sei disso. Mas na prática, tenho falhado imenso!

Amanhã, mais uma vez, tentarei implementar uma rotina de estudos.

I really need you tonight

Lá vem história… em 1983, Bonnie Tyler lançou uma power ballad que a levou ao topo da Billboard Hot 100. A música fez parte da trilha sonora da novela das seis Pão, Pão, Beijo, Beijo, da Rede Globo, e entrou para o hall das minhas prediletas.

Eu tinha 12 anos, e foi quando dei meu primeiro beijo na boca, na festa de aniversário do menino mais bonito da rua da minha prima, no subúrbio carioca. Estávamos dançando essa música quando rolou o beijo. Depois disso, todas as vezes que o Dudu​ tocava Total Eclipse of the Heart, nas festas do playground do PRDC, eu sentia borboletas no estômago, uma tímida ansiedade difusa: quem vai me chamar para dançar?

Confesso que a sensação de borboletas no estômago, ao ouvir essa música, ainda me rouba o ar. É nostalgia que se diz, não?

Sobre pontes e muros

Por causa de uma notícia compartilhada por uma querida amiga (a Rachel, do Terapia da Palavra), descobri Yo-Yo Ma, que diz viver entre fronteiras – físicas, culturais, musicais, e reforça que devemos construir pontes, não muros.

Yo-Yo Ma toca Bach na fronteira entre Laredo, Texas, e Nuevo Laredo, México, em 13 de abril de 2019

Longe de casa, de tudo o que me é familiar, ainda a construir o meu pedaço, me desconstruo todos os dias na tentativa de fazer pontes, de criar vínculos. Embora, em muitas horas, eu sinta um muro a me fechar.

Cruzar distâncias é cansativo – e nem falo das físicas. Dessas eu tiro o prazer de longas caminhadas. Refiro-me às distâncias entre pessoas…

Going grey! Sim, assumi os fios grisalhos

Minha mãe dizia que aos 17 anos já tinha cabelos brancos. Eu, desde os 15, 16 anos, mudo a cor dos meus cabelos. E já os pintei de quase todos os tons. Já fui loira com mechas, ruiva de diversas tonalidades, castanho com e sem luzes, preto azulado. Gosto de mudar. É divertido. 
 
Em 2005, passei “máquina 2”, deixando o cabelo mais curto quanto possível, e ao natural. Amei o resultado e me curti grisalha. Mas a ideia era cortar para tirar a tinta preta e poder voltar ao vermelho… Porém, logo depois, me descobri grávida. Engordei 30 quilos e me sentia envelhecida. Naquela época, com tantas mudanças, não consegui “comprar” a briga de ser grisalha aos 35 anos. Tão logo parei de amamentar, tingi os cabelos.
 
Em 2014, fiquei platinada. O loiro mais claro possível, e com ele fui feliz por mais de um ano. Até cortar curtíssimo de novo, um pixie totalmente grey e charmosérrimo. De lá pra cá, deixei crescer, mudei o tom, voltei ao loiro e ao quase platinado. Até que em novembro de 2017, (des)colori os cabelos pela última vez.
 

Ver as raizes grisalhas traz um misto de sentimentos, nem sempre bons.

Selfie feita agorinha, dia 1º de maio de 2018, às 13h

Hoje, revendo o passado penso que, aos 34 anos, 54 quilos, vestindo os tão enaltecidos tamanhos 36/38, usar os cabelos curtérrimos e grisalhos foi uma deliciosa provocação. Afinal, eu era padrão, e recebia da sociedade a permissão de ousar.  Com 13 anos e 30 quilos a mais, bem… a história é um pouco diferente.

Veja bem, eu liguei o foda-se para o que pensam de mim. Mas ainda não desliguei o meu crítico interno. E dizer isso no masculino faz todo sentido: meu crítico interno é macho, cis, branco, classe média.  Ele me diz que não tenho mais idade para certas coisas, que deveria me vestir deste ou daquele jeito, que não deveria me comportar assim ou assado. Ele é um pé no saco!

Acredito que ele participava da Comissão Reguladora dos Padrões Socialmente Aceitos, e fez, com seus colegas, essas regrinhas (idiotas) que muitos seguem sem questionar. Agora, perdendo seu poder, vendo seu templo ruir, ele se apega com força ao que pode… e lá estão todos os meus ganchos, onde ele luta para se manter. Foda, né?

Eu acho lindo todos esses movimentos de mulheres maravilhosas que se cansaram da ditadura da beleza, da juventude, do corpo, do peso, etc, etc, etc. Aplaudo de pé! Há tempos entendi o significado da liberdade de expressão, parei de julgar e abracei as diferenças. (sim, eu já fui muito, muito idiota e preconceituosa, sem ter consciência disso). Se você pensa algo de mim, que bom, saiba que isso diz muito mais sobre você mesmo, e pouco – ou quase nada – sobre mim. Eu não estou nem aí e só aproveito o que me convém, afinal, só eu sei as dores e as delícias de ser quem sou. Por isso digo que não me preocupo com você, mas com o meu crítico interno, cada vez menor e mais sem voz, mas ainda assim, dentro de mim, a me julgar e apontar. Um dia ele morre ou muda, e viramos amigos confidentes, sei lá.

Tudo isso para reafirmar que tem dias que me olho no espelho e me acho linda e corajosa por ter quase um palmo de raiz grisalha gritando ao mundo a minha escolha. Noutros, quero usar um chapéu ou correr para o salão mais próximo (mentira! Sem minha Fernanda Pio, quase não sinto vontade de ir a um cabeleireiro).

p.s.: Estou pensando em aproveitar o verão europeu para pintar a parte loira do cabelo de azul clarinho…

A escada

Essa noite, sonhei que subia uma escada muito alta, levemente bamba, daquelas simples, de metal, que encostamos na parede, sabe?

Só que no meio da subida, ela passou a ser daquelas que têm os degraus de tubos de metal fincados na parede, sabe qual?!

Sentia meus pés inseguros a procurar apoio, mas eu não olhava para baixo, com medo da altura. No alto, uma amigo a me estender a mão, a incentivar a subida.

Em um dos piores momentos, vejo passar por mim um elevador de cargas, simples, sem portas, e penso: “porra, se eu soubesse, esperaria o elevador!”

Essa, senhores e senhoras, é a metáfora da minha vida.

E eu continuo subindo a tal escada.

p.s.: no sonho, eu chegava lá em cima (onde, não sei!).

Aquele abraço

O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.

Essa frase não é minha (claro!): é do Jota Quest. Mas tenho certeza de que ela já foi dita (ou pensada) centenas de milhares de vezes por muitas pessoas que nem conhecem a música. Porque é a mais pura verdade: o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.

Depois de fazer a malas e me mudar para Portugal, meus abraços ficaram mais escassos.
(nos últimos cinco meses…)

  • dos meus pais, que ficaram por aqui de fevereiro até meados de março
  • do meu filhote, que tem um dos mais gostosos ever!
  • de uma amiga portuguesa muito querida, que parece ter um radar especial para abraços necessários

A dose de carinho que recebo diariamente – seja do filhote, da família ou de amigos – me nutre o suficiente e não me sinto carente*, mesmo quando a saudade aperta (e isso acontece muitas vezes!).

Até que… ela** chegou e me deu o abraço mais especial de todos. Um abraço porto-seguro, caloroso, reconfortante e muito demorado! <3 Era como se eu abraçasse, ao mesmo tempo, todos os meus queridos que estão longe (meio SENSE8 isso, né?). No entanto, éramos só nós duas e a nossa amizade.

Aquele abraço demorado…

Estar longe das pessoas que amo (família e amigos, é com vocês que estou falando!) me fez ver o quanto elas são especiais (muito!). É o velho cliché: a gente só dá valor quando perde. Não que eu tenha negligenciado meus familiares e amigos –  acredito que eu tenha, por várias vezes, declarado meu amor por eles, apesar de não ser uma amiga muito presente…

Os abraços de oi-como-vai, até-logo, estou-morrendo-de-saudade, agora, com a distância, me parecem frouxos e escorregadios, automáticos e até rapidinhos demais… como se a certeza de um próximo encontro diluísse a necessidade do aperto, do aconchego.

Esse “pouco-caso” tão comum nos dias corridos, hoje me soa como tolice: eu queria ter feito diferente!

Você pode agir de outra maneira, de modo que isso que digo seja verdade apenas para mim. Mas, talvez e só talvez, você também esteja adiando aquele abraço apertado e beeeeemmmm demorado.

(Quando acabei de escrever esse parágrafo, me lembrei de um vídeo e corri pra achá-lo no YouTube!)

A Erika** é uma amiga de longa data (uns quatro ou cinco anos), mas que só se tornou bem próxima meses antes d’eu viajar. A trabalho, passou uns dias por Lisboa e tivemos a chance de nos encontrarmos por algumas horas. Foi um domingo bem especial! Obrigada, querida! E volte logo!

  • Mentira: tem dias que fico muito, muito carente! Faz parte e tô aprendendo a lidar com isso.

E aí, já deu um abraço demorado hoje?

p.s.: Esse não é um post patrocinado pela Panvel.

 

Estamos juntos!

 

Por algum tempo, eu me sentia única – mas de uma maneira estranha. Eu me sentia inadequada. E acreditava que só eu era assim.

Aprendi a escrever para organizar os pensamentos. Ao colocá-los para fora, mudava a perspectiva e era capaz (ainda sou) de ordená-los de maneira mais eficiente. Isso sempre funcionou para mim. Até se tornar um hábito de limpeza ~mental~, como escovar os dentes.

Um dia, há muito tempo, resolvi publicar um blog e o chamei de “Pensamento Acidental – o que penso, quando penso“. O compromisso era não ter compromissos: de tema, de dias certos para postagens, ou quaisquer regras preestabelecidas. Isso porque sempre fui meio anárquica, eu acho.

Quando escrevia meus sentimentos, medos e angústias sob o manto protetor da “ficção” em contos e poesias, comecei a receber emails e comentários de outras pessoas que juravam que eu falava delas. Percebi que minha inadequação, minhas particularidades não eram tão únicas assim… Várias outras pessoas sofriam do mesmo, viviam com as mesmas angústias.

Depois de um tempo, comecei a ver com encanto o quanto somos tão iguais e tão diferentes.

Um dia, voltei a achar que “isso – desse jeito – só acontece comigo!”.
Mas, desta vez, eu estava doente.

A vida começou a não fazer sentido, os dias perderam a cor, a luz virou sombra. Só sabia chorar e me encolher. Esquecia das coisas, não conseguia pensar, nem escrever. E logo eu, que falava sobre os mais diversos assuntos e adorava um bate papo, já não conseguia conversar! Eu me sentia tão desinteressante, que me faltavam palavras! Eu estava com depressão.

Comecei a achar que estava fazendo corpo mole para determinadas coisas, que andava preguiçosa e procrastinadora demais. E me envergonhei por isso. É claro que no início, eu tentei esconder de todos o que eu sentia. E, posso dizer, fui muito boa nisso, porque escondi até de mim mesma. Quer dizer, hoje eu acho que alguns amigos mais atentos perceberam que as coisas não estavam tão bem assim…

Segui anestesiada por um tempo. Até que me faltaram forças. E eu cai.

Psiquiátra, psicólogo, neurologista, e alguns tarjas pretas fizeram parte da minha rotina. Ouvi até médico dizer que era falta do que fazer, cabeça vazia demais! (Oi?) Eu sabia que precisava de ajuda, por isso contei para alguns poucos amigos, embora eu ainda me sentisse muito envergonhada. Estava fraca e odiava isso!

Aos poucos fui me entendendo e fazendo as pazes comigo. Percebi que a doença também me trouxe uma ótima oportunidade de repensar a vida, mudar várias coisas que não valiam mais. Voltei a me sentir leve! As cores, o brilho e a luz voltaram. Depois de quase um ano de tratamento, recebi alta da medicação. Isso foi em dezembro de 2014.

De um tempo para cá, tenho pensado que a útima etapa deste longo tratamento é a exposição pública.

Era preciso contar pra todo mundo sobre esse período turbulento, sem grandes emoções. Esta seria uma maneira de saber – de fato! – que ele ficou no passado.

Falar abertamente sobre a minha depressão é também uma forma de dizer para várias outras pessoas que elas não estão sozinhas. E assim, numa corrente do bem, tentar explicar para tantas outras de que a depressão não é uma frescurinha, não é cabeça vazia ou falta de louça para lavar!

Falar abertamente sobre a minha depressão é a minha maneira de te estender a mão e falar: – “vem! Estamos juntos nisso! Vá procurar um médico, vai se tratar, e se quiser, tô aqui para te escutar. Para trocar umas ideias”.

Se eu sobrevivi e estou mais forte, você também pode. Afinal, somos tão iguais: humanos!

 

Kintsugi e a arte dos relacionamentos

– O relacionamento é como um cristal, sabe? E quando se quebra, não há mais volta.

Embora tenha se passado mais de 20 anos, ainda o lembro proferir essa frase. Acho que por não concordar, e ter a forte sensação de que a analogia perfeita para relacionamentos estava mais para a arte do Kintsugi.

Digo “forte sensação” porque na época eu não sabia, não tinha a mais remota ideia do que era Kintsugi. Isso, eu aprendi depois. Bemmmm depois! Se não fosse pela maravilha da internet, ou pelo São Google, talvez eu nunca ficaria sabendo.

Kintsugi
Fonte: Blog Hey Goat Hold It | http://heygoatholdit.blogspot.com.br/2010/12/kintsugi.html

Kintsugi é a arte tradicional japonesa de reparação da cerâmica, que fixa os pedaços com laca polvilhada ou misturada com pó de ouro, prata, platina. É mais uma filosofia de vida, já que trata a quebra e a reparação como parte da história do objeto, ao invés de algo para se disfarçar.

Lindo, não?

E mais: os cristais, para mim, belíssimos, finos e raros, sempre estiveram na prateleira, guardados, quase intocáveis, a espera de uma ocasião especial para, só então, serem usados, exibidos, ostentados. E isso nunca combinou com minha ideia de relacionamento!

É no dia a dia que as relações se criam e se fortalecem: nesse cotidiano louco, corrido, muitas vezes no automático, entre o trabalho, o supermercado, as contas para pagar, o médico, a louça na pia…

É mais fácil descartar do que focar a energia para se consertar algo quebrado? Talvez seja mais prático jogar fora e comprar outro novo. Eu concordo com isso, quando falamos de pratos e copos; mas não com algo de valor, como a xícara da vovó que ainda uso como medida na hora de fazer o bolo. Muito menos quando falo de relacionamentos!

Outro dia, no Facebook, alguém perguntou se também nos enjoávamos das pessoas, ao que muitos responderam positivamente, e se confortavam por não serem os únicos com tais sentimentos.

Aquilo me causou estranheza e me entristeceu. Confesso que o umbigo doeu: será que alguém já se enjoou de mim???

– Ah! Com certeza, dona Ana Beatriz!

– Malditos tempos líquidos, senhor Bauman!

Eu sei que toda relação tem um fim. Apenas não quero ser aquela que abrevia relações: prefiro consertá-las com ouro, prata ou platina, simplesmente por acreditar que há beleza nas diferenças, que aprendo e me modifico no viver com o outro. São essas marcas, ou cicatrizes, se preferir, que me fazem mais forte, mais eu.

A Morte

A morte é tão certa… acredito que é uma das poucas certezas da vida.

Ela vai chegar. E não há como escapar. A não ser nos filmes fantásticos…

Mesmo assim, sabendo que é o fim certo de todas as coisas vivas, quando ela chega… bem, ela rasga o peito, abre um vazio no chão, distorce a razão, embaralha os sentidos, emputece.

Sim, eu estou puta da vida por ter perdido um grande amigo da vida inteira.

534049_10150704482167921_1056830447_nNem lembro como a gente se conheceu. Foi antes da faculdade, antes de 1991. E mesmo que nossos encontros, ultimamente, fossem esporádicos, Tony era um amigo certo – daqueles poucos que a gente sabe que pode contar pra tudo na vida. Até esconder um corpo.

Vivemos dias incríveis! Ou melhor, noites! Porque o Tony era O Senhor da noite. Conheci boates ótimas, festas badaladas e muitas pessoas bacanas!

Foi com o Tony o meu primeiro porre de saquê, de Jack Daniel’s e de absinto, que ele servia em um ritual à green fairy.

170298_497537292920_5237799_oFoi com ele também que fui a todos os dias de Free Jazz Festival. Alguns de Rock in Rio, muitos do antigo Canecão, Joe Satriani, Simple Red, e tanto outros que nem me lembro. (Como ele amava os shows!).

No meu aniversário, em 2004 (ou seria 2003?), ele levou meus melhores amigos para passarem o feriado comigo em Búzios (na época, eu trabalhava lá!), organizou banquetes e muitas bebedeiras. Foi ótimo.

Foi o Tony quem me apresentou aos melhores DJs do Rio de Janeiro – uma turma de amigos que guardo no coração até hoje.

Ah! Foi por conta do Tony, e do Rafa, que conheci o amor da minha vida, e vivi uma paixão avassaladora que deixou brasas no meu peito ardendo até hoje. A paixão se descobriu platônica. E o namorado, um dos meus melhores amigos.

Como presente de 41 anos, ele me deu o México! Foram 13 dias mágicos entre Acapulco, Los Cabos e Cidade do México. Conversávamos por horas a fio, brigamos (claro!), rimos, ficamos bêbados de Mezcal. Mergulhamos no Pacífico. Subimos as pirâmides do Sol e da Lua (até a metade, porque faltou ar!!!).

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A morte chegou antes do tempo para o Tony. Por mais que ele tenha vivido tudo intensamente, exageradamente, nababescamente.

Era para ele ser um velhote chato e surdo, que conta e reconta as histórias mais fantásticas de todos os tempo.

Mas não vai ser.

Acabou.

Restou a saudade… até as lembranças o tempo e a idade vão deixando pelo caminho.

Mas a saudade ninguém vai arrancar do meu peito.

Vai na paz, querido. Um dia, a gente se reencontra.

Esqueci de mastigar

Hoje me dei conta: não sei mastigar. Ou melhor, desaprendi.

E esse é um fenômeno que se alastra por algumas áreas da minha vida.

Não mastigo a comida. Como rápido, mal sinto o gosto, ou mesmo saboreio as garfadas. É a pressa, digo pra mim mesma.

Não mastigo as informações. Engulo todos os conteúdos que acho pelo caminho, tentando digerir o que aprendo – já no estômago, é verdade.

Não acredito que isso seja algo que esteja acontecendo só comigo. Também não quero colocar na fogueira todos a minha volta. Apenas percebo que isso é fruto de um estilo de vida insustentável que cozinhamos, ansiosos, na tentativa de…  de que mesmo???

Hoje, devorando a macarronada (sou louca por pasta!) que fiz às pressas, a ficha caiu.

Tá na hora de parar, respirar e voltar ao ponto onde eu, simplesmente, tentava descobrir todos os ingredientes usados para temperar aquilo que, lentamente, eu saboreava. (Nem preciso completar de que isso vale para tudo, não é mesmo?!) 😉

macarronada

Photo by Stuart Miles, published on 20 August 2011. Stock Photo – image ID: 10053865

Paz

Hoje, eu andei pelo Leblon.

Andei de uma maneira descompromissada, sem expectativas ou hora marcada.

E me esqueci da vida.

Enquanto adentrava pelas ruas do Leblon, mais fundo ia em mim mesma.

E assim, de dentro, vi a vida mais leve, me encontrei no silêncio d’alma. Aquele silêncio mágico que tudo diz.

– Não era pesado como os silêncios que precedem os esporros. Nem denso como as calmarias antes das tempestades.

Era tranquilo. E isso me bastou.

paz

Senhora censura

Para tudo o que pensava ou dizia, ouvia: isso não pode.

Rascunhava alguns traços, umas letras. Combinava coisas, bolava caminhos diferentes. Criava teorias desconcertantes. E lá estava ela, imperiosa, a balançar a cabeça impedindo o avanço. Aquela senhora, dona de toda a verdade, continuava em sua cola, a lhe cobrar compostura e razão. Continue lendo “Senhora censura”