Eu sonhei com o mar

Hoje pela manhã, entre um sono e a preguiça de acordar, sonhei com o mar. Um mar tão azul, tão incrivelmente azul, que tive vontade de mergulhar da minha janela. Um forte vento leste varria a calçada e as areias, revelando uma vegetação que eu não imaginava existir – verde, enfim, por baixo da branca e fina areia. Do alto do sétimo andar, eu observava aquele mágico mar a se transformar sob meu olhar. E, num piscar, ele invade meu quarto, pela fresta da janela que não pude fechar. Acordei, então.

Acredito que sonhos trazem respostas. É certo que em uma linguagem que precisa ser decifrada, desembaralhada, interpretada, trabalhada [e não digo olhar num dicionário!]. Este meu sonho doido traz mil símbolos, todos interessantes e cheios de significados para mim. Mas isto é tudo o que eu vou dividir…

A mulher sentimental

Redundâncias incontidas extrapolam para a tela do meu computador. Como falar de mulheres sem falar de sentimentos? Somos inseparáveis. Aliás: mulheres são feitas de sentimento, assim como suspiros são de açúcar!

Pelo menos, ela era. Não somos todas, afinal?

Mas, seus quereres eram coloridos, quase sempre, pelas mais fortes das emoções. Sempre foi assim. O tempo só fez apurar tanto sentir.

Com palavras, pintava cenas que bem poderiam ter saído de uma tela de Frida Khalo ou de um filme de Almodóvar. Especializou-se nas cores sentimentais, carregadas de vermelho visceral.

Intensa. É assim que gostava de ser. E da vida queria o que havia de mais quente, mais apimentado: queria tempero! Porque não podia acordar todos os dias para uma existência morna, plácida, medíocre. Queria ápices.

Na ilusão de construir seu castelo azeitado, ela perdeu todas as chances de saborear uma vida plena. Deixou passar a lição de que a felicidade está na média de todos os dias, no caminho do meio. Mal sabia ela que o clímax ardentemente desejado encerraria as cortinas daquele espetáculo, no exato momento em que a mocinha fechasse os olhos.

Eu ainda procuro por aquele que acalmará as marés de dentro de mim. E essa minha busca tem trilha sonora…

For The First Time
Rod Stewart

Are those your eyes
Is that your smile
I’ve been looking at you forever
Yet I never saw you before

Are these your hands
Holding mine
Now I wonder how
I could have been so blind

(Chorus)
For the first time
I am looking in your eyes
For the first time
I’m seeing who you are
Can’t believe how much I see
When you’re looking back at me
Now I understand what love is, love is
For the first time

Can this be real
Can this be true
Am I the person I was this morning
And are you the same you

It’s all so strange
How can it be
And all along this love
Was right in front of me

(Chorus)

Such a long time ago
I had given up on finding
This emotion ever again
But you’re here with me now
Yes I’ve found you some how
And I’ve never been so sure

(Chorus)

For the first time

Se fosse…

Se fosse uma flor – gérbera
Se fosse um
brinquedo – boneca
Se fosse um
mês – setembro
Se fosse uma
brincadeira – mímica
Se fosse uma nota
musical – sol
Se fosse uma
cor – vermelho
Se fosse um
filme – Barbarela
Se fosse um
feriado – ano-novo
Se fosse uma
comida – cuscuz marroquino
Se fosse uma
bebida – champanhe
Se fosse um
disco – Gotan Project
Se fosse uma
música – Glory Box
Se fosse um
dia da semana – quarta-feira
Se fosse um
periférico do PC – webcam
Se fosse um
doce – maçã-do-amor
Se fosse um
programa de TV – novela
Se fosse um
canal de TV – GNT
Se fosse um
cômodo da casa – cozinha
Se fosse um
instrumento – gaita
Se fosse um
objeto – luminária
Se fosse uma
árvore – cajueiro
Se fosse uma
fruta – morango
Se fosse uma
paisagem – recife de corais
Se fosse um
bicho – cachorro
Se fosse um
lugar – Galápagos
Se fosse uma
estação do ano – primavera
Se fosse uma
frase feita – “Posso ser quem eu quiser, e posso mudar de idéia, por Bia Quadros.
Se fosse uma
peça de roupa – T-shirt
Se fosse um
elemento da natureza – Fogo
Se fosse um
objeto motorizado – Harley Davidson
Se fosse um
aparelho eletrônico – celular
Se fosse uma
pessoa da sua família – eu
Se fosse um
sentimento – saudade
Se fosse um
perfume – Hot
Se fosse um
livro – o que ainda vou escrever
Se fosse uma
conquista – o mundo
Se fosse uma
parte do corpo – pés
Se fosse uma
pedra – opala
Se fosse uma
dúvida – hum?
Se fosse uma
marca – Gucci
Se fosse um
eletrodoméstico – multiprocessador
Se fosse um
jogo – pôquer

Li e gostei. Agora, me deparo com algo parecido no livro que estou a ler, do delicioso Agualusa, As mulheres do meu pai. Voltei no Blog da Rachel e roubei. Taí.

Resposta aos navegantes

[Esta é uma resposta aos meu dois queridos leitores]

Pensava em uma trilha sonora para este post… [eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar] Mas achei que seria óbvio demais.

Parei 20 dias. Vinte dias riscados no calendário [mas sempre imaginando riscar a parede…]. Vinte dias corridos sem precisar pensar em cliente, chefe, texto, dead-line-briefing-call-to-action. Vinte dias sem ligar o computador!!! [tudo bem, mas liguei – em alguns poucos momentos – o meu notebook].

Questionei muita coisa. Repensei outras tantas. Encontrei poucas respostas. Mas estou satisfeita. O saldo foi positivo. Fim de férias, dois novos livros para ler. Um workshop para terminar e aí me preparar para a melhor fase: dar aulas!

No meio disso tudo, encontrar tempo de qualidade para a família, João – o príncipe-herdeiro, Terça-Santa [o encontro da mulherada], Chopp de quinta [papo semanal com a amiga-gêmea e agregados], encontrar um namorido [super-importante, by the way!], ler blog-interessantérrimos e deliciosos, atualizar o meu… Ufa! Haja fôlego.

Estou de volta. Caótica como sempre, bem-humorada como nunca!

Panorama meu, de todos os dias


Essa panorâmica sempre foi admirada. Estou em casa!
E, da janela da sala, respiro espaço aberto, um pouco de verde, um tanto de céu e muitas outras janelas.

Quem não tem colírio…

Adoro óculos escuros. Quem me conhece bem sabe! Este par é da Rennas, outra amiga-gêmea, que comprou exatamente o que eu queria, mas deixei passar…

Dou as caras por aqui, numa fotita até simpática, mas o texto é de poucos amigos. Estou ácida demais hoje para escrever poesia-pôrno-erótica-romântica. Ou então teria que assumir o lado calçada da vida – o que não é da minha catiguria… lucubrações assim eu deixo para outro dia. Combinado?

Sempre tive dedo-na-cara a me dizer que uso óculos cor-de-rosa. Eu até admito e faço a mea culpa: tendo ao pensamento positivo – o lado bom das coisas – mas não abstraio o que não-deu-certo.

Vejo um mundo de impunidades. Pessoas que pensam passar a perna nos outros. Crimes-do-nada-por-coisa-alguma. E por isso vou aceitar que o mundo é isso aí e não tem jeito?

Pior é me ater a detalhes e desconsiderar o todo só porque eu não concordo com aquele-específico-detalhe-cabeça-de-alfinete!!!

Preciso exemplificar?!

Estava curiosa sobre uma série dentro do Fantástico. O Mundo de Valentina me cativou. E preocupou. No último episódio da série, Gabriel resolve fazer uma experiência para constatar o volume de lixo produzido em um mês inteiro. Sob o olhar de desaprovação de Franciele, o lixo cresce. Achei interessantíssimo ele ter feito isso [porque eu jamais faria, com medo das baratas!]. Infelizmente, todo o discurso-questionamento de Gabriel vai por água abaixo só por causa desta experiência. Uma pessoa [que vai continuar no anonimato] que assistia o documentário ao meu lado parou no detalhe acúmulo-de-lixo e questionou a sanidade do rapaz. Todo o resto foi descartado por ela não concordar com a sandice de guarda lixo. Pode? Os ouvidos se tamparam instantaneamente!!! E qualquer discursão a respeito era refutada com a frase: – onde já se viu guardar lixo?!. Vai entender…

Eu uso óculos cor-de-rosa. Se enxergar a vida como um processo contínuo que pode mudar para melhor é usar lentes coloridas, então é fato: eu uso. E recomendo.

Minha porção Eva

Uma tentação, não é mesmo?

Eu que fiz. É, não me olhe com essa cara de espanto! Eu fiz, com minhas próprias mãos [e sem ajuda!] todas essas maçãs-do-amor aí da foto. Exercitei minha porção Eva. Deixei aflorar meus mais doces instintos e criei, uma por uma, essas deliciosas maçãs-do-amor.

Ficou com água na boca, não é mesmo?

Pois deveria. Elas estão DE-LI-CI-O-SAS. A cozinha é, pra mim, um laboratório de alquimia, um lugar mágico. Embora nem todos acreditem, eu amo cozinhar – porque descobri que posso criar diferentes estados alterados de consciência. Posso seduzir. Emocionar. Saciar. E posso até matar…

Minha porção Eva está toda feliz. Voltei às origens.
Mais uma vez vou seduzir com a maçã.

Borboletas no estômago


A expressão [so cute] é uma das minhas preferidas. Não porque eu esteja sempre com borboletas no estômago. Mas, justo pelo contrário. Sinto a falta delas. E só agora me dei conta.

Como tenho saudade de ter na barriga um montão de borboletas a farfalhar sandices românticas com o bater de suas mil asas!

Sinto-me uma nostálgica do futuro. [Deixa eu explicar, e você verá que é simples e mais comum do que pensa]. Eu simplesmente sinto saudade do que não aconteceu. Ainda. Uma falta de tudo o que eu poderia viver e ainda não experimentei, ainda não degustei, ainda não apreciei.

Não falo apenas dos relacionamentos amorosos. Aqui, eu falo da Vida. Falo da vida efervescente como fonte de água gasosa em eterno borbulhar – champanhe – é disso que eu falo e sinto muita [muita!] falta. Porque a vida é bela sim. E pede brindes de cristal [o copo e a bebida!] por uma tarde de sol fresco como a de hoje, dia de Lagoa com leves ondas incessantes no seu espelho, e olhares plácidos pela janela.

É lógico que sinto saudade das minhas borboletas baterem suas asas por um amor-com-pegada-vem-cá-Bebel. Também sinto falta disso – e como! Mas essas borboletas são arredias, quase selvagens, e não aparecem por qualquer-motivo-em-qualquer-florzinha-de-jardim.

Enquanto não tenho essas asas deliciosas a congestionar meus sentidos, acho que vou bebericar champanhe e ver a vida desfilar felinamente leve diante meus olhos crédulos. Porque eu sinto falta, mas não sou tola para deixar de ver a beleza que espreita este inverno-querendo-ser-primavera.

Dia desses, as borboletas voltam a farfalhar no meu jardim.
Elas sempre retornam.

Lulus Rules

Querido diário, ontem saí com umas amigas. Anna, Rennas, Patty e eu [a única a não ter letra dupla!] passamos horas a falar mulherices…

Se eu contasse tudo o que nós, mulheres, conversamos, você – definitivamente – ficaria encabulado. Porque é verdade: mulheres falam muitas besteiras quando estão juntas. Vou negar pra quê? O papo começa com amenidades e sempre [sempre] descamba. Mas nunca falamos futilidades!

Mulheres falam de sentimento. Mesmo que o assunto em voga seja a falta dele. Conversamos sobre tudo o que nos faz sentir – sobre aquele modelito na vitrine fashion, o jantar de ontem à noite, o carinha da semana passada, sobre chefes e clientes, e até mesmo sobre o grande amor de nossas vidas. Não há assunto-tabu. Não há tema predileto – porque o descambo é inevitável – então, TODOS os temas levam ao mesmo lugar.

O papo de mulher nem sempre é igual. Não radicalize, nem generalize. Você vai se enganar. Embora a gente sempre fale de sentimentos, o papo entre amigas é um. Com colegas de trabalho, outro completamente diferente. Entre mulheres que se encontram no cabeleireiro, então, nem se comenta. A habilidade de verbalização e a extensa lista de palavras que conhecemos – e dominamos – fazem o assunto render e se desdobrar em diversas direções. Cada papo é O Papo. E como apenas 7% da comunicação é a palavra escolhida, por mais que falemos sobre as mesmas coisas, nunca falaremos AS MESMAS COISAS. A diferença está nos 93% que nossa personalidade única imprime na comunicação. Entendeu?

Mulheres adoram falar [!]. Amam mais ainda falar besteiras. E como é rico nosso papo! São caras e bocas dignas do Oscar. Entonações que mudam completamente o significado da palavra. E, quando entre amigas de verdade, uma telepatia de fazer inveja! Basta um olharzinho de lado e já traduzimos parágrafos completos!

Muitas vezes, um papo entre amigas é mais produtivo do que meses de terapia!

Por tudo isso eu guardo alguns dias Santos – não troco [por quase nada!] os encontros com minhas amigas. Tudo começou com a Terça-Santa – uma vez por mês nos encontramos num bar da zona sul carioca. O garçon, Genésio, faz cara de armário todas as vezes que pesca um assunto-descambado! [É o máximo]. Semanalmente tem o Chopp de Quinta, quando encontro a amiga-gêmea pra colocar o papo em dia. Ela é de Petrópolis, e sempre traz amigos para um interessante rodízio de idéias. Agora, acabei de instituir o Lulus Rules, nas tardes livres de domingo. O dia light é pra esconder o mais científico encontro de amigas. Este pode até dar livro, de tão fundamental que é!

Incautos, mulherices à parte, Lulus Rules é bomba-atômica-pimenta-malagueta.

Aguardem. Doces frutos serão aqui publicados.

Eu quero uma Matilde pra mim…

Recebi um desafio. E dos grandes, pelo que deu pra perceber até então… desafio gostoso, sabe? Daqueles que, quando conquistados, estufam o nosso peito. Mas não sei não. Ainda tenho dúvidas. Mas quando imagino os olhos de Leninha, pendurada na cintura de Matilde, girando pela casa, dá vontade de gritar: eu topo!

Conheci Leninha há pouco, mas sua visão de mundo – particular das crianças com poucos anos – me cativou. Esqueci da singularidade das palavras infantis. João, meu filho, ainda não fala frases inteiras, apesar de conversarmos horas a fio… Acredito que João vai gostar de Leninha.

Até os meus vinte e pouquinhos, olhava os de mais de trinta com certa desconfiança e encantamento. Achava que lá, eu desvendaria mistérios, entenderia das dores d’alma e teria me curado das paixões. Naquela época, eu acreditava que ao trinta anos eu teria CERTEZAS.

Então, ao conhecer Helena Maria e suas indagações, vejo que – no fundo – não mudamos muito. As marcas no rosto, a pele um pouco mais flácida, uns fios brancos mostram que o tempo passou. Mas as certezas que eu esperava ter, ainda não mandaram notícias. Ou eu não cresci, ou perdi alguma coisa…

Dá pra desenhar, pra ver se eu entendo melhor?

Síndrome de Alice

Escrever é, pra mim, um grande remédio – daqueles que a gente tem que tomar pro resto da vida, sabe? Pois é… Aí fico semanas, dias a fio, sem desenhar uma só letrinha [escrever por obrigação profissional não vale!!!]. Quase tenho tremedeiras…

Sinto-me como Alice. Perdida toca-do-coelho-abaixo sem saber onde acaba esta minha estranha história… Tudo parece tão absurdo! E, no meio deste non-sense todo, só penso em voltar pra casa.

O que será que Lewis Carroll bebeu pra imaginar algo tão lisérgico, tão deliciosamente-insano, como o País das Maravilhas?

Depois que desci pela toca-do-coelho, me pergunto como fazer diferente, já que – ao voltar – nunca mais serei a mesma, ainda que retorne exatamente ao mesmo ponto. Estranho? Nem tanto. A minha curiosidade me levou a lugares que jamais pensei existir! Sei bem dos tormentos de Carroll – embora não passe nem pela calçada, com medo de me achar lá dentro… se é que você me entende.

E não é que queira voltar. Estou bem aqui. Mas é que a possibilidade de não-poder-voltar me assusta mais do que a de seguir em frente. [Afff… lôca-de-pedra!].

Mas não é isso que quase todo mundo sente? Esse medinho-besta de seguir, mas sem querer fechar a porta atrás da gente – vai que eu resolva voltar? O que é isso, se não uma insegurança-da-porra [desculpa, mas o palavrão cabe muito bem aqui!]. É esse pensamento doido que me faz temer o novo e credita toda a segurança em algo que não me vale mais nada – mesmo com o título de propriedade ou algo parecido.

E assim é com quase tudo – dos relacionamentos aos empregos – a cada mudança, um abalo sísmico.

Quero é me largar aos encantamentos não-planejados. E me surpreender pelo caminho.

Regras pra Bem-Viver

O pensador russo Guerdjef traçou 20 regras de vida, destacadas pelo Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.

Dizem os especialistas em comportamento que basta assimilar 10 delas para aprender a viver com qualidade.

1 – Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, converse com alguém e analise suas atitudes.

2 – Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3 – Planeje seu dia, sim – mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4 – Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5 – Pare de pensar, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6 – Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos.

7 – Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8 – Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9 – Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que isso é o máximo a se conseguir na vida.

10 – Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11 – Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12 – Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso – a trava do movimento e da busca.

13 – É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de 100 Km. Não adianta estar mais longe.

14 – Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15 – Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16 – Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17 – A rigidez é boa na pedra, não no ser humano. A ele cabe firmeza.

18 – Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19 – Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

20 – Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer.

Ai-ai… Nem vou comentar.

Procure o enquadramento perfeito

Desta vida, quero só a melhor parte.

Procuro o ângulo, aquele que me mostrará algo que nunca vi. Porta entre-aberta a exibir um mundo quase perfeito, feito instantâneo e, emoldurado, pendurado, eternizado, na parede será troféu de caça.

Posted by Picasa capturei um dos meus melhores dias: na Lagoa, o fim de tarde é divino.

Lá fora está chovendo

Acordei com o barulho da chuva na minha varanda. A mistura de terra e asfalto molhados, com um toque de árvores lavadas, tem um cheiro inconfundível. Respiro fundo para absorver o dia inteiro, todos os sonhos que tive, mas não me lembro, todos os amores que já foram, os que virão, e Ele – o eleito senhor-de-mim.

Em dias assim, sinto falta de um montão de coisas que eu mesma deixei de lado.

Nesses dias chuvosos, as lágrimas nas janelas choram em silêncio por mim. Porque eu acho bonito aquele choro silencioso cheio de lágrimas que escorrem quietas e ligeiras, meio nascente, rápidas, sabe? E acho intrigante essa nostalgia que me arrebata nos dias de chuva. Não é tristeza pura e simples – é The Blues. Quero ouvir todas as que mais gosto – as que rasgam a alma. Se me perguntarem, não sei nome, data ou qualquer outra informação – tudo isso porque eu sinto a música. E quando tento racionalizar e explicar em palavras, The Blues se vai e minha alma fica num silêncio denso. Aí, prefiro nem falar nada: só fecho os olhos e sinto. Não é tristeza mortal, comum, explicável – é The Blues que me consome, e divino, e esplêndido, e imaculado, lava e escorre lágrimas nas janelas.

Eu sorrio de leve. Leve, quase flutuando, sorrio. The Blues me deixa em paz. E as janelas que choram emprestam uma beleza singular ao meu dia.

Posted by Picasa * fotos de hoje, a caminho da agência…

Igual, mas diferente

Escrevo não como exercício barato de exibicionismo. Mas para ver se consigo me livrar de mim, e deixar toda essa efervescência de idéias desconexas escorrer de mim. Para que todos esses pensamentos insanos saiam como fumaça, por um buraco aberto na minha cabeça pelo ponto-final que colocarei numa frase qualquer.

As minhas histórias abrem as portas de um mundo onde sou única. E mesmo que outros tantos escrevam variações sobre o mesmo tema, minhas palavras são inéditas. Imprimo minhas digitais em cada linha, me exponho nas entrelinhas. Mesmo que o sujeito seja outro: sou eu quem você lê. Invento o que eu poderia ser. Até nas minhas mentiras há um pouco de mim. Porque a minha maior fantasia é ser diferente de tudo o que você já imaginou.

Escrevo para criar um novo paradigma, para dar um brilho diferente a toda essa mesmice, para me tirar dessa normalidade monocromática. Porque, no fundo, no fundo, todos nós temos as mesmas inseguranças, as mesmas angústias. Nem os quereres mudam, ou devaneios. E eu preciso, igualzinho a você, me destacar nessa multidão rodriguiana, para não me sentir tão burra, tão bege, tão normal, tão igual.

Aí, desembesto a escrever palavras sem sentido, mas que quando leio no final, até que entendo direitinho: sou igual a todo o mundo.

Meu velho tênis

Hoje acordei meio Forest Gump. Não no sentido de contar histórias, o que já faço todos os dias. Mas com aquela vontade louca de andar, de usar meu velho tênis-de-corrida-que-não-combina-com-nada-do-meu-armário.

Logo imaginei várias andanças. Ainda de olhos fechados, percorri caminhos, passei por muitas árvores, subi encostas, desci pirambeiras. Até senti um ar fresco nos cabelos e o geladinho da areia sob os pés, na beira da praia. Respirei fundo. Nesta hora, me enchi com toda a vida do mundo. Senti passar pelos meus pulmões, as histórias que nunca vou escrever.

Ficou na boca um gostinho-de-quero-mais.

Levantei atrasada. Tenho certeza de que não descansei com o sono, mas que ganhei energia com este daydream.

As janelas da minha vida

Você lembra que sou fissurada em janelas, não é mesmo? Pois então…

 

Das janelas da vida, vislumbro idéias . Pontos espalhados por aí, como naquela brincadeira, entro no jogo e ligo um a um, imaginando o que vai dar – ainda não sei ao certo – não me preocupo. Estou me divertindo.

 

Uma janela se abre. E outra. Mais uma…

 

Essas deliciosas janelas foram clicadas por um amigo virtual lá de Minas, o Alessandro Bastos. Gostei tanto que pedi pra colocar na parede. Antes de ganhar moldura, ela ganha este espaço aqui.

Meus 36 anos

Antes, eu queria escrever algo impressionante. Linhas de tirar o fôlego, palavras justas. Daquelas que não há como trocar por outras: perdem o significado e a beleza. Escrever O Texto, sem tirar, nem pôr. Intocável, até por um acerto de vírgulas.

Pensava, talvez assim, passar a vida a limpo, reescrevendo minha história. Não porque vivi o que não quis. Mas por não ter feito tudo o que pude.

Aos 36 anos vivo numa encruzilhada. O corpo sente como nunca. A cabeça pensa que é jovem. A sociedade cobra como sempre. E eu, no meio de tudo isto, estancada pela quantidade das velas no bolo, me pergunto onde está o espelho da madrasta, na ânsia por saber se há alguém mais boba do que eu.

Há tempos estou em busca do perfeito. Sempre procurando, ou fugindo do efeito da inércia diante da paúra de enfrentar ajustes e críticas. Sem querer encarar a humanidade do imperfeito – a minha humanidade imperfeita.

Agora, me dou conta. Que imperfeita vida levei, até chegar aqui! Muitas vezes, aos trancos e barrancos, à beira do precipício mesmo. Outras tantas, dentro da linha limítrofe da sanidade. Mas nunca pasteurizada. Jamais bege. Esta é a minha glória.

Isto porque busquei identidade. Camaleônica, voraz, inconseqüente. Fui ao encontro de mim, separando joio de trigo. Por anos me perdi em caminhos labirínticos, sinuosos, intrincados. É que por dentro, estava fragmentada.

Busquei juízo. Encontrei riso. E ao me duplicar, fiz nascer das entranhas homem-menino, carne de mim, que vai andar por aí em suas pernas, pensar sozinho, crescer pro mundo.
Nele sou perfeita.

Da minha janela

Dá pra pensar em alguma outra coisa?
Trabalho no que gosto, num lugar muito legal, com uma vista dessas…
E eu ainda fico pensando na vida.

Vai pra janela, vai!

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