Braguinha sabia das coisas

Porque hoje já é carnaval...


Chiquita bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica

Não usa vestido, não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda razão
Só faz o que manda o seu coração.

Tô me sentindo a própria!

Ouço você

Ele chegou de mansinho,
calmo, com seu jeito de menino,
olhar vivo e curioso

Ele falou da vida
cantou baixinho
flertou comigo

Ontem, ouvi um “Eu te amo”
com gosto doce de morangos maduros.

Paixão nascente, eu sei.

Repete baixinho, vai… isso é música para os meus ouvidos.

Cuidado: P.O.I.S.O.N.


Palavras bonitas, muitas vezes, são venenos disfarçados.

Ontem, ouvi um “Eu te amo”
O gosto amargo lembrava amêndoas.

Cianureto, agora eu sei.

Desceu queimando, goela abaixo.
Aniquilando sonhos possíveis.

Carete de amor,
acreditei naquelas palavras…
Íons CN mataram minha realidade desenhada.

Eu não sou reativa

Certa vez, acompanhava um amigo à banca de jornal. Meu amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente mas, como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, meu amigo sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro. Quando descemos pela rua, perguntei:

– Ele sempre te trata com tanta grosseria?
– Sim, infelizmente é sempre assim.
– E você é sempre tão polido e amigável com ele?
– Sim, sou.
– Por que você é tão educado, já que ele é tão inamistoso com você?
Porque não quero que ele decida como eu devo agir.

[Não é o ambiente que nos transforma, mas nós que transformamos o ambiente].

Adaptação do original de John Powell.

Mudei.

Eu já estava acostumada com os velhos caminhos. [Todo dia ela faz tudo sempre igual…] Eu sabia das cores e dos cheiros e das sombras daquelas ruas que eu sempre atravessava. Conhecia as folhas nas calçadas, as janelas abertas, as portarias da avenida. Já conseguia prever os futuros vincos nos rostos que cruzavam meu caminho sem dizer bom-dia. Há tempos era tudo igual. Da mesma maneira eu seguia a vida, ignorava alguns desvios, inventava outros. Até ontem.

Dormi diferente. Acordei em um novo mundo, posso dizer. As caixas ainda estão lá. Mas a alma…

Hoje pela manhã, os barulhos eram outros. Até a luz era diferente. Sei que é um momento de transição. Muita coisa vai mudar ainda mais. Com certeza já posso dizer: estou ansiosa pelo que vem por aí.

Hoje pela manhã, os poucos segundos que me separavam do outro lado da calçada passaram em horas. Na cabeça, tantos pensamentos… meu ritmo é outro. Assim como as paisagens.

Hoje pela manhã, meu futuro começou novamente.

De que cor?

Qual a cor da felicidade?
Pra mim, é de todas as cores…
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2008

Nada de por quê? quem sabe, talvez um dia.
2008 é pra ser AGORA. Now. Djá!
A pergunta é: por que não? E se a resposta só tiver um se não. Vai fundo. Porque é melhor aprender, acertar e até errar – FAZENDO – do que passar o resto da vida se torturando por não ter tentado.

Carta aberta ao Papai Noel

Papai Noel, este é o TOP 10 das coisinhas que quero de presente. Não é uma lista fechada: você pode escolher outros presentes, exercer sua criatividade, me trazer várias surpresas… só não vale viajar na maionese.

Livros

1. The Beatles – A Biografia, Bob Spitz. Ed.Larousse

2. Vale Tudo – Tim Maia, Nelson Motta. Ed. Objetiva.

3. Einstein – Sua Vida, Seu Universo, Walter Isaacson. Ed.

4. 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer Lisma Ediciones.

5. Série Arthur (Volumes 1 e 2), Artur e a Guerra dos Dois Mundos; Arthur e a Vingança de Maltazard; Arthur e os Minimoys; Arthur e a Cidade Proibida. Todos de Luc Besson. Ed.Martins Fontes.

6. O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues, de Ruy Castro. Ed.Companhia das Letras. E todos os títulos do Nelson editados pela Nova Fronteira, Ed.Agir e Ediouro.

7. Jogando Por Pizza, John Grisham. Ed.Rocco.

8. Historia Universal da Infâmia; O Livro dos Seres Imaginários; Manual de Zoologia Fantástica. Todos de Jorge Luiz Borges.

9. Mario Vargas Llosa (já li Travessuras da Menina Má!)

10. Gabriel Garcia Marques (já li Cem Anos de Solidão!)

CDs

1. Garlands, Cocteau Twins – (Importado)

2. Country Side of Elvis (Duplo) Elvis Presley (Importado)

3. Live at the Blue Note, Duke Ellington (Importado)

4. Box Café Del Mar 1980-2005: 25th Anniversary (3CDs) (importado)

5. The Beatles – 1962 – 1966

6. The Beatles – 1967 – 1970

7. Momento (Digipack), Bebel Gilberto

8. Samba Meu. Maria Rita.

9. Sim. Vanessa da Mata.

10. Queen Collection

Roupitchas e Acessórios

(dessas marcas, gosto de quase tudo)

1. Farm

2. Xsite

3. New Order

4. Via Mia

5. Leloo

6. Ecletic

7. Redley

8. L’Occitane

9. Zara

10. Sementeira

Pode deixar que vou caprichar na ceia de Natal…

Vou preparar um verdadeiro banquete pra você!

A cabeça não pára…

Não é falta de assunto…
é tempo curto pra tanta novidade.

Ao que tudo indica, 2008 vai fazer uma (R) evolução na minha vida.
E aquele castelo que contruí vai por terra. Melhor assim.
Novas bases pra crescer além do imaginado.

Vem coisa boa por aí.

Desejo

“Eu não quero a faca e o queijo,

eu quero a fome.”*

Adélia Prado

Como uma frase tão curta pode causar um impacto tão profundo? Desde que a li, esta afirmação ecoa na minha cabeça oca. A voz que só eu conheço constrói – nas entrelinhas – um mundo inteirinho. As respostas. Sei que lá estão. Mas só ouço o eco.

Eu quero a fome…

quero a fome…

a fome…

fome.

* Esta veio lá do Terapia da Palavra, da amigagêmea Rachel… e ainda tem muito mais.

 

Curioso

Dezembro está aí, batendo a nossa porta. Fim de ano traz uma sensação de revisão. Pelo menos pra mim. Tenho a necessidade de rever, limpar e renovar conceitos, roupas no armário, livros na estante, papéis do bagunçado arquivo que mantenho… até amizades.
Em dezembro eu faço um balanço da vida. Passo os olhos em tudo o que aconteceu, repenso os erros, pra extrair o máximo de aprendizado da coisa. [Persistir no erro é algo que não posso mais fazer]. Dezembro também é tempo de planejar novas metas. É essa vocação de fechar o ciclo que o mês de dezembro tem, sabe? Então…

Eu quero cultivar aquele olhar curioso de quando era criança!
E tenho toda inspiração de que preciso logo ali, pertinho, na minha casa… João é uma fonte viva que me faz renascer todos os dias.

Tá na hora de fazer a listinha das metas,
o meu To Do List pra 2008:

Quero cuidar mais de mim – da saúde, do coração, do psicológico.
Quero estar mais forte e segura. E mais magra.
Quero passar mais tempo com o meu filhote.
Quero mais horas de “qualidade” com a minha família.
Quero cuidar da minha casa. Construir o meu lar, doce lar.
Quero uma grande paixão pra sacudir o ano.
Quero estar mais próxima dos amigos.
Quero ser mais amiga dos meus amigos.
Quero fazer novos amigos.
Quero outras fontes de renda.
Quero montar o “tal” clube. [em breve eu conto.]
Quero colocar meu workshop pra funcionar! Ou melhor: dar movimento à criatividade!
Quero viajar mais.
Quero rir mais vezes ao dia.
Quero meditar.
Quero fazer ginástica. Cansei de ser sedentária.
Quero sair mais. Andar mais. [preciso sair da toca!]

[a lista ainda vai crescer… e muito!]

E o seu To Do List pro ano novo, já fez???

Minhas fantasias

Fantasia é o que não me falta. Sejam as megalomaníacas [ganhar sozinha na mega sena] ou as de amor romântico [fazer amor sob as estrelas, em um iate em alto mar], tenho fantasias ilimitadas pra todos os gostos, ocasiões, companhias, níveis de exposição e constrangimento.

Antes, eu precisava fechar os olhos e me deixar levar – ficava horas a criar uma cena perfeita, digna de ser vivida. Imaginava aromas, cores, texturas, temperatura… Com o passar dos anos, evoluí. Agora basta dar uma pequenina corda. Já saio por aí a fantasiar as mais insólitas cenas. Ou algumas cotidianas-mulherices.

  • Fantasio que o entregador de pizza será lindo e, ao abrir a porta, ele ficará arrebatado pelos meus lindos olhos verdes. [quando o coitado chega, mal levanto os olhos – não sei se por vergonha do que imaginei, ou medo de ser verdade].
  • Fantasio que ele vai chegar logo e declarar que não pode mais viver sem mim… que, aliás, nem sabe como viveu tanto tempo longe.
  • Fantasio chegar ao trabalho, entrar decidida na sala do meu chefe e pedir demissão. Esta mesma fantasia tem um discurso inflamado dele, do chefe!, dizendo que isso é impossível porque sou a alma da agência! E termina com uma bela oferta de aumento.
  • Fantasio dar de cara com um bilhete premiado da loteria, ou que sonho com os seis números que me trarão meus muitos primeiros milhões. Ou ainda que acho uma mala de grife abarrotada de EUROS!!!
  • Fantasio ser uma diva desportiva, que salta de asa delta, pára-quedas, faz kite, anda de skate, é descolada e ainda viaja pelo mundo inteiro atrás da aventura mais radical da vida.
  • Fantasio comer quilos de palha italiana das japonesinhas da feira de Ipanema e não engordar um grama se quer. Ao contrário, secar e ficar com a barriga lisinha que sempre imagino ter.

Por falar nisso…

  • Fantasio emagrecer os quilinhos que ganhei na gravidez sem alterar em nada minha rotina. Tipo secar toda a gordurinha com a toalha de banho mega-ultra-blaster que tenho lá em casa.
  • Fantasio ser uma cozinheira de mão-cheia, daquelas Cordon Bleu, ou seguidoras de Ferran Adrià, sem nunca ter freqüentado qualquer escola, curso ou cozinha.
  • Fantasio ser escritora, quando na verdade, nem redatora me considero.

Bem, estas são as publicáveis. Enfim… Ultimamente, uso fantasias para me divertir. O dia fica mais leve, o humor mais agridoce, os olhos mais brilhantes. E tenho transformado muitas delas em realidade. [é nesse momento que elas ficam ainda melhores].

E as suas… quais são as suas fantasias???

Ebulição

Um touro, ao mais leve aceno da toalha vermelha, parte em fúria cega na direção do toureiro…

A impotência que sinto ao me ver perdendo o auto-controle é tanta que gera raiva, faz ferver o sangue e cegar a visão. Viro bicho. Perco a razão. E assim, sem voz, espumando, não tenho como rebater a fraca e incongruente argumentação. Os pensamentos ficam enevoados, distantes, desconexos. A voz aumenta vários tons, instintivamente – como se pudesse ganhar no grito.

Quando tudo passa – porque tudo passa, vem o arrependimento. Não por ter comprado a briga, mas por ter sido fraca e imatura para arcar com as conseqüências. Este é um erro que já cometi n vezes. [Erro não, burrice. Errar tantas vezes assim, não é possível…]

Imaturidade minha.

Isso tá ficando chato.

Um certo perfume no ar

Tem um tempo, mas me lembro como se fosse ontem. Eu já estava acordando, naquele estado de sonolência, cheia de preguiça, num sábado com gosto de domingo. Eu nada lembrava do sonho, apenas daquele aviso sussurrado sei lá por quem: não se esqueça, seu perfume é bergamota. E a voz repete pausadamente: Ber-ga-mo-ta. Acordei de vez. O aviso ficou lá, ecoando na mente, engraçado e profético. De onde tirei o tal perfume de bergamota? Mesmo porque eu não me deparo com bergamotas por onde passo… eu nem sei o que é bergamota!

Ainda meio entorpecida, como se ainda sonhasse, pego o Caderno Ela pra ler durante o café da manhã. BERGAMOTA. Tenho certeza de que li bergamota no meio de um texto qualquer naquele jornal. E lá estava ela, a tal bergamota, nota de saída, a cabeça do novo perfume Chanel.

Hoje, vindo pra agência, vejo na banca uma revista sobre perfumes. Uma das minhas paixões. Confesso que meu fraco é um cheirinho floral, levemente cítrico, mas com uma nota de fundo marcante, densa. Gosto de deixar um leve rastro. Algo muito sutil, que marca presença, sem nada impor…

A revista, uma edição especial da L’Officiel, é um guia completo com história, classificação, ingredientes e análise de 409 fragrâncias, organizadas por famílias olfativas. Nem preciso dizer que amei minha aquisição. Aí descubro um montão de perfumes que têm a bergamota como nota de saída. Aliás, fiquei sabendo o que é uma nota de saída!

Há quem prefira o cheiro da pele saída do banho. Eu sei. Em dias de verão, esse pode ser um afrodisíaco irresistível. Muitas vezes não uso perfume. Só o cheirinho de sabonete glicerinado, daqueles de bebê, sem fragrância alguma. Mas, um perfume diz muito sobre a nossa personalidade. Pra mim, é um acessório, um detalhe que completa a produção. E, assim, nada mais justo do que ter perfumes pra cada dia, humor, estilo.

Os meus, quase todos têm bergamota. Não pelo aviso, mas porque descobri ser esta a minha preferência.

Acqua Fresca, O Boticário. 1977.
Notas de saída: bergamota, limão siciliano e agulhas de pinho
Notas de coração: flor de laranjeira, jasmim, lavanda, alecrim
Notas de fundo: musgo de carvalho, cedro, almíscar, patchuli
Indicada para mulheres dinâmicas, extrovertidas e que agem com otmismo e afirmação.

Angel, Thierry Mugler. 1992.
Nota de saída: bergamota
Notas de coração: amora, mel e frutas vermelhas
Notas de fundo: patchuli, cumarina, baunilha, caramelo e chocolate
Pioneiro nas fragrâncias gourmand, aquelas que dão água na boca. É marcante e sedutora.

Gucci Rush, Gucci. 1999. (acho que o único que não tem bergamota!)
Notas de saída: frésia, gardência, cardamomo
Notas de coração: jasmim, rosa e pêssego
Notas de fundo: patchuli, vetiver, musk e baunilha
Superencorpada, expressa a atração irresistível impulsiva por outra pessoa, como o amor à primeira vista, intenso e físico.

212, Carolina Herrera.1997.
Notas de saída: bergamota, flor de laranjeira, mandarim
Notas de coração: camélia, gardênia e lírio
Notas de fundo: musk transparente
Para a mulher moderna e ativa, pronta pra qualquer situação.

Empório Armani Lei, Empório Armani. 1998.
Notas de saída: bergamota, cardamomo, angélica, mandarina
Notas de coração: heliotrópio, jasmim
Notas de fundo: baunilha, cedro, musk, sândalo
Com personalidade, sensual, marcante e femino.

Nesta lista faltam alguns prediletos, mas estes eu não conto.
A surpresa também faz parte do meu show…

O umbigo do mundo


Nunca me senti confortável com a teoria dos “papéis” representados vida a fora. Porque, pra mim, representar um papel é arte da fraude consentida. É o engano pensado e construído. Daí eu não gostar quando falam dos diversos papéis que representamos: filha, esposa, empregada, patroa, mãe, irmã, amiga, amante, e muitos outros… Não que eu seja contra a dramaturgia. Até me saio muito bem nas caras e bocas.

Vocês que me desculpem, mas troquei o nome: ao invés de papéis, falo de mundos paralelos. Gosto mais desta idéia. Deixe-me explicá-la.

Quando estou na agência (eu trabalho com marketing direto), meu mundo tem uma vibração interessante e diferente de qualquer outro. Temos um jeito diferente de falar, quase um dialeto. O pensamento tem ritmo próprio, hiperlinkado mesmo – pelo menos o meu. As horas voam e o tempo passado é o mais usado: tudo é pra ontem.

Já quando estou com o João, meu príncipe-herdeiro, ou com minha deliciosa família Adams, quase não precisamos de palavras – o olhar fala mais alto. Não que a gente fique mudo… mas não é preciso. Se falamos, usamos mais as sensações. Há mais calor neste mundo. Mais aconchego. Mais tolerância aos erros. Aqui o tempo é mágico: as horas correm em determinados dias. Em outros, ela se arrasta vagarosamente, amorosamente, deliciosamente.

Entre as amigas da Terça-Santa, meu mundo é outro. É agitado, de um jeito muito peculiar. Tem Genésio, o garçom-parede que nada ouve, ou se escuta, faz cara de não-tô-nem-aí. Este meu mundo é frenético, ávido por diversão, riso e gaiatice.

Estes mundos paralelos coabitam o mesmo universo, onde a linha do tempo está entrelaçada. E em comum, todos têm a mim. Eu sou o umbigo do mundo. Dos meus mundos.

[no fundo, dá no mesmo: papéis ou mundos paralelos, quem se importa? Eu tenho um segredo pra revelar: meus mundos paralelos vão se multiplicar em breve. Ou, se você assim prefere, uma nova peça entrará em cartaz].

* A foto veio daqui: clique. *

Burrice de outro mundo

Minha diversão, ultimamente, é pesquisar tendências. O que sei é que não tenho tempo hábil para administrar tantas coisas ao mesmo tempo. E com essa minha inaptidão totalmente humana, vejo que a burrice é coisa de outro mundo.

Enjoy it.

Pano pra manga…

Tudo começou como uma brincadeira de criança: quero ser professora.

Fiz muitas explanações no meu quarto, cercada de um monte de bonecas atentas, até chegar ao magistério. Foram horas de estágio, três anos de aulas de filosofia e pedagogia e didática e gramática pra, enfim, me formar professora! Isso tudo, lá no finalzinho dos anos 80…

De lá pra cá, a sala de aula ficou na memória e na vontade.

Um belo dia, a vontade começou a se avolumar – crescendo até aqui, ó! E as palavras foram parar no papel. Montei a apostila do workshop que pretendo ministrar. Ou, na moderna acepção da palavra facilitar: do qual serei facilitadora. Até que foi fácil esquematizar a apostila, que virou um caderno de exercício…

O assunto escolhido é algo instigante: criatividade. E ao mesmo tempo, inesgotável.

A todo momento descubro novas coisas pra acrescentar, discutir, desmembrar, agregar… ufa!

Com certeza, posso afirmar: pra mim, mais difícil do que iniciar um processo do nada, é dá-lo como concluído.

* Esta última frase não é coincidência: veio do texto logo aí embaixo!!! Ele, sim, é pano pra manga…

A paixão


Este é um momento confessionário. Aqui vou escrever palavras verdadeiras e não quero – digo: NÃO QUERO – que você as use contra mim.

A roda da fortuna nunca pára de girar. Mesmo que na menor velocidade possível, ela está sempre em constante movimento. Ainda bem. A linearidade traz uma certa mediocridade, não é mesmo? Altos e baixos, essa diametral oposição de sentimentos tem lá seu valor. Crescemos. Evoluímos. Ao menos não criamos limo!

(Não. Este não é um texto-ode à tão em voga bipolaridade! Ou pelo menos não era até eu chegar neste ponto… Já aconteceu de você sentar pra escrever aquele texto que estava prontinho na sua cabeça e, no momento exato de teclar as letrinhas, tudo mudar? As palavras são caprichosas. Pelo menos as minhas! Muitas vezes não há santo que me faça voltar ao que estava pensando! O texto digitado é outro, e não aquele que planejava escrever. Ai! Vai entender esses desígnios do inconsciente!!! Rachel, talvez eu precise da Terapia da Palavra com urgência!)

Voltando à tal roda. O que eu queria dizer é que, nos últimos meses, a minha girou beeemmm devagar. Cheguei a pensar que ela pararia a qualquer momento. Um belo dia, não sei precisar, acordei diferente. Ou fui dormir – sei lá.

Imitei Narciso, me apaixonei por minha imagem no espelho. Descobri novos contornos. Algumas rugas. Vi acender novamente o brilho no olhar. Mergulhei em mim. Posso usar muitas metáforas para contar este recomeço. O certo é que volto à tona, cheia de novas idéias. Só os quereres são os mesmos.

Já estava na hora de me reinventar, afinal!

* Foto: é só digitar Narciso no Google que aparece! *

As minhas exigências

Não que eu esteja sem-palavras. Ao contrário. Uma profusão de idéias borbulham incessantemente na cabeça. Mas é só eu abrir a boca pra todas fugirem rápidas, sem nem deixar rastro. Eu bem que tentei gravar essa fuga insana. Mas, perdi todo o sentido – o que se ouve é um farfalhar de palavras desconexas.

Confesso que sou a primeira: em tudo “me sou” super-mega-extra-blaster exigido.

Viver plenamente, por Clarice Lispector
“Eu disse a uma amiga:
– A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
– Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

Quando o Tempo me toma…

Ando pensando sobre o Tempo. Indagações filosóficas, até. Outras, de tão práticas, chegam a ser chatas. Um misto de nostalgia, saudade, preocupação, leveza, fantasia… são tantos os sentimentos misturados, que ainda não cheguei a uma conclusão sequer.

Aos 36 anos, o que fiz da minha vida?

Olho no espelho e vejo alguém tão jovem, tão imatura! Alguém que ainda tem uma vida inteira pela frente. Que precisa aprender a ser paciente. Mais incisiva. Determinada, porém leve.

Olho pra dentro e enxergo alguém tão impulsiva a ponto de ser a mais infantil criatura da face da terra! Cresça! É o imperativo que mais me ouço dizer.

Olho pra trás e… Penso que poderia ter feito mais. Construído coisas de fato. Plantei árvores, é verdade. Só imaginei o livro que quero escrever. Multipliquei-me e de mim veio João.

Olho pra frente e ainda não consigo pré-ver o caminho. (O que é perfeitamente natural, o que quero dizer é que não tenho um plano. Nem de Previdência Privada, que faça os dias porvir um pouco mais coloridos.)

Nessas horas, implico com minha impulsividade.

Mas, não é ela mesma a minha maior marca de espontaneidade?

Queria escrever sobre algo que li na Revista de domingo, d’O Globo. Acho que Martha Medeiros escreveu sobre a “pior vontade de viver”. Pra pegar a fonte correta, joguei no Google e (re)descobri Clarice. Tomo as palavras dela. Agora são minhas também.

Clarice Lispector por ela mesma:
o temperamento impulsivo.

Organizado por Pedro Karp Vasquez.


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. […] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”