Uma lacuna na minha história

Preciso dizer do susto que levei ao me dar conta do tantão de tempo sem escrever por aqui. O blog era para ser um diário, semanário talvez, mas não ter esse espaço todo entre uma postagem e outra. Sem querer apontar culpados, foi o Insta quem me roubou a atenção. Pronto, falei.

Escrevo este post sem nenhum planejamento, direto no WP, sem rascunho ou outra organização dos meus pensamentos (tá um caos aqui dentro!).

É que recebi um email do meu provedor, avisando da manutenção dos sistemas e da troca de qualquer coisa por lá. E que eu não deveria me preocupar, eles me avisariam quando tudo estivesse finalizado. (A Mindnet é um excelente provedor, recomendo!). Foi aí que me bateu o desespero: preciso atualizar meu blog!

E cá estou, mais uma vez… confesso que essas lacunas são frequentes. Mais do que eu gostaria, é verdade. Mas lá vou eu me programar para ser mais constante, prometo.

Para guardar o registro, vou fazer um apanhado de coisas importantes que aconteceram nesse período. Rever a vida é bem interessante e traz uns insights poderosos.

No mais, é organizar o recap, postar pra posteridade e seguir em frente.

Você vem comigo?

Para falar de amor

Para deixar as coisas mais leves, com aquela sensaçãozinha de coração quente, quero provocar o amor! Quero propor que a gente escreva textos de amor, seja um parágrafo para o amor da sua vida, para você mesmo ou para quem ainda vai chegar. Pode ser uma carta, ou um poema, uma rima, um conto… um conselho aos apaixonados. Que seja aquilo que tocar seu coração. 

E se você publicar e me marcar, eu vou mesmo amar. 

Reescrevendo a história

No livro Um Novo Mundo é Possível, editado pela Bambual Editora, a autora, Adriana Hack, fala como a visão carregada de valores europeus suporta a visão colonizadora e racista que ainda está presente nos nossos dias, na maioria das sociedades modernas. Uma visão que influência a própria maneira como nossa história é contada (pág. 139).

Pensando nisso, proponho como exercício reescrevermos alguma história já  conhecida (ou um trecho dela) a partir de um novo ponto de vista.

Pode ser a história dos três porquinhos a partir da visão do Lobo, ou do curió que observava tudo de uma árvore. Pode ser a partir do ponto de vista do herdeiro de um dos porquinhos, que conta a história de implicância das duas famílias… Ou a história da chegada das caravelas a partir dos povos originários. 

Ou até mesmo uma história da sua família, agora contada no Globo Reporter, ou na novela das nove… 

Você entendeu o espírito da coisa, né? Entonces, mãos à obra!

Lista de palavras

Que conto pode sair de uma pequena lista de palavras obrigatórias? Quantas possibilidades de histórias? Infinitas! Penso eu…

Não sei como, nem em que ordem, mas o texto dessa semana TEM QUE TER todas essas sete palavras:

Lista: Ganso, estojo, avenida, cumbuca, aurora, megalópole, vicissitudes.

Nem precisa ser um conto longo. Um mínimo de 10 linhas, a três parágrafos. 

Bora colocar as ideias no papel?

E me marca, porque quero muito ler sua criação!

Escrita automática

A gente faz um esforço danado para sair do piloto automático da vida e assumir o aqui e agora, com toda a presença possível, não é? E agora eu venho sugerir que para destravar a sua criatividade nada melhor do que a técnica surrealista proposta por André de Breton em 1927 da escrita automática. 

Isso mesmo: escrita au-to-má-ti-ca.

É o seguinte: respira fundo, pega papel e lápis, ou caneta, respira fundo de novo e vai – solta o pensamento no papel. TUDO o que vier à mente. Nem se preocupe em ler o que está escrito. Se joga! Também não se preocupe com ortografia ou regras gramaticais – vale tudo. Escreva o que vier à cabeça, o mais rápido possível, sem filtro. Apenas escreva por um tempo determinado (uns 20 minutos, ou quatro páginas, por exemplo). Se rolar algum bloqueio, escreva sobre esse bloqueio – não pare! 

É normal a gente escrever coisas estranhas, sem muito sentido aparente, frases soltas, ou díspares. Tá tudo bem! Com a prática, a gente vai desenrolando esse novelo e os textos acabam por sairem quase prontos, com um ponto de vista original, sincero e criativo!

Eu uso essa técnica para escrever meu diário, pela manhã. Tenho alguns cadernos guardados, repletos de textos feitos sem filtro, sem regra. A única regra imposta é escrever quatro páginas sem pensar. 

Vamos nessa?

A árvore

A árvore mais “majestosa” do condomínio sempre me chamou a atenção.

Ela fica num morrinho, de difícil acesso pra sedentária que sou, mas sempre que passo por ela, me imagino sentada à sua sombra.

Ela me inspira sabedoria. Como uma anciã que detém o conhecimento do mundo, os segredos da vida que os apressados não conseguem captar.

Sua sombra tem gosto de calmaria, de domingo à tarde, de abraço de avó.

Quero, um dia, quem sabe, inspirar noutras pessoas algo próximo disso… e velhinha, olhar para trás e sorrir para a semente dessa árvore que germinou em mim.

❤️

O brilho e a imperfeição

Ah, o brilho! Adoro!

Dizem por aí que quem vê close não vê corre. Ou para sermos gentis com todos, já que não sabemos as batalhas internas de cada um…

Brincando com a câmera na textura brilhosa da minha necessaire, descubro mais uma foto-metáfora!

Repare que, no destaque abaixo, conseguimos ver as imperfeições, as marcas de uso e do tempo, as falhas.

Mas nada disso tira o brilho e a beleza da minha bolsinha.

No fundo (mas nem sempre), todos nós temos as nossas questões, dores, sombras. Damos o nosso melhor, fazemos acontecer e seguimos. E tá tudo bem – não precisamos nos abrir com todo mundo, nem com qualquer um.

Mas não deixe que as coisas daí de dentro, ó 🫀🧠, fiquem pesadas demais para carregar – peça ajuda.

Esse é um post-it para que eu me lembre quando precisar. Talvez ele sirva pra você também!

Autenticidade e efetividade

Pensei numa imagem para ilustrar a frase “tudo o que você faz com autenticidade é mais efetivo”, mas 1) fiquei com preguiça de abrir o Canva; 2) amei essa foto.

Venho, ao longo dos anos buscando me reconhecer, entender as mudanças inexoráveis e me posicionar de maneira consciente na minha vida – o tal do protagonismo.

E isso, pra mim, não tem fórmulas, (desconfio que pra ninguém!) apesar da resposta ser muito clichezona: busque sua essência; seja aquela que você deveria ser e não quem os outros dizem ser…

Seja autêntica!

E aqui, digníssima pessoa que me lê agora, cabe sim minha selfie bonitona porque coloco a cara no sol pra dizer que não é fácil, não é uma chave que a gente vira e pronto, ou um interruptor que ligamos e agora-vai: é PRO-CES-SO, é construção diária, é solitária (eu-comigo-mesma) e coletiva (nós enquanto seres sociais).

Não dá pra ser autêntica copiando os outros, mas dá pra aprendermos juntas, com troca, com gentileza, com afeto…

Clio, a Musa inspiradora

Clio, a Musa da História e da Criatividade, que ilustra esse post, lhe faz um convite: repense seus padrões!

Quando eu lhe peço que pense em uma pessoa criativa, que tipo de imagem lhe vem à mente?

Como essa pessoa se parece? O que ela veste, como se comporta? O que ela lê? O que ela faz?!

Você se imaginou?

Pensou em um conhecido ou alguém distante, com quem você não tem contato?

Daí, outra pergunta: Criatividade é um privilégio de que tipo de pessoa?

Porque uma coisa é certa: TODO MUNDO É CRIATIVO! (Basta a gente não limitar o tipo de criatividade de que estamos falando…).

Em menor ou maior grau, direcionado a um estilo ou outro, repito: todo mundo é criativo!

Às vezes, o que nos trava é uma crença limitante. Um pensamento que está fora de contexto, e que não nos serve mais.

Já parou pra pensar nisso?!

Imagem: abusadas intervenções (no Canva) sobre Clio, óleo sobre tela, de 1689, do pintor francês Pierre Mignard, do acervo do Museu de Belas Artes de Budapeste.

O Flâneur

Sabe esse olhar curioso do turista?

Esse passear pelas ruas com um olhar atento e despretensioso, ao mesmo tempo, descobrindo detalhes que passam despercebidos para a maioria dos transeuntes da cidade tem um nome pomposo: é o Flâneur!

O verbo flanar, do francês, pode ser traduzido como passear, e mais que isso: é o caminhar sem pressa, abandonando-se à impressão e ao espetáculo do momento.

O sociólogo Walter Benjamin baseou-se na poesia de Charles Baudelaire, e levou o flâneur para a Academia, transformando-o em objeto de estudo e um emblemático arquétipo da experiência moderna.

Ter esse olhar de turista é manter desperta a curiosidade pela vida, e transformar uma simples ida à padaria em uma experiência prazerosa. É estar presente no momento, saindo do piloto automático que o ritmo frenético da cidade nos impõe.

Ser flâneur é se deliciar com a vida e tudo o que ela nos oferece, sem pressa, com alma.

🐝 Esse post foi inspirado em uma conversa com a Débora Figueiredo, que me contava sobre uma frase dita em algum lugar, que ela tomou para a sua vida. E era a exata descrição do Flâneur – essa figura que amo e procuro incorporar no meu dia a dia.

Agora me conta: quando e como você “incorpora” o flâneur?

A grama do vizinho é sempre mais verde?

É óbvio, mas precisa ser repetido:

Comparação leva à frustração.

O que a gente vê é uma fração da realidade, nem sempre nua e crua – cada vez mais editada e modificada (a AI chegou pra sacudir nossa percepção!).

Então, vale como autolembrete, vale como aviso de amiga: não se compare com ninguém, a não ser com sua versão anterior.

Como a intenção é evoluirmos, nos aprimorar, a comparação com quem já fomos no passado é um bom termômetro.

De resto, considere que a grama do vizinho pode ser sintética!

Aprender a aprender

Falemos de empatia…

Somente enfrentando a complexidade de tantas diferenças entrelaçadas será possível progredir em harmonia.

No capítulo nove, do livro Sonho Manifesto, Sidarta Ribeiro nos convida a aprender a aprender. Diz o que muitos de nós já sabemos: “quase tudo o que se aprende com desprazer e monotonia dura pouco tempo na mente das pessoas. O que permanece por muito tempo é o que é aprendido com prazer e curiosidade.” (Pág. 138).

Sidarta cita Paulo Freire, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, Flavia Soares, Carolina Maria de Jesus, Machado de Assis, Lima Barreto, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, W.E.B. Du Bois entre outros (isso num só capítulo!). Tantos pontos de vista para chamar a atenção para a empatia – embora não use muito essa palavra; para que vejamos a realidade com outros olhos e exercitemos ativamente essa coisa chamada alteridade.

Alteridade é diferente de subjetividade. Enquanto esta fala sobre a nossa experiência interna, o nosso olhar, a alteridade é sobre outro. É reconhecer esse outro e suas idiossincrasias. É ver o outro em suas diferenças, suas esquisitices, seus medos, sonhos, afetos, crenças.

E aprender com ele: “nessa troca cultural contra-hegemônica, o encontro dos diferentes propicia enorme energia potencial para a cura das unilateralidade”.

Tédio & Criatividade

Você sabe a ligação entre tédio e criatividade?

“Dez anos atrás, no trabalho, mudávamos nosso foco a cada três minutos. Agora, isso ocorre a cada 45 segundos, e fazemos isso o dia todo. A pessoa comum checa e-mails 74 vezes por dia, e muda de tarefa em seu computador 566 vezes por dia”, diz Manoush Zomorodi, na sua TEDTalk “Como o tédio pode nos levar às ideias mais brilhantes” (já linkado para o www.ted.com – e com legendas em Português!).

Estamos ocupados demais, sempre fazendo algo, ou checando aleatoriamente nosso smartphone, e não suportamos o tédio.

Tendemos a nos ver como multitarefas, quando na verdade, esgotamos nossas energias ao pular de tarefa em tarefa, mudando sistematicamente o foco entre essas muitas ações.

Limitações e tédio despertam em nós a nossa capacidade criativa – quanto mais restrições, mais inovadora é a solução.

Então, algumas provocações:

– Reduza o uso do seu telefone, se preciso, guarde-o por algumas horas.
– Desligue as notificações enquanto faz suas tarefas, lê um livro ou vê um filme.
– Apague aquela app que lhe distrai durante o dia.
– Analise o relatório de uso do seu telefone e veja onde “a coisa” pega!

Não há garantias!

Tenho pensado muito no ato da presença. E praticado estar no aqui e agora.

Isso nem sempre é fácil!

A cabeça cobra mil coisas a fazer, repensa outras tantas já feitas, questiona minhas decisões.

Mas a prática tem me trazido para esse lugar confortável, onde tudo o que tenho é o agora.

São momentos de conexão comigo mesma, de alegria e leveza.

Se algo tem solução, não é um problema. Se não tem, não há o que fazer.

Com isso, libero espaço na mente para fazer o que deve ser feito: a prática, o trabalho, o agora.

O dia passa mais leve, cada coisa ao seu tempo, sem sobrecargas.

É possível.
É no seu tempo.
É prática.

Como têm sido os seus dias?

…………………………..

O tempo que gastamos nos preocupando é, de fato, o tempo que gastamos na tentativa de controlar algo fora do nosso controle.

O tempo investido em algo sob o nosso controle é chamado de trabalho. Nosso foco mais produtivo está justamente aí.

👉 A citação foi retirada da página 101, do livro A Prática, de Seth Godin, traduzido por Carlos Bacci, pela Alta Books Editora.

Confiar no processo

A gente sabe que a tentativa de controlar eventos externos é frustração na certa, não é mesmo? (E por que insistimos nisso?).

E mais: esperar uma garantia de sucesso antes de começar alguma coisa, é colocar uma pedra sobre qualquer iniciativa!

Aqui, nossa alternativa é confiar no processo, trabalhar com generosidade e propósito, e aceitar tanto os bons quanto os maus resultados, como reforça Seth Godin no seu novo livro A Prática (com tradução de Carlos Bacci, pela Alta Books Editora).

Confiar no processo é saber que fazemos nosso melhor. É estar presente no agora. É cuidar dos detalhes. É dedicação.

Agora, me conte: quando bate aquela dúvida, o que lhe traz de volta ao processo?

A porta

O homem atravessa uma sala e para diante da porta fechada. Além dela pode estar o abismo. Ou a escada que busca. Com a mão na maçaneta, o homem se imobiliza, sem coragem para abrir, sem desprendimento para renunciar.

Marina Colasanti, em Hora de alimentar serpentes, página 181, pela Global Editora.

No workshop sobre escrita criativa que fiz, ainda em Portugal, com Mia Couto e José Eduardo Agualusa, falamos sobre inspiração para escrevermos. Foi quando Agualusa diz se inspirar lendo poesia.

Pra mim, os curtos contos deste livro de Marina Colasanti soam como poesia – breves e profundos, destrancam aqui qualquer coisa e fazem da escrita uma urgência. Preciso colocar no papel todo o afeto que me impacta o peito.

Ler é viver outras vidas, mas também é mergulhar em si mesmo.

Como revisar seu texto

Você já sentiu a frustração de fazer o post perfeito, com uma imagem linda, cores fantásticas, texto incrível e… um baita erro de português?

Fuén…

Eu já!

Confesso que sou a especialista em trocar letras, comer palavras, esquecer a pontuação.

Como evitar isso?

Revisando o texto antes de publicá-lo!

(Spoiler: isso também vai servir para nos certificarmos de que a ideia está bem explicadinha!)

1. Releia seu texto em voz alta
2. Releia seu texto, dividindo as sílabas – para ter certeza de que está tudo correto!
3. Na dúvida sobre a grafia de determinada palavra, procure-a no dicionário.
4. Repetiu várias vezes a mesma palavra? Escolha um sinônimo.
5. Não tem certeza se a vírgula está no lugar certo, certifique-se de que ela não está entre o sujeito e o verbo da frase – esse é o pior erro; os outros são de menor poder destrutivo!
6. Lembre-se: a crase só aparece frente à palavras femininas. Trocá-la por AO nos ajuda a perceber se sua colocação está correta (por exemplo: frente AO adjetivo no feminino – tá vendo? Por isso usei a crase ali em cima!).
7. Já falei para reler seu texto? Vale repetir isso algumas vezes!

Se mesmo assim um errinho passar, relaxe: não é o fim do mundo.

Na próxima vez, você vai ter cuidado redobado. Oops… redobrado!

Técnica de escrita: costurando seu conteúdo

No meu tempo de redatora publicitária (escrevi algumas revistas para uma operadora de telefonia móvel, todas cheia de regras e textos legais), eu recebia um briefing (um documento que traduzia a expectativa do meu cliente) com todas as informações que deveriam estar no meu texto. E, normalmente, era informação demais, complicada demais, chata demais!

Como eu transformava aquela sopa de letrinhas em um texto informativo e agradável de ser lido? (Lembre-se era pra uma revista, não um manual!).

Eu “pescava” as informações que eram necessárias estar no texto – as mais importantes! – e as digitava num documento Word. Ali eu colocava “o que”, “porque”, “como”, “quando”, “quanto”, “onde”… e então eu as costurava para que fizessem sentido!

Esse “costurar” é acrescentar as palavras que vão ligar aquelas informações, as transformando em uma bonita colcha de retalhos – quer dizer, em um texto agradável de ser lido.

Desta forma, eu não me perdia no meio da informação, nem corria o risco de deixar de fora algo do que era importante.

Você pode fazer o mesmo com o seu conteúdo: faça uma lista do que precisa ser dito, e só então comece a escrever seu texto.

Conhecia essa técnica? Conta aqui nos comentários como é que você faz… 

Dê o primeiro passo

Por maior que seja seu objetivo, ele começa com um passo.

Um passinho, pessoa!

Pequenino, não maior que suas pernas (caso seja, o dívida em dois ou três passos!). Percebeu?

Essa imagem vale também pra lembrar que atingir seu objetivo é um processo! Passo após passo… é um caminhar, uma jornada.

Aprenda a apreciar o processo, e a alegria da conquista vai se antecipar e permear todo o caminho, antes mesmo da sua concretização.

(Bem melhor do viver na suspensão da ansiedade, né?!)

Apreciação é a palavra-chave!