Pára tudo!

Estava lá, no meu iGoogle…

Procuro estar antenada com tudo o que acontece por aí, que mal tenho tempo pra acompanhar as novidades. O meu maior medo: ficar ultrapassada. Tem vezes que penso ser uma esponja, por absorver conhecimento de todas as fontes – mais pareço a Rádio Relógio com o seu pontuado “você sabia?”… informação útil para tudo o que é futilidade.

E a tal Síndrome da Urgência, identificada por Covey, que me consome? Raios!

Pra minha sorte, na minha rede também cai pílulas de pausa – esse texto foi quase um sossega-leão, pra dizer a verdade. Dizem ser do rabino Nilton Bonder, mas não consegui atestar sua autoria. Vale do mesmo jeito. Pelo menos, pra mim!

Domingos precisam de feriado

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta de trabalho, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.

A noite é pausa,
o inverno é pausa,
mesmo a morte é pausa.

Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de ‘pausa’ é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão.

O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia.

Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo…

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme.

As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.

Mas, as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.

As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado…

Nossos namorados querem ‘ficar’, trocando o ‘ser’ pelo ‘estar’.

Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.

Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco.
Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos…

Parar não é interromper.
Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair – literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.

A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande ‘radical livre’ que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Sobre a singularidade na pluralidade

Um ensaio pseudo-filosófico.

Cheguei a uma conclusão. De tão diferentes e únicas, somos todas parecidas – quase iguais, pra ser bem sincera. Tudo bem. Você pode preferir azul, gostar mais de salgado, odiar pimenta e se deixar levar por um cheirinho mais adocicado. Prefere homem só um tantinho assim mais alto do que você? E um loirinho te chama mais a atenção? Ok. Nestas preferências somos bem diferentes.

Mas, quando falo da vida, quando escrevo o que – lá no fundo – me importa, encanta, assusta e estarrece, você concorda comigo. E ainda tem gente que diz ter lido seus próprios pensamentos.

Esta é minha teoria da singularidade na pluralidade. Somos tantas e tão iguais! Queremos as mesmas coisas. Temos os mesmos valores. Oscilamos em proporções. Na média matemática – onde os números não mentem jamais – somos estatisticamente parecidas. Muito mais parecidas do que gostaríamos.

Qual foi a mulher que nunca, num primeiro ou segundo encontro, ouviu aquele cara declarar que seu-olhar-é-uma-coisa-de-louco-que-o-tira-do-sério?

Um diálogo assim não está tão longe da vida como ela é:
– pára, vai… não faz assim.
– o quê? O que eu fiz? – diz ela, meio inocente.
– pára de me olhar assim. Declara ele, meio perturbado.
– assim como? Esse é o meu olhar normal…
– não brinca, vai… quando você me olha assim, chego a ficar tonto.

Neste momento, um pensamento devastador passa pela cabecinha de vento da nossa mocinha: se eu não estou fazendo nada e ele está assim, tonto, imagina quando eu usar o meu-olhar?!

Agora sim, ela tem a certeza de que seu olhar magnético é maior arma de sedução. E capricha nas voltas e reviravoltas dos semi-cerrados olhos lascivo – de glóbulos oculares à ogivas nucleares.

Ahhh… com você é um jeito de mexer nos cabelos, virando delicadamente o pescoço na direção dele? Seria aquela mordidinha no lábio? Uma passadinha de língua pelo canto da boca? Ou então o jeito particular de morder – distraidamente – o cantinho da unha, o canudinho, ou seja lá o que for!

Bem-vinda ao clube. Somos mesmo todas iguais.

Encantadas pela lábia masculina. Eles nos dão o poder, e envaidecidas, caímos na armadilha de sedução deles – nos entregamos e acreditamos [nem sempre] que desta vez vai ser diferente. Enfim encontramos O Cara.

Vaidade é nosso pecado.

E assim, muito parecidas, somos imensamente diferentes. Singular, na verdade. Até mesmo nas mais idênticas situações.

No meu mundo particular, minha desinência plural se encerra nas muitas mulheres que brinco ser. E neste caso, somente pra ele.

  • Esse olhar eu vi aqui. *

Lady Luck

Não sou uma pessoa cética. Acho que nem seguidora de São Tomé eu sou! Talvez seja influência do meu signo – peixes – ou ainda uma introjeção. Vai saber?!

É fato que adoro a companhia de Lady Luck. Vejo pequenos sinais em todos os cantos. Dê um desconto: não sou das chatas de antolhos. Sei que posso construir coincidências metafísicas capazes de ligar qualquer grupo de fatos, pessoas ou objetos. Mas, vamos combinar? É muito mais divertido – e leve! – ver o lado bom das coisas. Acreditar que é possível já é quase a metade da solução de qualquer problema.

Se a sua vida não é simples, problema seu! De complexo, já basta o menu do meu celular. Prefiro seguir assim e rir-me das cotidianices do que amarrar uma carranca [e, acredite, quando fecho a cara, a coisa fica feia!].

Lady Luck está de braços dados com o meu bom-humor.

E assim, o sol volta a brilhar.

O Pequeno Príncipe

Vocês podem até pensar que estou com crise de Miss ou algo parecido… Que nada. Eu explico: uma amiga vai ganhar um sobrinho e anda cheia de lindas idéias para receber o mais novo integrante da família. Eu bem sei como é isso. Quando ganhei João, meu filho e príncipe-herdeiro, foi a mesma coisa…

A Rê escolheu O Pequeno Príncipe como tema para todas as coisinhas que vai preparar para o Tomás – do Chá de Bebê ao quartinho! E cá estou cercada de Saint-Exupéry por todos os lados – convites, adesivos,TAGS de lembrancinhas.

Entre um job e outro, reli [Ui, 26 anos depois!] o livrinho, que de raso e infantil muito pouco – ou nada – tem!!! Estou encantada como as Misses. E se tiver que responder meu livro de cabeceira, direi sem pestanejar: O Pequeno Príncipe.

Como é linda e profunda a história. Tinha me esquecido completamente. Em quase todos os parágrafos fui catapultada para o passado em frente a TV. Gene Wilder com aquele sorriso maroto de Raposa ainda mora no meu inconsciente. A cobra, eu a apaguei da lembrança! Doeu demais vê-la seduzir o Pequeno e lhe roubar os sonhos – ou era assim que eu imaginava, no passado, do alto dos meus 9 ou 10 anos de idade. Fui inocente a interpretar o fim. E confesso: a voz doce de Aldamária Mesquita [dubladora do Pequeno Príncipe] ainda ecoa na minha mente com suas constantes indagações “Que é…?”

 

(…) Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…(…)


Taí. Gostei do meu momento Miss. Agora volto mais leve para os tantos outros livros que ainda preciso ler. É certo que ficou um pouco do romantismo-raposiano. Quem sabe, entre uma página e outra nos tantos cafés que freqüento por aí, não encontro alguém que me cative?!

Quero, quero, quero, quero… EU QUERO!

Eu quero!

Quero ser pornográfica, incontida, impulsiva. Quero ser selvagem.

E quero ser sempre assim: essa é a minha meta.

Não quero dar satisfação a ninguém. Não quero prestar contas senão a mim mesma.

Quero fantasiar cenas tórridas com qualquer estranho.

Quero desejar seu sexo a todo instante. Fantasiar coisas sem sentido.

Quero ter a voracidade no olhar, a volúpia na pele e te devorar a todo o instante.

Quero ser indecente, devassa.

Quero ser uma mulher de Nelson Rodrigues. E de João, de Carlos, de Manoel, de Felipe, de Daniel… e de todos os homens que cruzarem o meu caminho.

Quero ter você impresso na minha retina.

Quero seu gozo gravado na minha memória.

Quero suas unhas na minha carne.

Quero gozar um gozo novo a cada dia.

Quero ser vouyer. Quero ser exibicionista.

Quero ser diferente.

Quero ser a melhor.

Quero ser a única.

Quero ser santa.

Quero ser puta.

Quero ser sua.

Já que hoje é dia dos namorados,
declaro minhas intenções:
eu quero!

A foto busquei em São Google.

A vida que segue

Hoje acordei nostálgica. Aliás, fui dormir assim.

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Fui buscar referências do que um dia fui… achei este e muitos outros escritos. Deu vontade de colar aqui:

A vida que segue

Um dia, falava a algum conhecido sobre as delícias dos cafés que agora ocupam as calçadas do Leblon, invadindo assim a minha vida. Morro sem eles.

Fim de tarde, pessoas queridas ou a companhia de um livro. É sempre um passatempo agradável: boa comida, grandes amigos, um naco de cultura.

Mas, o que gosto mesmo é ouvir a vida que passa.

Adoro sentar sozinha em um desses cafés e observar os tipos que vagam e divagam pelas ruas, apressados pra algum compromisso, preguiçosos a caminhar sem destino. E ouvir fragmentos da vida alheia. Como isso é bom! Pesco uma frase, uma confissão, rasgos de uma discussão… e depois construo histórias inteiras acerca desses pequenos parágrafos roubados.

Então, mania explicada, volto àquele dia da conversa sobre as delícias.

Apesar da pressa, não deixei passar a cena: um casal, na faixa dos 65 anos, almoço após bateria de exames e encontros com médicos. Câncer foi o diagnóstico. E pelo tom, poucos meses de vida. Nada de lágrimas. A atitude era de luta e coragem. Entre garfadas, as mãos se encontravam por cima da mesa. De frente um para o outro, os olhares transmitiam força. Depois do café, e quase na hora da minha volta à agência, percebi o marido fugir com o olhar, e dizer com a voz embargada: é, querida, se me fosse dado apenas um desejo nesta vida, seria trocar de lugar com você. Já na saída, escondendo as minhas lágrimas que insistiam em cair, ouvi a resposta: Sou egoísta, meu bem. Sem você não saberia viver.

Caminhei de volta para o trabalho, acreditando ainda mais na vida e no amor. Ganhei uma lição. Desta vez, não quis escrever a história completa. Nada do que poderia inventar seria digno daquele casal.

Dói, mas é bom…

[Começo a achar que tenho fixação por janelas]

A vida passa rápido, não? Lembro que rezava pra crescer… Queria ser adulta. Queria mandar no meu próprio nariz. Minha mãe respondia aos meus desejos com um “mocinha, quando a senhora for dona do seu próprio nariz…” E lá ia eu pro meu quarto rezar pra que o tempo passasse rápido e eu tomasse logo posse desse meu nariz. Arrebitado, seja dito! De tanto ouvir, empinei o tal que agora muitos me acham besta. Bicho! [denunciei a idade agora!] Eu queria e não podia. Tinha vontades e ficava a ver navios… sempre colocavam minhas conquistas pro dia em que eu viesse a ser dona de minha vida.

Aprendi que não era suficiente.
Aprendi, de tanto ouvir, que deixasse por conta de outros as decisões mais importantes. Não é de se estranhar…

E, depois de tanta mordomia, resgatar a responsabilidade, assumir que há tempos já sou a adulta que rezei ser – haja análise!!!
Porque dói, viu? É verdade! Dói bater no peito e dizer: é! eu fiz isso sim… é… se estou assim-ou-assado, é por culpa e mérito meu! Dói ficar exposta, vulnerável. Mas, devo ter um quê sado-masô. Ô dorzinha boa, viu? Taí: essa é a beleza de ser adulta. É se entregar de corpo e alma à vida. É cair, ralar os joelhoes, mas se levantar, pronta pra seguir. É achar, vez ou outra, que a felicidade está na ignorância – mas dar de ombros e ser feliz mesmo tendo um montão de informação pra administrar. É saber que, não importa o que aconteça: eu faço o meu caminho.

E então, dona do meu próprio nariz, agora rezo pro tempo dar um refresco, andar pianinho, pra eu aproveitar essa vida-boa que conquistei.

:: é, eu brinco de ser fotógrafa ::

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Eu não pensei

Meu Deus! Eu fiz um blog! E agora?

Só de pensar que terei de escrever todos os dias… TODOS OS DIAS???

Ai. Frio na barriga. Mão suada. Cabeça rodopiando.

Mas, pensando bem, é só colocar no papel [modo de dizer!] tudo o que se passa na minha cabeça. Pronto. Tenho, assim, material de sobra para escrever não um, mas duzentos blogs. Tudo bem que meu esforço será mostrar que não sou maluca. Mas isso é outra história…

Vou me concentrar para não desfocar, ok?

Então está feito. Eu tenho um blog!

Aguardem as próximas postagens.

Tendência. Mas, pode chamar de mania.

Sou volúvel. [tô me sentindo num confessionário!] Mudo de opinião como quem experimenta sapatos. [e o pior: tô me sentindo leve por dizer isso!]

Acho que esta é a melhor definição da minha instabilidade crítica. Entenda uma coisa: acredito que só não muda de opinião quem não as tem. Não é porque escolhi este ou aquele doce que preciso morrer adorando comer tal iguaria! Não é por achar algo bom, mediano ou ruim que não possa descobrir que estava errada por qualquer que seja o motivo: o que era bom acabou; o mediano evoluiu; o ruim lançou um up grade. Que seja! Descobri novos pontos de vista e mudei. Convenceu-me o novo. Afinal, não preciso ser arraigada para parecer normal, né?

Então. Exposta minha inconstância, digo que tudo o que leio, ouço, vejo por aí me instiga a prodzir algo. Adoro fazer releituras. A pergunta é sempre a mesma: como eu faria tal coisa? Uso essa mania como um exercício de criatividade. [uma mania, dentre muitas!] Porque nem sempre do zero começa o novo.

E você? Qual é a sua mania?

A Louca fugiu de casa

A Louca fugiu de casa
Abandonou os móveis
Não cobriu nada com lençóis
Nem se preocupou com a poeira

A Louca fugiu!

Na morada vazia
O eco do vento,
Aquele sopro agudo,
É o único som lá de dentro.

A casa agora é assombrada
Por todos os fantasmas do passado
Etéreos, míticos, alados

Nem as lembranças ficaram
Coitada, a Louca saiu com bagagens
Arrastando memórias como se fossem correntes.

:: texto meu, inspirado no livro de Rosa Montero, A Louca da Casa ::