Azul


O tudo é azul, sabia?
Só agora me dei conta…

Podes achar obsceno,
Mas garanto que não há conotação,
Eu literalmente mergulhei no mundo
Despida de qualquer fantasia
Nua, sozinha, crua.

Teus olhos procurarão algo sexy
Mas só verão a mim
Sem roupas, sem quereres, sem máculas.
Não te basto?

A calmaria destes dias
Mostram que o tudo é azul.
Como o mar de outras terras,
Azul infinito e profundo.

Imersa neste mundo
Absorvo o novo
Planejo o próximo momento
Respiro a vida

Aqui, onde tudo é azul,
Meus olhos não têm lágrimas
Meu corpo não tem marcas
Minha alma está lavada.

* Azul veio do flickr.com/jakalito

A maldição do Tempo

Quero escrever.
Sinto a urgência das palavras
Que insistem em me assombrar
Nas horas mais estranhas do dia

Mas o Tempo está contra mim
As Horas estão de complô
E fazem greve
Uma greve insana,
Às avessas – andam aceleradas,
Passando a correr pelo meu relógio

O Tempo se esvai,
Escorre pelos meus dedos,
Pingando no chão infértil,
Num estalido metálico irritante

Quero escrever!
Quero colocar todas as idéias loucas
Que passam pela minha cabeça,
A me corromper os sentidos
A me sacudir o corpo

Mas o Tempo passa rápido
E leva consigo a ordem
Abrindo espaço pra Morfeu
Que, sorrateiro
Invade minha cama
E me toma como amante
Na terra dos sonhos

Horas malditas!
Que me arrastam por prazeres deletáveis
Me desviando o rumo

Quero escrever!
E colocar pra fora a angustia
Causada pelas palavras
Que me rasgam a alma

Mas estas são palavras fracas
E cansadas pelo Tempo
Não têm a esperança pra conquistar o mundo

Tempo assombroso
Que me mata a cada segundo
E me entorpece
E me adormece
Com seu tic-tac hipnótico

Quero escrever!
Mas um bocejo
É o marco
É a lona
É o fim.

Depois do fim

O que dói no meu peito?

Que dor é essa, que me estrangula a garganta

Me impede a fala e anestesia todos os sentidos?

Enganei-me pensando que de amor doía

Na verdade, morriam meus sonhos

E a agonia do fim, traduzida em dor

Era tudo o que eu sentia.

Morreram as tarde na praia

Os passeios pelos jardins do Rio

As fantasias criadas pra te envolver

Sua falta se faz presente

Nos planos apagados

Nos dias vazios

Na nova rotina que imperiosa

Se faz necessária.

Exibida


Nas palavras exercito meu lado exibicionista
E faço catarse produtiva.
É uma tentativa de te trazer pra mais perto
E pra me fazer conhecer
Me sinto em desvantagem
Por não ler nos seus olhos
As frases que gostaria de escutar
Me sinto perdida
Por inventar legendas
Pra atos desinteressados

Seriam de fato?

Jogos?! Só os de sedução
Daqueles que dão frisson
Só de repensar a cena
Então… pra que me esconder?
Quando quero me mostrar
Pra que fingir
Se pretendo te agarrar?
Mas não faço mistérios
Já sou misteriosa demais
Sem tentar mostrar
O que não sou
Sou direta sim
Sei o que quero
Sei aonde chegar

* Ui… essa veio do flickr.com/nyki_m

Homem objeto

Homem objeto, exibido pelas ruas da cidade, nos chás de caridade, pras tias velhas empoadas. [Calem-se!] Não enxergam que estou acompanhada? Não percebem o quanto sou amada? Sexo todo dia, café na cama [um love-doll sem conceito, um amante sem desejo]. Romance de novela da Globo na minha vida! Vocês não adoram o meu bibelô?…

Bonequinha de lixo, aprendi cedo a fazer meus caprichos, seduzir sem me deixar encantar… Pra montanha-russa de emoções basta um bilhete do parque. Comprei, me enganei, caí.

Maquiagem borrada, máscara arrancada, coração ferido, me descobri humana, afinal. [Amei o deus errado]. Tirei meus ídolos da parede. Dorian Gray foi destituído.

Da carne, com gosto de desejo, ficou a saudade.

Da boca, de sorriso fácil, só restou indiferença.

No vaso rachado, as rosas murchas da minha paixão.

Homem, não se engane, você é o objeto do meu mais doce amor… Persona onipresente, que até em sonhos te vejo. Criança grande e terna, pra sempre vou te amar.

* Essa foto veio do flickr.com/hagerstenguy

A dança

Meus pés já estão cansados de tanto trilhar, tanto dançar, tanto tropeçar… Parada, ali a esperar mais uma coreografia da vida, questionei minhas escolhas, meu ritmo, meus passos. Com o tempo contado e olhos atentos aos meus gestos, me senti perdida na multidão, que no mesmo compasso seguia em frente. Dancei.

Embalada por sons externos, mais uma vez esqueci de me ouvir… Sem tempo ou contra-tempo, sem compassos ritmados, estava agora no total silêncio – daqueles densos, afiados e desafiantes. Dancei.

Na companhia de outros, perdi o fluxo. Dancei.

Mas só pra você imagino solos inesquecíveis, passos sedutores,e invento uma dança feita de mãos, bocas, olhos, pernas…

Canta pra mim… quero dançar pra você…

* Essa foto veio do flickr.com/imagemcompartilhada

O BEIJO

Do lábio entreaberto
Sai a língua úmida
A testar a maciez da carne
A provocar o olhar alheio
A instigar o desejo


Na boca sedenta
Os alvos dentes
Marcam o lábio inferior
Numa mordida despudorada
Tingindo de sangue o tesão


O aproximar é lento
E marcado pela respiração sofrida


O encontro é suave
E molhado pela vontade latente


O enroscar das línguas é demorado
E saboreado pelos sentidos


Sem pressa, te devoro
Minha boca na sua
A querer seu ar
A roubar sua calma


Fusão de almas


Vem, beija a minha boca
E esquece do mundo...

* A foto perfeita veio do flickr.com/vesperis

Sexta-feira

Dia de feira, do jeito que eu gosto.
Cor, sabor, aromas. E o melhor pastel de queijo…

Posted by Picasa

Limites

Em um dia de papo-furado e vinho tinto, formulei uma teoria doida sobre os limites que nos impomos ou nos impõem. Na ocasião, falávamos dos sexos e suas diversas formas de interações. Homens e mulheres são iguais na essência, porém diferentes nas formas – físicas e de expressão.

Voltando à teoria, é o seguinte: o limite da mulher é plástico, e não elástico. Eu explico – limite elástico é aquele que se distende, mas retorna ao ponto original. É claro que depois de um tempo esse elástico fica um tanto fraco, frouxo. São as exceções pontuais que abrimos. Certo? Mas a meu ver, nós, mulheres, temos limites plásticos que uma vez distendido não retornam ao ponto de partida. Eles ficam lá, largos, quase que esgarçados…

Quando o assunto é sexo, você, malandro, criou um monstro que vai te devorar vivo. [O que pode ser muito divertido!] Agora, quando esse limite regula outros aspectos da vida, quem está ferrada é a pobre da mulher.

Aí, pensando melhor – ou melhor – ampliando o poder de ação da minha teoria, hoje eu digo e repito que todos nós temos limites plásticos. Ponto. Se não pra tudo, em alguns aspectos, definitivamente. [E isso tem a ver com a tal idéia estapafúrdia]

Abrimos exceções, na intenção de sermos flexíveis. [bambu que verga não quebra]. Mas sempre tem um qualquer que é tão obstinado, mas tão ferrenho, que uma hora perdemos a mão, e já não sabemos se exceções ou Lei. O limite, no calor das emoções, se distende. Plástico, se resfria no cotidiano, e acaba por se esgarçar de vez.

CAPRICHO

Vivia em um mundo sem limites. Onde nada era suficiente. E o humano ansiava ser super.

Há tempos questionava a fronteira do bom-senso. Primeiro de maneira tímida, dentro da caixola, reservadamente entre seus neurônios. Mas aos poucos aquela idéia estapafúrdia, totalmente anárquica, tomava corpo, ganhava massa, voz, vida própria e escapava por onde podia: olhos, orelhas, nariz, boca, poros.

Seus gestos se tornaram reféns da tal idéia. Ela não mais respondia por sua linguagem corporal. Estava claro, ali, na cara estampado o pensamento rebelde.

O que fazer?

Dividida entre isto ou aquilo, conceitos díspares até, seguia aos tropeços, muitas vezes entre lágrimas. Ela não sabia como resgatar sua essência. À noite, escondida de tudo e de todos, ela confessava ao travesseiro sua insatisfação. Ela se vendera ao sistema. Mas sua alma era rebelde sim. Uma guerrilheira daquela causa quase perdida.

Durante os dias, maquinava escapar. Era preciso. Engodos vestidos de responsabilidades rondavam o caminho. E muitas vezes ela era fisgada. Até se encontrar com o espelho. Aquele não era o seu mundo.

Mas, então, onde seria?

Quem manda aqui…

SOU EU. EUZINHA. TÁ OK?

Precisava gritar que neste espaço as palavras são minhas. Que aqui escrevo o que bem entendo. Ou não escrevo palavra alguma por dias a fio. Combinado? Aliás, combinado o escambal. Porque só eu digo o que fazer, ou não. Hoje estou meio azeda, médio ácida – cítrica – porém, no bagaço! Estou cansada, exaurida – cérebro-uva-passa-total.

Quero de volta as minhas palavras. Quero sentenças inteiras. Parágrafos imensos! Quero ter algo a dizer. Quero conteúdo – e desta vez, só desta vez, não quero pertinência, muito menos relevância. Quero verborragia – sangrar para me curar, enfim.

Homem bonito?

Todo mundo admira e procura a beleza, não? Porque ela pode não pôr mesa, mas que dá uma cor – ah, isso dá! O fato é que todo mundo busca um senso estético, uma identificação até. E ao longo da vida, aprimora – ao seu jeito – esse olhar esteta.

Não vou entrar na discussão sobre obras de arte ou mesmo sobre cirurgias plásticas. Não busco respostas. Quero só externar meus pensamentos, quem quiser que escute – neste caso, leia.

Quem nunca virou o pescoço para acompanhar o andar daquele cara lindo ou daquela mulher de beleza estonteante?

Eu muitas vezes já torci o pescoço, estiquei o olhar até perder de vista, só para admirar um belo espécime da raça humana. Homem ou mulher. Sim, porque eu olho para mulheres bonitas – a cobiça aqui é outra e o máximo que ela pode ter pra me fazer salivar serão os acessórios – bolsas, sapatos, óculos ou o namorado, pra ser mais precisa. Entenderam?

Hoje, num dos feeds que assino, li sobre o desinteresse crescente das mulheres em homens bonitos. Rá! Isso mesmo: desinteresse. E lembrei de um papo bem interessante que tive com uma grande amiga há uns quinze anos atrás, na época da faculdade. [Nem gastem tempo fazendo as contas: tenho – e assumo – 37 anos bem vividos!].

Num dos intervalos, no pátio da FACHA, percebemos que admirávamos o mesmo cara: um gato moreno que desfilava de um lado para o outro, de queixo levantado e jeans surrado. Concordamos que ele era LINDO, o tipo que faz a mulherada cair de inveja. Papo vai, papo vem, e a imagem do gatinho foi por terra. A beleza virou caco quando percebemos que aquilo era tudo o que ele tinha a oferecer.

É bom me dar conta de que, aos 22 anos, já sabíamos que o mais importante era o conteúdo e o charme. Estas sim, as coisas que fazem um homem normal ser muito mais sedutor do que um deus grego.

Mas, tudo bem se aos 22 anos a gente não dispensar o bonitão só por isso, né?! Até que valeu a voltinha…

A Última Tentação


pecado: GULA 2, upload feito originalmente por Biattrix.

Gente, a batata era Ruffles, mas o hot dog estava INCRÍVEL. E não vou nem comentar a respeito do Shake… Só digo uma coisa: excelente pedida junk para a última refeição trash. Concordam?

Meu querido diário

Estou em Sampa! Cheguei ontem à noite e depois do check in no hotel, corremos para um lugar charmosérrimo em busca de uma pizza! Tá tudo lá no Flickr.

Esse não é de fato um diário… embora eu não tenha nada contra os blogs-diários-cotidianos-sobre-o-que-ando-fazendo. É só uma forma mais moderna de contar para a família, que ficou no Rio, as novidades. E uma reflexão minha também sobre as modernidades. Quer coisa mais legal do que essa conectividade toda? Estou num Blue Tree da vida, no café da manhã (daqueles BEM legais), com meu tinny note, uma câmera digital e uma conexão Tim… Incrível, não?

Joe!

Alguns momentos do show.
Guitarra é sexy sim! Adoro.

 


D’Ale, Alê, Derik e eu – o quarteto fantástico.

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EU QUERO!

Adoro livrarias, todo mundo sabe disso. Hoje, na Letras & Expressões, vi algo que não era livro/revista e que mesmo assim acendeu a chama consumista. Era um quadro, todo feito de pedacinhos de papéis coloridos, de um imenso São Jorge Guerreiro, salve Jorge! Anotei o blog do artista, Anderson Thives, e deixei um recadinho para ele me ligar. Depois, o dia me consumiu e eu esqueci, até que…

Ele ligou! Confirmei o blog e fui bisbilhotar. Não é que caí de amores?! Gente, essa deusa linda tem que morar na minha sala! TEMQUE!

Clica e reserva o quadro para mim? Vou adorar este presente! 😉

Luxúria

Lembro de pegar emprestado o Falcon Olhos de Águia do meu irmão pra brincar com as minhas Barbies e Susis. Eles eram namorados/casados, tinham uma vida ativa e feliz. Mas totalmente assexuada. Eu lá sabia o que era aquilo, ou como se fazia?!


Larguei as bonecas há tempos… mas essa brincadeira aí eu até achei engraçadinha. No site do fotógrafo Alex Sandwell Kliszynski tem outras bem legais.

Dilema nosso de todo dia

[Acho que estou com a matraca mode on]

Chegou com aquele ar de quem estava correndo. O rosto avermelhado, algumas gotinhas de suor na linha do cabelo, óculos-enormes prendiam a franja-enorme daquele corte-curtíssimo. Largou a bolsa numa cadeira vazia. Pediu um chocolate quente ao garçom, disse oi para as amigas e desembestou a falar. Tudo ao mesmo tempo. Ou quase.

Ela sempre foi elétrica. Parecia ligada numa corrente de 220 volts. Absorvia toda e qualquer informação de qualquer lugar. Sabia de História, sociologia, design, tecnologia, um tanto de sacanagem, outro pouco sobre música e nada sobre ela mesma.

A decisão de mudar este quadro tinha sido tomada a pouco. Meditação nunca foi seu forte. Achava balela a hipótese de parar a torrente de pensamentos por um segundo sequer. Para fazer yoga precisaria de mais flexibilidade do que ela dispunha nesta vida. Talvez na próxima. Optou por caminhar e fazer análise. Por um lado oxigenava o cérebro e arejava as idéias, por outro teria alguém a quem dirigir a enxurrada de pensamentos.

– Vem cá, vocês já pensaram sobre essas exigências idiotas que a gente tem, e que faz a gente se cobrar de um jeito desumano?

Nem sempre o papo era cabeça. Ela não suportava o politicamente correto [um saco, por sinal!]. Não se prendia aos modelos vigentes. Ou assim pensava ser. Depois de alguns dias de análise freudiana, viu que não era bem assim.

De certa forma, aquele momento era especial. As recentes dúvidas, aquele monte de perguntas não respondidas tinham sido um golpe na sua auto-estima. Era como se olhar no espelho e não se reconhecer. Estava tímida como nunca. Mas era exatamente este recuo que a deixava ainda mais observadora. Ela sempre fora o centro das atenções. Agora, ao se colocar de lado, meio invisível por instantes, podia ver tudo. Só não dava conta de que ainda chamava atenção.

Estar de “fora” das situações, como freqüentemente se descrevia, de repente passou a ser uma forma de analisar melhor os acontecimentos. O que parecia ruim se transformou em ponto-de-observação-privilegiado.

Era como ouvir o eco do que fora dito ou feito. Ter uma segunda, terceira, quarta chance de ler nas entrelinhas, separar joio do trigo, ir ao cerne da questão. Porque não são só as pessoas que usam máscaras…

– Amiga, você pode me dizer de onde fui tirar a idéia de que só pode ser assim? Por que raios eu não aceito as n outras maneiras de se fazer uma coisa?

A amiga ficou ali com cara de atriz-escada que, com um olhar, dá a deixa da próxima fala da estrela do show, com a certeza estampada no rosto: aquele papo era todo retórico.

A inquisitora continuou: – ou ainda, me diz, vai… por que os homens passam pela minha vida, sem que eu realmente me interesse por eles? Não, porque eu até me apaixono! Caio de amores e até acho que é o homem da minha vida. Mas uma hora acaba. E percebo que não tinha conteúdo. Era eu quem o preenchia com significados que me interessavam na hora. Por quê?! POR QUÊ???

Ela tinha todas as perguntas do mundo girando na sua cabeça. E nada de respostas.

As marcas que vejo nas pontas dos meus dedos, assim como o rajado verde-amarelado dos meus olhos dizem que sou única. Os filtros que usei para perceber o que me cerca foram desenvolvidos por mim, dentro desta mesma realidade, também são únicos. Por mais que a cultura nos una. Ainda que nossas crenças nos aproximem. Somos distintos. Embora assustadoramente parecidos.

Queremos as mesmas coisas. E tudo bem se as queremos por razões diferentes.

Eu penso assim, você crê no contrário. Não nos damos conta de que os motivos são os mesmos.

E assim, distintos mas uniformes, vivemos os mesmos dilemas diariamente.

Sobre os Homens

Homens enquanto parceiros, namorados, amantes, maridos e afins. E de quebra sobre as mulheres…

Sabe quando um assunto anda meio longe de você, que é preciso até parar para pensar? Pois então. O assunto é HOMEM. [Aproveito o Dia Internacional do Homem para postar este naco de teoria] Vale reforçar que me refiro ao tipo macho da espécie e de preferência dos heterossexuais, por razões óbvias [assim eu os prefiro! Okay?].

Tenho visto amigas reclamando dos homens. Mais precisamente da falta deles no mercado. E vejo homens reclamando das mulheres – do grude de carentes que se jogam e já se-acreditam-noivas-na-porta-da-igreja.

Tenho amigas que preferem os comprometidos. Acreditam tanto que os melhores espécimes já têm donas, que saem à caça de namorados e maridos desgarrados. Por mais que um solteiro incrível esteja ao lado, o olhar comprido e lânguido e cobiçador insiste em focar amores impossíveis.

Outras, por mais que desfilem diante de seus olhos os mais variados tipos masculinos, juram que homem é ilusão de ótica. Não existem, a não ser em Marte, talvez.

Vale lembrar que esses dois tipos são extremos quase opostos, e que se replicam mundo afora…

Abro aqui um parêntese para explicar: estive “fora do mercado” por quase três anos [opção mesmo!]. Em 2005, minha gravidez pôs fim num namoro falido. Meu príncipe-herdeiro nasceu e tomou conta dos meus dias. Feliz, o amamentei por quase um ano inteiro. Ensaiei então uns namoros. Nada sério para constar nos livros. No início de 2008 tive um curto relacionamento. Voltei, sem muitas ânsias, a olhar com cobiça os vários tipos de homens. [Hum, já disse que prefiro os fortes, altos – bem altos, carecas e tatuados?]. Fecho parêntese.

Tudo isso para dizer que estou com 37-quase-QUARENTA-anos, solteira, sozinha e feliz. Não me vejo desesperada, mal-resolvida ou qualquer outra [des]qualificação que usam por aí para balzaquianas e afins sem um macho de respeito à tira-colo. Também acredito que antes só do que mal acompanhada. Mas isso não significa que só existam homens cafajestes, infantis, com paúra de comprometimento. Homens tão frágeis que mal agüentam uma ligação amorosa saudável. Não. Não estou sozinha por só me deparar com esses tipos. Minha solteirice é uma escolha consciente e necessária para que eu me reencontre como mulher. Para que eu me redescubra e possa me mostrar inteira. Pronta para construir o que for. Uma nova história, enfim. [antes que me perguntem: NÃO descartei beijos na boca e toda aquela variedade deliciosa de toques e trocas de fluidos! Isso sempre será muito bem-vindo na minha vida. Amém.]

Nesse intervalo, tenho observado bastante. Vejo relações fortalecidas, casamentos revalidados diariamente, amores ganhando festas e casa nova. Mas tenho acompanhado um lado decadente e sofrido. Vejo mulheres poderosas em frangalhos, se destruindo cada vez mais por não ter um apêndice masculino. Sim, porque o tipo de namorado/marido que elas querem é mais um prolongamento de um órgão interno do que uma outra pessoa independente e distinta… e o pior é que elas não percebem esse querer torto.

Eu não sou porta-voz de um gênero, nem de uma geração. Não tenho o direito de falar por outras mulheres, mesmo pelas mais íntimas amigas. Falo por mim quando digo que não vou comprar esse tipo de vida-feliz-de-comercial-de-margarina. Papai e mamãe só como posição sexual. E uma vez ou outra, tá?! Sou independente. Ganho e gasto o meu dinheiro. Sou inteligente. Gosto, e muito, de sexo. Mas não me venha com essa de que eu tenho que ter alguém na minha vida para eu ser feliz de verdade. Não me pressione para eu escolher um item na prateleira – só se for um rabitt. Também não sou um desses exemplares-bonequinha para desfilar em jantares de negócios, feiras de automóveis ou clubes no fim-de-semana. Não me coisifique, por favor.

Quero relacionamentos duráveis: amigos de uma vida inteira e amores para sempre. E que este sempre dure o tempo exato que tiver que durar. Quero investir tempo e afeto para construir um nós que terá regras próprias e o nosso molde. E que não se encaixará, podado, em limites impostos por ninguém… porque a minha vida é do tamanho do meu querer: ENORME.