Em algum lugar…


Sensação. Meu sexto-sentido me diz que algo está para acontecer. Eu sinto. É bem aqui, ó. Embora você não possa ver, aponto para o meu plexo solar, central de toda a minha identidade, dizem até que uma fábrica de auto-estima. [Vai saber!].

Mulher tem dessas coisas, não é mesmo? Tal a sensibilidade, que captamos no ar o que ainda não aconteceu. Anteninha antenada!

E assim, com tamanha certeza, eu sei. E falta muito pouco. Vai acontecer.

…

Ele estava lá, na minha frente. Não notei logo de cara. Eu lia qualquer coisa e nem me lembro bem. Ele ouvia uma música nas alturas. Até que, uma hora, o som que vazava dos fones chegou ao meu mundinho particular, roubou minha atenção. Eu ri, sem levantar os olhos das páginas, imaginando um adolescente com seu iPod.

Mas, fisgada pela curiosidade de reconhecer o som – sou boa nisso, apesar de nunca saber o nome da música ou do cantor – procuro aguçar os ouvidos, emprestando os olhos para observar melhor.

Seu cabelo encaracolado, de um marrom escuro, estava grande, num corte moderno meio desleixado. Um pullover marinho esquentava a nuca e a garganta, com as mangas a dar voltas pelo pescoço – um abraço com cheirinho de amaciante, imaginei. Além da música, a leitura disputava sua atenção.

Lá estava ele. Alguém muito próximo e distante de mim. Separados por um banco de ônibus. Por uma vida inteira. Por um olá, talvez.

A pele branca e o perfume oriental me guiaram em uma viagem imaginária de amor romântico. Ali, naquele ônibus, eu conhecia – enfim – o alguém que eu tanto esperei. Seu sorriso doce me falou do passado. Ele se revelou em muitos detalhes. Desenhou o futuro ideal. E rimos do presente inusitado que vivíamos. Quem poderia imaginar, dizia ele, num ônibus! Trocamos segredos sem palavras. Perdoamos os erros que cometeríamos. Combinamos surpresas para as datas especiais. Encaixamos.

A luz da Lagoa, naquela manhã, estava mágica. Preferi descer do ônibus sem me despedir. Nosso amor merecia continuação…


* fotos minhas, dia desses, no 157 rumo à Lagoa *
p.s.: Se você por acaso se reconhecer na foto, me desculpa. Não resisti e inventei a nossa história.

Lulus Rules

Querido diário, ontem saí com umas amigas. Anna, Rennas, Patty e eu [a única a não ter letra dupla!] passamos horas a falar mulherices…

Se eu contasse tudo o que nós, mulheres, conversamos, você – definitivamente – ficaria encabulado. Porque é verdade: mulheres falam muitas besteiras quando estão juntas. Vou negar pra quê? O papo começa com amenidades e sempre [sempre] descamba. Mas nunca falamos futilidades!

Mulheres falam de sentimento. Mesmo que o assunto em voga seja a falta dele. Conversamos sobre tudo o que nos faz sentir – sobre aquele modelito na vitrine fashion, o jantar de ontem à noite, o carinha da semana passada, sobre chefes e clientes, e até mesmo sobre o grande amor de nossas vidas. Não há assunto-tabu. Não há tema predileto – porque o descambo é inevitável – então, TODOS os temas levam ao mesmo lugar.

O papo de mulher nem sempre é igual. Não radicalize, nem generalize. Você vai se enganar. Embora a gente sempre fale de sentimentos, o papo entre amigas é um. Com colegas de trabalho, outro completamente diferente. Entre mulheres que se encontram no cabeleireiro, então, nem se comenta. A habilidade de verbalização e a extensa lista de palavras que conhecemos – e dominamos – fazem o assunto render e se desdobrar em diversas direções. Cada papo é O Papo. E como apenas 7% da comunicação é a palavra escolhida, por mais que falemos sobre as mesmas coisas, nunca falaremos AS MESMAS COISAS. A diferença está nos 93% que nossa personalidade única imprime na comunicação. Entendeu?

Mulheres adoram falar [!]. Amam mais ainda falar besteiras. E como é rico nosso papo! São caras e bocas dignas do Oscar. Entonações que mudam completamente o significado da palavra. E, quando entre amigas de verdade, uma telepatia de fazer inveja! Basta um olharzinho de lado e já traduzimos parágrafos completos!

Muitas vezes, um papo entre amigas é mais produtivo do que meses de terapia!

Por tudo isso eu guardo alguns dias Santos – não troco [por quase nada!] os encontros com minhas amigas. Tudo começou com a Terça-Santa – uma vez por mês nos encontramos num bar da zona sul carioca. O garçon, Genésio, faz cara de armário todas as vezes que pesca um assunto-descambado! [É o máximo]. Semanalmente tem o Chopp de Quinta, quando encontro a amiga-gêmea pra colocar o papo em dia. Ela é de Petrópolis, e sempre traz amigos para um interessante rodízio de idéias. Agora, acabei de instituir o Lulus Rules, nas tardes livres de domingo. O dia light é pra esconder o mais científico encontro de amigas. Este pode até dar livro, de tão fundamental que é!

Incautos, mulherices à parte, Lulus Rules é bomba-atômica-pimenta-malagueta.

Aguardem. Doces frutos serão aqui publicados.

Era uma vez…


Um borrão. Foi assim que ela viu tudo passar na velocidade da luz pela sua retina. Tudo mudou tão rápido que mal pôde acompanhar.

ZAZ!

Foi-se.

Depois daquela esquina, tudo ficou mais claro. Nítido.
Agora sim, ela enxergava além.

…

As janelas. Sempre tem uma janela nos meus pensamentos. Metafórica ou real, feita de alumínio, madeira ou puro vidro, sempre tem uma janela.

A janela fechada quebrava o ventinho frio que vinha da Lagoa. Apesar do dia de sol, fazia frio. E ela pensou: como é bom sentir esse sol gelado. Sua percepção, seus sentidos estavam aguçados. É a beleza, conjeturou. O belo se fragmenta, facetado como cristal, se expande – contagia. Assim tudo ganha um pouco da beleza – que jamais é egoísta…

Lembro-me de André Gide, escritor francês. Sua frase ainda ecoa na minha cabeça:

Que a importância esteja em teu olhar
e não na coisa olhada.

André vive e respira em mim todas as vezes que olho pela janela.

* Fotos minhas, feitas através da janela do 157, rumo à Lagoa.

Eu quero uma Matilde pra mim…

Recebi um desafio. E dos grandes, pelo que deu pra perceber até então… desafio gostoso, sabe? Daqueles que, quando conquistados, estufam o nosso peito. Mas não sei não. Ainda tenho dúvidas. Mas quando imagino os olhos de Leninha, pendurada na cintura de Matilde, girando pela casa, dá vontade de gritar: eu topo!

Conheci Leninha há pouco, mas sua visão de mundo – particular das crianças com poucos anos – me cativou. Esqueci da singularidade das palavras infantis. João, meu filho, ainda não fala frases inteiras, apesar de conversarmos horas a fio… Acredito que João vai gostar de Leninha.

Até os meus vinte e pouquinhos, olhava os de mais de trinta com certa desconfiança e encantamento. Achava que lá, eu desvendaria mistérios, entenderia das dores d’alma e teria me curado das paixões. Naquela época, eu acreditava que ao trinta anos eu teria CERTEZAS.

Então, ao conhecer Helena Maria e suas indagações, vejo que – no fundo – não mudamos muito. As marcas no rosto, a pele um pouco mais flácida, uns fios brancos mostram que o tempo passou. Mas as certezas que eu esperava ter, ainda não mandaram notícias. Ou eu não cresci, ou perdi alguma coisa…

Dá pra desenhar, pra ver se eu entendo melhor?

Também quero…

Sempre usei a palavra como matéria-prima. Escultora de sensações, dou formas as minhas idéias, crio mundos. Envolvo, simulo, guio. E assim, entre-vírgulas, entre-linhas, sem ponto-final, vou alinhavando a trama. Das palavras, faço tecido – e ao me vestir de poeta, dispo pudores, máscaras, malhas feitas pra esconder e proteger.

Na prosa, estou nua.

As coisas que quero

Quero um amor. Quero sensações.

Quero aquele frio na barriga que dá na hora em que os olhos se encontram.

Quero aquele arrepio quando a pele esbarra de leve uma na outra.

Quero a boca seca a esperar pelo beijo.

Quero a tontura da paixão.

Quero o sexo molhado pela lembrança.

Quero me perder em sonhos, quero me achar nos braços seus.

Quero beijos úmidos e demorados.

Quero que você me pegue com força, mas que seja doce.

Quero o encontro de almas.

Quero que nossos corpos se encaixem e peguem fogo!

Não quero nada morno.

Quero fogo!

Quero paixão.

Quero carinho nos cabelos, massagem nas costas, cócegas nos pés…

Quero comida na boca e beijos com gosto de vinho…

Quero me despir dos medos ao tirar a roupa

E me vestir de êxtase ao deitar com você…

Quero você, homem-menino

Cheio de sonhos, cheio de garra

E quero ser tudo pra ti.

Quero, quero, quero, quero… EU QUERO!

Eu quero!

Quero ser pornográfica, incontida, impulsiva. Quero ser selvagem.

E quero ser sempre assim: essa é a minha meta.

Não quero dar satisfação a ninguém. Não quero prestar contas senão a mim mesma.

Quero fantasiar cenas tórridas com qualquer estranho.

Quero desejar seu sexo a todo instante. Fantasiar coisas sem sentido.

Quero ter a voracidade no olhar, a volúpia na pele e te devorar a todo o instante.

Quero ser indecente, devassa.

Quero ser uma mulher de Nelson Rodrigues. E de João, de Carlos, de Manoel, de Felipe, de Daniel… e de todos os homens que cruzarem o meu caminho.

Quero ter você impresso na minha retina.

Quero seu gozo gravado na minha memória.

Quero suas unhas na minha carne.

Quero gozar um gozo novo a cada dia.

Quero ser vouyer. Quero ser exibicionista.

Quero ser diferente.

Quero ser a melhor.

Quero ser a única.

Quero ser santa.

Quero ser puta.

Quero ser sua.

Já que hoje é dia dos namorados,
declaro minhas intenções:
eu quero!

A foto busquei em São Google.

Síndrome de Alice

Escrever é, pra mim, um grande remédio – daqueles que a gente tem que tomar pro resto da vida, sabe? Pois é… Aí fico semanas, dias a fio, sem desenhar uma só letrinha [escrever por obrigação profissional não vale!!!]. Quase tenho tremedeiras…

Sinto-me como Alice. Perdida toca-do-coelho-abaixo sem saber onde acaba esta minha estranha história… Tudo parece tão absurdo! E, no meio deste non-sense todo, só penso em voltar pra casa.

O que será que Lewis Carroll bebeu pra imaginar algo tão lisérgico, tão deliciosamente-insano, como o País das Maravilhas?

Depois que desci pela toca-do-coelho, me pergunto como fazer diferente, já que – ao voltar – nunca mais serei a mesma, ainda que retorne exatamente ao mesmo ponto. Estranho? Nem tanto. A minha curiosidade me levou a lugares que jamais pensei existir! Sei bem dos tormentos de Carroll – embora não passe nem pela calçada, com medo de me achar lá dentro… se é que você me entende.

E não é que queira voltar. Estou bem aqui. Mas é que a possibilidade de não-poder-voltar me assusta mais do que a de seguir em frente. [Afff… lôca-de-pedra!].

Mas não é isso que quase todo mundo sente? Esse medinho-besta de seguir, mas sem querer fechar a porta atrás da gente – vai que eu resolva voltar? O que é isso, se não uma insegurança-da-porra [desculpa, mas o palavrão cabe muito bem aqui!]. É esse pensamento doido que me faz temer o novo e credita toda a segurança em algo que não me vale mais nada – mesmo com o título de propriedade ou algo parecido.

E assim é com quase tudo – dos relacionamentos aos empregos – a cada mudança, um abalo sísmico.

Quero é me largar aos encantamentos não-planejados. E me surpreender pelo caminho.

Regras pra Bem-Viver

O pensador russo Guerdjef traçou 20 regras de vida, destacadas pelo Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.

Dizem os especialistas em comportamento que basta assimilar 10 delas para aprender a viver com qualidade.

1 – Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, converse com alguém e analise suas atitudes.

2 – Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3 – Planeje seu dia, sim – mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4 – Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5 – Pare de pensar, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6 – Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos.

7 – Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8 – Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9 – Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que isso é o máximo a se conseguir na vida.

10 – Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11 – Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12 – Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso – a trava do movimento e da busca.

13 – É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de 100 Km. Não adianta estar mais longe.

14 – Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15 – Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16 – Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo… para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17 – A rigidez é boa na pedra, não no ser humano. A ele cabe firmeza.

18 – Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19 – Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

20 – Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é o que se fizer.

Ai-ai… Nem vou comentar.

Procure o enquadramento perfeito

Desta vida, quero só a melhor parte.

Procuro o ângulo, aquele que me mostrará algo que nunca vi. Porta entre-aberta a exibir um mundo quase perfeito, feito instantâneo e, emoldurado, pendurado, eternizado, na parede será troféu de caça.

Posted by Picasa capturei um dos meus melhores dias: na Lagoa, o fim de tarde é divino.

Lá fora está chovendo

Acordei com o barulho da chuva na minha varanda. A mistura de terra e asfalto molhados, com um toque de árvores lavadas, tem um cheiro inconfundível. Respiro fundo para absorver o dia inteiro, todos os sonhos que tive, mas não me lembro, todos os amores que já foram, os que virão, e Ele – o eleito senhor-de-mim.

Em dias assim, sinto falta de um montão de coisas que eu mesma deixei de lado.

Nesses dias chuvosos, as lágrimas nas janelas choram em silêncio por mim. Porque eu acho bonito aquele choro silencioso cheio de lágrimas que escorrem quietas e ligeiras, meio nascente, rápidas, sabe? E acho intrigante essa nostalgia que me arrebata nos dias de chuva. Não é tristeza pura e simples – é The Blues. Quero ouvir todas as que mais gosto – as que rasgam a alma. Se me perguntarem, não sei nome, data ou qualquer outra informação – tudo isso porque eu sinto a música. E quando tento racionalizar e explicar em palavras, The Blues se vai e minha alma fica num silêncio denso. Aí, prefiro nem falar nada: só fecho os olhos e sinto. Não é tristeza mortal, comum, explicável – é The Blues que me consome, e divino, e esplêndido, e imaculado, lava e escorre lágrimas nas janelas.

Eu sorrio de leve. Leve, quase flutuando, sorrio. The Blues me deixa em paz. E as janelas que choram emprestam uma beleza singular ao meu dia.

Posted by Picasa * fotos de hoje, a caminho da agência…

Estrada

Eu estou na estrada. Não vou dizer de onde venho. Tão pouco o meu destino. Esses detalhes não acrescentam glamour algum a esta história. A não ser alimentar a sua curiosidade. Então, tudo o que vai saber de mim é que estou a caminho. Você pode me esperar. Ou ficar à beira da estrada para me ver passar. Juntar-se a mim também é uma escolha. Mas, deve partir de você esta decisão.

Um dia vou te contar sobre as minhas escolhas. E sobre meus dias. Meus quereres. Sonhos.

Um dia. Mas não hoje.

Agora eu estou na estrada.

Posted by Picasa Esqueci de dizer: esta é mais uma foto minha.

Igual, mas diferente

Escrevo não como exercício barato de exibicionismo. Mas para ver se consigo me livrar de mim, e deixar toda essa efervescência de idéias desconexas escorrer de mim. Para que todos esses pensamentos insanos saiam como fumaça, por um buraco aberto na minha cabeça pelo ponto-final que colocarei numa frase qualquer.

As minhas histórias abrem as portas de um mundo onde sou única. E mesmo que outros tantos escrevam variações sobre o mesmo tema, minhas palavras são inéditas. Imprimo minhas digitais em cada linha, me exponho nas entrelinhas. Mesmo que o sujeito seja outro: sou eu quem você lê. Invento o que eu poderia ser. Até nas minhas mentiras há um pouco de mim. Porque a minha maior fantasia é ser diferente de tudo o que você já imaginou.

Escrevo para criar um novo paradigma, para dar um brilho diferente a toda essa mesmice, para me tirar dessa normalidade monocromática. Porque, no fundo, no fundo, todos nós temos as mesmas inseguranças, as mesmas angústias. Nem os quereres mudam, ou devaneios. E eu preciso, igualzinho a você, me destacar nessa multidão rodriguiana, para não me sentir tão burra, tão bege, tão normal, tão igual.

Aí, desembesto a escrever palavras sem sentido, mas que quando leio no final, até que entendo direitinho: sou igual a todo o mundo.

Procura-se platéia

Ontem comentei que escrevo o que eu quero, mas não escrevo só pra mim. Não! Eu quero ser lida. Preciso de leitores como qualquer ator precisa de platéia. A diferença é que no meu palco, não preciso de aplausos. Pra mim, saber que sou lida basta.

Gozo literário
Sou uma escritora puta
Que se vende barato
A todos que parecem me querer
Me exibo nas prateleiras
A esperar que alguém se seduza
Que me abram as capas
Me toquem por dentro
Me virem as páginas
E assim, lida, devorada
Me sinta, enfim, saciada.

* foi bom pra você? *
* Procure estante, e São Google te guiará! *

Meu velho tênis

Hoje acordei meio Forest Gump. Não no sentido de contar histórias, o que já faço todos os dias. Mas com aquela vontade louca de andar, de usar meu velho tênis-de-corrida-que-não-combina-com-nada-do-meu-armário.

Logo imaginei várias andanças. Ainda de olhos fechados, percorri caminhos, passei por muitas árvores, subi encostas, desci pirambeiras. Até senti um ar fresco nos cabelos e o geladinho da areia sob os pés, na beira da praia. Respirei fundo. Nesta hora, me enchi com toda a vida do mundo. Senti passar pelos meus pulmões, as histórias que nunca vou escrever.

Ficou na boca um gostinho-de-quero-mais.

Levantei atrasada. Tenho certeza de que não descansei com o sono, mas que ganhei energia com este daydream.

As janelas da minha vida

Você lembra que sou fissurada em janelas, não é mesmo? Pois então…

 

Das janelas da vida, vislumbro idéias . Pontos espalhados por aí, como naquela brincadeira, entro no jogo e ligo um a um, imaginando o que vai dar – ainda não sei ao certo – não me preocupo. Estou me divertindo.

 

Uma janela se abre. E outra. Mais uma…

 

Essas deliciosas janelas foram clicadas por um amigo virtual lá de Minas, o Alessandro Bastos. Gostei tanto que pedi pra colocar na parede. Antes de ganhar moldura, ela ganha este espaço aqui.

Meus 36 anos

Antes, eu queria escrever algo impressionante. Linhas de tirar o fôlego, palavras justas. Daquelas que não há como trocar por outras: perdem o significado e a beleza. Escrever O Texto, sem tirar, nem pôr. Intocável, até por um acerto de vírgulas.

Pensava, talvez assim, passar a vida a limpo, reescrevendo minha história. Não porque vivi o que não quis. Mas por não ter feito tudo o que pude.

Aos 36 anos vivo numa encruzilhada. O corpo sente como nunca. A cabeça pensa que é jovem. A sociedade cobra como sempre. E eu, no meio de tudo isto, estancada pela quantidade das velas no bolo, me pergunto onde está o espelho da madrasta, na ânsia por saber se há alguém mais boba do que eu.

Há tempos estou em busca do perfeito. Sempre procurando, ou fugindo do efeito da inércia diante da paúra de enfrentar ajustes e críticas. Sem querer encarar a humanidade do imperfeito – a minha humanidade imperfeita.

Agora, me dou conta. Que imperfeita vida levei, até chegar aqui! Muitas vezes, aos trancos e barrancos, à beira do precipício mesmo. Outras tantas, dentro da linha limítrofe da sanidade. Mas nunca pasteurizada. Jamais bege. Esta é a minha glória.

Isto porque busquei identidade. Camaleônica, voraz, inconseqüente. Fui ao encontro de mim, separando joio de trigo. Por anos me perdi em caminhos labirínticos, sinuosos, intrincados. É que por dentro, estava fragmentada.

Busquei juízo. Encontrei riso. E ao me duplicar, fiz nascer das entranhas homem-menino, carne de mim, que vai andar por aí em suas pernas, pensar sozinho, crescer pro mundo.
Nele sou perfeita.

A vida que segue

Hoje acordei nostálgica. Aliás, fui dormir assim.

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Fui buscar referências do que um dia fui… achei este e muitos outros escritos. Deu vontade de colar aqui:

A vida que segue

Um dia, falava a algum conhecido sobre as delícias dos cafés que agora ocupam as calçadas do Leblon, invadindo assim a minha vida. Morro sem eles.

Fim de tarde, pessoas queridas ou a companhia de um livro. É sempre um passatempo agradável: boa comida, grandes amigos, um naco de cultura.

Mas, o que gosto mesmo é ouvir a vida que passa.

Adoro sentar sozinha em um desses cafés e observar os tipos que vagam e divagam pelas ruas, apressados pra algum compromisso, preguiçosos a caminhar sem destino. E ouvir fragmentos da vida alheia. Como isso é bom! Pesco uma frase, uma confissão, rasgos de uma discussão… e depois construo histórias inteiras acerca desses pequenos parágrafos roubados.

Então, mania explicada, volto àquele dia da conversa sobre as delícias.

Apesar da pressa, não deixei passar a cena: um casal, na faixa dos 65 anos, almoço após bateria de exames e encontros com médicos. Câncer foi o diagnóstico. E pelo tom, poucos meses de vida. Nada de lágrimas. A atitude era de luta e coragem. Entre garfadas, as mãos se encontravam por cima da mesa. De frente um para o outro, os olhares transmitiam força. Depois do café, e quase na hora da minha volta à agência, percebi o marido fugir com o olhar, e dizer com a voz embargada: é, querida, se me fosse dado apenas um desejo nesta vida, seria trocar de lugar com você. Já na saída, escondendo as minhas lágrimas que insistiam em cair, ouvi a resposta: Sou egoísta, meu bem. Sem você não saberia viver.

Caminhei de volta para o trabalho, acreditando ainda mais na vida e no amor. Ganhei uma lição. Desta vez, não quis escrever a história completa. Nada do que poderia inventar seria digno daquele casal.

Dói, mas é bom…

[Começo a achar que tenho fixação por janelas]

A vida passa rápido, não? Lembro que rezava pra crescer… Queria ser adulta. Queria mandar no meu próprio nariz. Minha mãe respondia aos meus desejos com um “mocinha, quando a senhora for dona do seu próprio nariz…” E lá ia eu pro meu quarto rezar pra que o tempo passasse rápido e eu tomasse logo posse desse meu nariz. Arrebitado, seja dito! De tanto ouvir, empinei o tal que agora muitos me acham besta. Bicho! [denunciei a idade agora!] Eu queria e não podia. Tinha vontades e ficava a ver navios… sempre colocavam minhas conquistas pro dia em que eu viesse a ser dona de minha vida.

Aprendi que não era suficiente.
Aprendi, de tanto ouvir, que deixasse por conta de outros as decisões mais importantes. Não é de se estranhar…

E, depois de tanta mordomia, resgatar a responsabilidade, assumir que há tempos já sou a adulta que rezei ser – haja análise!!!
Porque dói, viu? É verdade! Dói bater no peito e dizer: é! eu fiz isso sim… é… se estou assim-ou-assado, é por culpa e mérito meu! Dói ficar exposta, vulnerável. Mas, devo ter um quê sado-masô. Ô dorzinha boa, viu? Taí: essa é a beleza de ser adulta. É se entregar de corpo e alma à vida. É cair, ralar os joelhoes, mas se levantar, pronta pra seguir. É achar, vez ou outra, que a felicidade está na ignorância – mas dar de ombros e ser feliz mesmo tendo um montão de informação pra administrar. É saber que, não importa o que aconteça: eu faço o meu caminho.

E então, dona do meu próprio nariz, agora rezo pro tempo dar um refresco, andar pianinho, pra eu aproveitar essa vida-boa que conquistei.

:: é, eu brinco de ser fotógrafa ::

Posted by Picasa

A ponte

Dois lugares separados: uma ponte a unir distâncias.
Majestosas e imperativas, pontes sempre são imagens românticas, não é mesmo?
A idéia de unir dois pontos separados, o desafio da construção, a superação dos limites e todas as metáforas que daí surgem rendem horas de filosofia, conversas inflamadas, devaneios e uma constatação: eu preciso de uma ponte!É sério! Preciso deste marco da arquitetura urbana para diminuir as distâncias entre mim e o que desejo. Tudo bem se terei que contruí-la com minhas mãos. Mas isso não vem ao caso. Agora só penso na ponte que não tenho…

:: outra foto minha ::