Hotel 03

Acordei com o barulho da noite e o burburinho dos outros hóspedes. Quem serão eles? Depois de dezenove horas, devo estar com a cara amassada denunciando as horas passadas na cama. Nem sei se chorei. Sonhei, é certo. Sonho bom, daqueles que dão tesão. Mas, ao mesmo tempo, tive pesadelos. Corredores longos, quase infinitos. Muitas portas. Todas fechadas. Foi um sonho quase profético. Essa é minha missão: abrir as portas, descobrir o que está por trás, e me conhecer… putz! Que viagem mais Santiago… eu só quero me despir, fazer o meu trabalho e parar de inventar personagens. Vou sair pra comer alguma coisa, dar umas voltas pelas redondezas. Quem sabe não consigo a inspiração pro meu primeiro texto. Sempre gostei das ruas, das luzes à noite. Agora pensei que deve ser uma loucura estar dentro da minha cabeça… por isso ando tão zonza. [fome] Estou com fome. E não é só de comida. Estou com fome de idéias novas, de rostos desconhecidos, de histórias a escrever. Pareço louca, não? Minha cabeça não pára. Não sei se você já percebeu, mas está dentro da minha mente. Neste turbilhão de pensamentos que não me abandona nunca. Agora preciso sair. [anda, se arruma] Mas o que usar nesta cidade estranha? [qualquer coisa, vai… sai logo daqui!] Jeans sempre vai bem. Novas idéias começam a surgir. Sabe onde isso vai dar? Tenho uma vaga noção…

Hotel 02

No meio do sono agitado, sonho com você. Queria dormir sem me lembrar de nada. Apenas desligar. Mas sonho. Estranho a cama que, mesmo sendo dura como gosto, não recebe meu corpo com aconchego. Mesmo assim sonho. Os lençóis de algodão esquentam minha nudez. Sempre gostei de dormir pelada… Pela primeira vez eu te vi. Foi ao entrar no hotel. Você estava na recepção, eu pegava as chaves. Achei engraçado o número do quarto: 69. Como minhas intenções não são as melhores, este quarto combina comigo. Ironia, não? É, eu acho irônico vir pra cá me descobrir puta e me apaixonar logo na entrada. Estou sonhando com você. Acho que sempre estive. E nem sei o seu nome. Não sei quem você é. Não sei quem eu sou. Muito menos se estamos disponíveis. Mas, enquanto isso, sonho com você. Pelo menos aqui eu não preciso de respostas. Estou sonhando.

Hotel 01

Eu vou dormir. Espero que respeitem a plaquinha de não perturbe na porta, porque estou exausta. Andei horas a procurar este hotel. Na verdade foram dias. Aliás, minha vida inteira. Fiquei sabendo deste hotel em sonho… acho que foi. Porque o passado me parece névoa, agora. Estou cansada. Queria começar uma vida nova, mudar a ID e tentar algo novo. Nada de codinomes. Nada de personagens. QUERO UM NOVO EU. Mas, pra falar a verdade, já me acostumei com essa velha cara no espelho, e – mesmo sem querer, não respondo pelo meu próprio nome. Há tempos criei uma máscara, um artifício pra ser outra. Só mamãe sabe quem sou. Eu mesma preciso me descobrir. É pra isso que vim pra cá. Cheguei nesta nova etapa. E o hotel é um marco. Sacanagens fazem parte, já aviso. Pretendo ser várias, até me achar. Se na vida me perco, no sexo me acho. Começo de tudo, não? Pois então, que seja. Mas agora, me entrego a Morpheu, pra só depois despertar neste quarto que ainda não vi… 69 é o número.

L.O.S.T.

Eu me perdi.
Não encontro um caminho a seguir.
Não vejo a trilha…
Perdida, procuro algum sinal
que me mostre você.

* A imagem veio daqui. Mergulhe por sua conta e risco.