Dói, mas é bom…

[Começo a achar que tenho fixação por janelas]

A vida passa rápido, não? Lembro que rezava pra crescer… Queria ser adulta. Queria mandar no meu próprio nariz. Minha mãe respondia aos meus desejos com um “mocinha, quando a senhora for dona do seu próprio nariz…” E lá ia eu pro meu quarto rezar pra que o tempo passasse rápido e eu tomasse logo posse desse meu nariz. Arrebitado, seja dito! De tanto ouvir, empinei o tal que agora muitos me acham besta. Bicho! [denunciei a idade agora!] Eu queria e não podia. Tinha vontades e ficava a ver navios… sempre colocavam minhas conquistas pro dia em que eu viesse a ser dona de minha vida.

Aprendi que não era suficiente.
Aprendi, de tanto ouvir, que deixasse por conta de outros as decisões mais importantes. Não é de se estranhar…

E, depois de tanta mordomia, resgatar a responsabilidade, assumir que há tempos já sou a adulta que rezei ser – haja análise!!!
Porque dói, viu? É verdade! Dói bater no peito e dizer: é! eu fiz isso sim… é… se estou assim-ou-assado, é por culpa e mérito meu! Dói ficar exposta, vulnerável. Mas, devo ter um quê sado-masô. Ô dorzinha boa, viu? Taí: essa é a beleza de ser adulta. É se entregar de corpo e alma à vida. É cair, ralar os joelhoes, mas se levantar, pronta pra seguir. É achar, vez ou outra, que a felicidade está na ignorância – mas dar de ombros e ser feliz mesmo tendo um montão de informação pra administrar. É saber que, não importa o que aconteça: eu faço o meu caminho.

E então, dona do meu próprio nariz, agora rezo pro tempo dar um refresco, andar pianinho, pra eu aproveitar essa vida-boa que conquistei.

:: é, eu brinco de ser fotógrafa ::

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A ponte

Dois lugares separados: uma ponte a unir distâncias.
Majestosas e imperativas, pontes sempre são imagens românticas, não é mesmo?
A idéia de unir dois pontos separados, o desafio da construção, a superação dos limites e todas as metáforas que daí surgem rendem horas de filosofia, conversas inflamadas, devaneios e uma constatação: eu preciso de uma ponte!É sério! Preciso deste marco da arquitetura urbana para diminuir as distâncias entre mim e o que desejo. Tudo bem se terei que contruí-la com minhas mãos. Mas isso não vem ao caso. Agora só penso na ponte que não tenho…

:: outra foto minha ::

Janelas

Abertas ou fechadas, as janelas me causam um certo fascínio… Gosto olhar por janelas entre-abertas. Curiosidade típica de quem tudo-quer-saber, diz minha mãe.

Mais do que olhar, quero enxergar o que está além. Não alguém trocando roupa, vendo TV largado no sofá, ou fazendo sexo num sábado à tarde. O meu interesse é no como. É na digital que todos imprimimos no que fazemos. Gosto de observar personalidades em ação. Adoro ver o jogo de sedução e conquista em troca de carinho, sexo, dinheiro ou poder. Gosto de observar um ataque de raiva [não comigo, é claro!] – prova da imbecilidade humana. E me deixo comover com a gentileza que insiste-em-persistir.

E por trás dessas janelas, esquecemos que somos observados. Despimos capas de convenções e, nús, tocamos a nossa vida privada.
Agora entendo porque minha mãe [mais sábia do que eu imaginava!] dizia para eu observar como o meu homem, objeto de desejo, reagia às outras pessoas [e não a mim, como eu insistia em comentar]. Longe dos deveres sociais, somos mais selvagens, mais instintivos, mais nós mesmos.

Por trás das janelas cerradas, permitimos o indizível. Ultrapassamos limites questionáveis. Escondemos esqueletos no fundo dos armários… e validamos a afirmação que nem bom-dia daríamos aos vizinhos, se soubéssemos o que rola entre as quatro paredes da intimidade humana.

É por tudo isso que AMO janelas.

[As minhas, ultimamente, deixo abertas, escancaradas – nada a esconder; tudo a exibir]

p.s. eu também fotografo…

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Da minha janela

Dá pra pensar em alguma outra coisa?
Trabalho no que gosto, num lugar muito legal, com uma vista dessas…
E eu ainda fico pensando na vida.

Vai pra janela, vai!

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Eu não pensei

Meu Deus! Eu fiz um blog! E agora?

Só de pensar que terei de escrever todos os dias… TODOS OS DIAS???

Ai. Frio na barriga. Mão suada. Cabeça rodopiando.

Mas, pensando bem, é só colocar no papel [modo de dizer!] tudo o que se passa na minha cabeça. Pronto. Tenho, assim, material de sobra para escrever não um, mas duzentos blogs. Tudo bem que meu esforço será mostrar que não sou maluca. Mas isso é outra história…

Vou me concentrar para não desfocar, ok?

Então está feito. Eu tenho um blog!

Aguardem as próximas postagens.