Exibida

Nas palavras exercito meu lado exibicionista
E faço catarse produtiva.
É uma tentativa de te trazer pra mais perto
E pra me fazer conhecer
Me sinto em desvantagem
Por não ler nos seus olhos
As frases que gostaria de escutar
Me sinto perdida
Por inventar legendas
Pra atos desinteressados

Seriam de fato?

Jogos?! Só os de sedução
Daqueles que dão frisson
Só de repensar a cena
Então… pra que me esconder?
Quando quero me mostrar
Pra que fingir
Se pretendo te agarrar?
Mas não faço mistérios
Já sou misteriosa demais
Sem tentar mostrar
O que não sou
Sou direta sim
Sei o que quero
Sei aonde chegar

Homem Objeto

Homem objeto, exibido pelas ruas da cidade, nos chás de caridade, pras tias velhas empoadas. [Calem-se!] Não enxergam que estou acompanhada? Não percebem o quanto sou amada? Sexo todo dia, café na cama [um love-doll sem conceito, um amante sem desejo]. Romance de novela da Globo na minha vida! Vocês não adoram o meu bibelô?…

Bonequinha de lixo, aprendi cedo a fazer meus caprichos, seduzir sem me deixar encantar… Pra montanha-russa de emoções basta um bilhete do parque. Comprei, me enganei, caí.

Maquiagem borrada, máscara arrancada, coração ferido, me descobri humana, afinal. [Amei o deus errado]. Tirei meus ídolos da parede. Dorian Gray foi destituído.

Da carne, com gosto de desejo, ficou a saudade.

Da boca, de sorriso fácil, só restou indiferença.

No vaso rachado, as rosas murchas da minha paixão.

 

* é… abri o baú. Na esperança que ele seja meio caixa de Pandora, sabe? Pra tirar de lá todos os fantasmas que me amarram as mãos e não me deixam mais escrever…

Confissões de uma incendiária

Agora lembrei, ouvi dizer que o orgasmo feminino seria capaz de produzir energia elétrica suficiente para acender uma lâmpada. Mas, se lenda ou fato, ignoro. E nem me importo. Porque sei o que me queima a carne, quando sou sua. Sei da corrente elétrica que me arrepia a pele só por lembrar. Eu conheço o fogo que me consome. Se acendo lâmpadas, para quê? A luz que me guia vem dos seus olhos.

E agora, imploro pelas águas de março, pra lavar a alma, esfriar o corpo e me trazer de volta aos eixos. Porque preciso de trégua. Preciso recuperar o fôlego. Cuidar das marcas que você deixou na última noite. Eu quero banho de chuva e a roupa molhada, bem pesada, a me trazer pro chão.

Você estava certo. Fui tola. Brinquei com fogo: fui incendiária. Incitei, provoquei, instiguei… E terminei o que comecei. O “mais fácil não começar do que terminar” de Sêneca pode servir para qualquer outro assunto. Para qualquer outro. Mas não para você. Não para mim. É magnético, se não fosse químico. É dependência. É vício. E é até o fim.

Agora imploro pelas águas de março… porque sua luz é fogo.

*escrevi esse texto acho que no ano passado. Era pra ser legenda de uma foto do Paulo Salerno, meu fotógrafo predileto. Amo as sensações que suas fotos me provocam. São quentes, indecentes, inusitadas. Estou louca pra reatar nossa parceria. Doida pra imprimir todos os escritos que tenho na cabeça – nem que seja aqui no virtual. Pena que eu não tenha mais essa foto…

Alimento


Seja gentil, me abra.

Não force, apenas seja firme.

É neste processo que começa a beleza:

elementos em total harmonia.

 

Aprecie cada detalhe.

Observe as cores, os contrastes.

Deleite-se com o aroma.

Surpreenda-se com a textura.

 

É na sua boca que eu me revelo.

 

Meu sabor marcante é envolvente,

e o brilho do visgo, escorregadio.

 

Entregue-se a esta explosão de sabores.

Deixe que sua língua explore meus espaços.

 

Aí, então, vou deslizar por sua garganta

saciar sua fome,

ficar na sua memória.

 

E mesmo assim, satisfeito, você vai querer mais.

Quero, quero, quero, quero… EU QUERO!

Eu quero!

Quero ser pornográfica, incontida, impulsiva. Quero ser selvagem.

E quero ser sempre assim: essa é a minha meta.

Não quero dar satisfação a ninguém. Não quero prestar contas senão a mim mesma.

Quero fantasiar cenas tórridas com qualquer estranho.

Quero desejar seu sexo a todo instante. Fantasiar coisas sem sentido.

Quero ter a voracidade no olhar, a volúpia na pele e te devorar a todo o instante.

Quero ser indecente, devassa.

Quero ser uma mulher de Nelson Rodrigues. E de João, de Carlos, de Manoel, de Felipe, de Daniel… e de todos os homens que cruzarem o meu caminho.

Quero ter você impresso na minha retina.

Quero seu gozo gravado na minha memória.

Quero suas unhas na minha carne.

Quero gozar um gozo novo a cada dia.

Quero ser vouyer. Quero ser exibicionista.

Quero ser diferente.

Quero ser a melhor.

Quero ser a única.

Quero ser santa.

Quero ser puta.

Quero ser sua.

Já que hoje é dia dos namorados,
declaro minhas intenções:
eu quero!

A foto busquei em São Google.

Procura-se platéia

Ontem comentei que escrevo o que eu quero, mas não escrevo só pra mim. Não! Eu quero ser lida. Preciso de leitores como qualquer ator precisa de platéia. A diferença é que no meu palco, não preciso de aplausos. Pra mim, saber que sou lida basta.

Gozo literário
Sou uma escritora puta
Que se vende barato
A todos que parecem me querer
Me exibo nas prateleiras
A esperar que alguém se seduza
Que me abram as capas
Me toquem por dentro
Me virem as páginas
E assim, lida, devorada
Me sinta, enfim, saciada.

* foi bom pra você? *
* Procure estante, e São Google te guiará! *