Janelas

Abertas ou fechadas, as janelas me causam um certo fascínio… Gosto olhar por janelas entre-abertas. Curiosidade típica de quem tudo-quer-saber, diz minha mãe.

Mais do que olhar, quero enxergar o que está além. Não alguém trocando roupa, vendo TV largado no sofá, ou fazendo sexo num sábado à tarde. O meu interesse é no como. É na digital que todos imprimimos no que fazemos. Gosto de observar personalidades em ação. Adoro ver o jogo de sedução e conquista em troca de carinho, sexo, dinheiro ou poder. Gosto de observar um ataque de raiva [não comigo, é claro!] – prova da imbecilidade humana. E me deixo comover com a gentileza que insiste-em-persistir.

E por trás dessas janelas, esquecemos que somos observados. Despimos capas de convenções e, nús, tocamos a nossa vida privada.
Agora entendo porque minha mãe [mais sábia do que eu imaginava!] dizia para eu observar como o meu homem, objeto de desejo, reagia às outras pessoas [e não a mim, como eu insistia em comentar]. Longe dos deveres sociais, somos mais selvagens, mais instintivos, mais nós mesmos.

Por trás das janelas cerradas, permitimos o indizível. Ultrapassamos limites questionáveis. Escondemos esqueletos no fundo dos armários… e validamos a afirmação que nem bom-dia daríamos aos vizinhos, se soubéssemos o que rola entre as quatro paredes da intimidade humana.

É por tudo isso que AMO janelas.

[As minhas, ultimamente, deixo abertas, escancaradas – nada a esconder; tudo a exibir]

p.s. eu também fotografo…

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Da minha janela

Dá pra pensar em alguma outra coisa?
Trabalho no que gosto, num lugar muito legal, com uma vista dessas…
E eu ainda fico pensando na vida.

Vai pra janela, vai!

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Eu não pensei

Meu Deus! Eu fiz um blog! E agora?

Só de pensar que terei de escrever todos os dias… TODOS OS DIAS???

Ai. Frio na barriga. Mão suada. Cabeça rodopiando.

Mas, pensando bem, é só colocar no papel [modo de dizer!] tudo o que se passa na minha cabeça. Pronto. Tenho, assim, material de sobra para escrever não um, mas duzentos blogs. Tudo bem que meu esforço será mostrar que não sou maluca. Mas isso é outra história…

Vou me concentrar para não desfocar, ok?

Então está feito. Eu tenho um blog!

Aguardem as próximas postagens.

Tendência. Mas, pode chamar de mania.

Sou volúvel. [tô me sentindo num confessionário!] Mudo de opinião como quem experimenta sapatos. [e o pior: tô me sentindo leve por dizer isso!]

Acho que esta é a melhor definição da minha instabilidade crítica. Entenda uma coisa: acredito que só não muda de opinião quem não as tem. Não é porque escolhi este ou aquele doce que preciso morrer adorando comer tal iguaria! Não é por achar algo bom, mediano ou ruim que não possa descobrir que estava errada por qualquer que seja o motivo: o que era bom acabou; o mediano evoluiu; o ruim lançou um up grade. Que seja! Descobri novos pontos de vista e mudei. Convenceu-me o novo. Afinal, não preciso ser arraigada para parecer normal, né?

Então. Exposta minha inconstância, digo que tudo o que leio, ouço, vejo por aí me instiga a prodzir algo. Adoro fazer releituras. A pergunta é sempre a mesma: como eu faria tal coisa? Uso essa mania como um exercício de criatividade. [uma mania, dentre muitas!] Porque nem sempre do zero começa o novo.

E você? Qual é a sua mania?

A Louca fugiu de casa

A Louca fugiu de casa
Abandonou os móveis
Não cobriu nada com lençóis
Nem se preocupou com a poeira

A Louca fugiu!

Na morada vazia
O eco do vento,
Aquele sopro agudo,
É o único som lá de dentro.

A casa agora é assombrada
Por todos os fantasmas do passado
Etéreos, míticos, alados

Nem as lembranças ficaram
Coitada, a Louca saiu com bagagens
Arrastando memórias como se fossem correntes.

:: texto meu, inspirado no livro de Rosa Montero, A Louca da Casa ::