Ela foi categórica: dedo podre

Esta é uma história real. E sim, aconteceu comigo.
Depois do papo surreal, onde fiquei com cara de otária, ruminei várias respostas. Mas, o meu defeito é perder o prumo na hora H, ficar muda, com cara de aé… Depois, o tempo passado não merece resposta. Deixei para lá. Até resolver escrever. Porque minha gaiatice transforma quase tudo em piada para a posteridade. O que faço melhor? Rir de mim mesma. E de você, pode ter certeza. =P

Acho que já estava de férias (forçadas, mas bem curtidas!) e minha vida de dondoca me permitia frequentar o shopping em horários até então inéditos para mim. Agora não lembro o dia, nem do mês, muito menos da semana. Mas era à tardinha, com certeza. Parei na Starbucks para um café e papo-furado.
Só nós duas à mesa, o assunto me tomou de assalto:
– Já somos íntimas, não? Então eu posso falar pra você. Sempre pensei isso – eu acho que você tem o dedo podre.
Foi a minha cara (de aé) que a fez se explicar melhor: – é, dedo podre para homens… você sempre escolhe uns tipinhos. Não combinam, não têm nada a ver. Acho que é medo do sucesso.
Definitivamente a minha reação (ou a falta de) a animou. Sei lá o que eu disse. Hoje traduzo minhas poucas palavras como blá-blá-blá-whiskas-sachet. Bolo na garganta, soco no estômago. Pensamento interno disparado e me crucificando: – como assim, você não responde??? Sim, eu não respondi. Acho que na hora eu até concordei! Devo ter falado algo como: – é, eu tenho o dedo podre o.O

Passado o susto, me pergunto: como uma pessoa que mal me conhece pode falar da minha vida? Como uma fedelha de 20-e-poucos-anos pode categoricamente atestar que eu, macaca-velha de quase-quarenta, fiz escolhas erradas?

É certo, testado e comprovado, que tenho uma película antiaderente que impede certos tipos (canalhas lindos, inclusive) de grudarem em mim. Posso até ter uma certa preferência, mas logo eles perdem o encanto e não são mais atraentes.
Mas, será que a bunitinha acha que, para uma mulher ser feliz, é preciso um homem na história? Aliás, um marido? Ou que a busca de todas nós, mulheres, é o casamento? E que a falta deles – casamento, festa, aliança, marido – é sinal de fracasso??? Ou ainda, aos quase-quarenta, não ter tudo isso, é sinal de escolhas erradas?
Sinto dó de pessoas assim. Tão pobres em suas possibilidades… tão limitadas, prisioneiras de modelos e pensamentos, sem nem questionar se estes são válidos, enfim.

E, para completar, a tal segue minha trilha, namorando meus ex. Dois deles. Pode?

3 respostas para “Ela foi categórica: dedo podre”

  1. ahahahaahahaha Bia, adorei seu texto!
    Olha, acho que essa coisa de fazer cara "de aé" na hora e depois ruminar o assunto é coisa de pisciano, viu? 😛
    Mas pera, como assim você tem dedo podre e ela namora seus exs???
    Oi? Coerência pra que, Brasil?!
    Macaco não olha pro rabo, né?
    Beijos

  2. Gente, estou passada com isso, mas não tão surpresa assim. Tbm já passei por situações parecidas.

    Fiquei solteira 4 anos e ouvia "tadinha, mas ninguém te quer?" Ou quando saia com um cara que não dava "liga" ouvia: " Ah é melhor que nada pq é tão difícil ver vc saindo com alguém".

    Me poupe, né? Não saia por sair, como a maioria faz. Tentava me envolver. Nunca fui de me conformar com 50%. Então tenho namorado, mas não amo? Que diabos é isso?

    Até que resolvi ser indelicada com as pessoas e deixar minha educação de lado. Se as pessoas não tem educação e falam o que querem, eu posso e DEVO dizer o que penso tbm.

    Pronto! aprendi a deselegância e digo, sou mais feliz.
    Hoje estou casada com o cara que sempre amei a minha vida inteira e feliz. Dane-se quem duvidou ou me chamava de palhaça pelas minhas escolhas infelizes. Ninguém paga minha conta. Pense assim Bia!!! Vc é linda, tem um filho lindo e uma vida maravilhosa.
    Cague para essa idiota teen. inexperiência e arrogância são fatores cruciais para quedas altas demais. Cada um com seu cada qual. beijos Lydi.

  3. Posso garantir que dedo podre não é. Enjoar depois é outro papo. Mas dedo podre não é pq eu não sou tipinho. 🙂

E você, o que pensa sobre isso?! Comente aí, vai...