O que os olhos não vêem…

Tenho uma teoria que assusta muita gente e causa polêmica quando exposta. Mas é fato. E se você deixar de lado um pouco das suas idiossincrasias, talvez venha a me dar razão.

O assunto em pauta é a traição. Aquela que acontece entre casais, tão banal, tão mesquinha, execrável até.

Você pode negar e dizer que não trai ninguém. Que se está com uma pessoa, mas deseja outra, primeiro termina o relacionamento para depois se entregar a nova paixão. Louvável sua postura. Mas nem sempre a vida real é como idealizamos. Se fosse, não veríamos tantos corações partidos, afinal.

Eu acredito no dito popular o que os olhos não vêem o coração não sente. Eu só não perdôo a traição que dilacera o respeito mútuo. Mas, se é só sexo, instintivo, carnal, casual… que seja. Só não faça um triângulo – leve a moça, ou o rapaz, para um motel diferente do nosso, não apareça em bares, restaurantes ou lojas que freqüento, de braços dados com a amante. Que eu nunca saiba. Que eu não seja envolvida nem como história de vida, contada depois do gozo. Que eu não apareça nesse capítulo tão seu. E que ele não interfira na minha história. Entendido?

Porque a traição, para mim, é a falta de respeito, é o pouco zelo pela relação. É não me preservar. É me expor aos comentários hipócritas de quem tem dois pesos e duas medidas. Porque, para essas pessoas, a traição é sempre do outro. Quando lhes acontece algo assim, é aventura, é paixão adolescente, é desvario – tratados como coisa menor, um deslize desculpável, varrido para debaixo do tapete.

Cada um sabe como construir sua relação. Cada casal tem um acordo próprio, todo particular, feito de muitos atos, alguns silêncios, uma dúzia de palavras, talvez. E quem somos nós para julgar, ditar regras ou fazer piada?

É certo que temos no outro o espelho. E ali vemos nossos medos refletidos. Nossas incongruências. Nossos desejos – declarados ou indizíveis. Você é capaz de me olhar e mesmo assim me enxergar?

Muitos têm medo que eu quebre essas regras estúpidas que não funcionam para mim, porque temem que eu cobre a mesma atitude. Eles acham que, por isso, sou libertina. Só por eu não cobrar fidelidade. São poucos os que sabem que isso não é moeda de troca…

8 respostas para “O que os olhos não vêem…”

  1. Desculpe pelo véu que uso, mas prefiro não me revelar, pois sofro do mesmo problema com meu namorado. Só que o problema é que esse pensamento mais liberal, de não cobrar juras de fidelidade e pactos de sangue também abre o precedente para que eu olhe, deseje, queira, traia. E, afinal, muitas vezes me ponho a pensar: se é para ser um relacionamento onde traição é algo viável e perdoável quando não der para resistir, desde que mantida em segredo e respeite-se o(a) traído(a), para que se relacionar ? Para conversas, papos, viagens, teatro acompanhada, shows românticos ? Ah, e para sexo também ? Trair e permitir traição sob justificativas sinceras abre precedentes perigosos. Perdão tem limite. Paciência também. Libertinagem tem limite e para ambos os lados, querida Bia.

  2. Eu nunca acreditei em fidelidade absouta. Mas sempre fui fiel. Talvez por isso meus relacionamentos não tenham ultrapassado o recorde de 4 anos e 7 meses.
    Eu preciso antes aprender a separar sexo de amor, coisa que a anta aqui ainda não sabe fazer, ainda que balzaquiana. Porque também não acredita em fidelidade eterna. E não sabe trair.
    Sinceramente, não sei o que é menos ruim nessa situação.

    Bezzos,

  3. Escrevi sim, mas não porque EU traia… simplesmente porque ser traída não é uma preocupação, ou um quesito de julgamento.

    Depois comento mais…
    Beijos

  4. oi prima. assunto complicado esse. já quis ser igual simone de beauvoir, mas ela também sofreu.

    já leu infiel, da mirian goldenberg?

    tenho um grande azar de acabar descobrindo sem querer a traição do outro. e não consigo deixar de sentir a dor que isso causa. mas compartilho muito da sua opinião.

    agora, sinceramente, a gente bem que um dia podia sentar e beber, né? que raios de distância é essa nossa?

    beijos

  5. Prima, que bom te ver por aqui! Ainda não li Infiel. Vou comprar e colocar na lista “pra ler”.

    Bem, abrir mão deste juramento de fidelidade não significa se livrar da dor, quando a traição é sabida. Somos territorialistas. Acreditamos na propriedade!

    É papo longo, controverso, muitas vezes incômodo.

    Também sinto dor!!! E acredito (no meu caso) que é muito mais porque o outro teve prazer com “ela” e não comigo. Escolheu outra… A sensação de impotência, de não bastar é grande. Não?

    Acho que o texto ainda não está completo – a lacuna é também na minha mente. Ainda não estou totalmente convencida desta teoria. Embora muitas vezes ache a decisão mais acertada – para mim, fidelidade não se cobra.

    Lila, me repito, que delícia você por aqui. A distância é grande mesmo… precisamos fazer algo, além de uma viajar pra casa da outra!

    Beijos!

  6. Tô contigo. Mas confesso que é uma postura realmente controversa. E só passei a assumi-la depois que eu mesma fui traída, com todo o enxovalho que uma boa corneada dá o direito.

  7. * Acho interessante este seu ponto de vista, mais confesso q tô mt confusa, pois em vários momentos penso exatamente como vc, tô no inicio de um namoro a distância, onde eu sei q a traição é comum da parte dele…EU SOU MAIS NA MINHA, e sigo aquele velho dilema “o q os olhos ñ vê o coração ñ sente”, mas as pessoas que convivem ao meu redor e próximas dele acha isso inaceitável, e acabam me deixando mt confusa nesta situação…onde ao mesmo tempo eu me sinto completada com juras de amor…Q SITUAÇÃO LOUCA né?! Bjuxxx e sucesso!!!

E você, o que pensa sobre isso?! Comente aí, vai...