Tô pensando…

Quem me conhece de perto sabe o quanto reclamo desse período de suspensão, que parece instalado na minha vida, nos últimos meses – até parece as primeiras páginas de Neve, chatas! Aproveito para pensar na vida – nas expectativas e frustrações de cada dia.

Estas linhas podem parecer variações do mesmo tema. Mas o que posso fazer se este é um assunto recorrente na minha cabeça? Como nas primeiras páginas enfadonhas do tal livro, a leitura continua até eu passar para o próximo capítulo.

Não sei se acredito em um ser superior, dono de toda A Verdade, onisciente de cada próximo passo meu. Mas, certas horas, me sinto marionete do meu destino. Vejo claros sinais a apontar um caminho. Essas sincronicidades assustam e encantam a você também? A mim, sim. Quer um exemplo?

Outro dia, ligo a TV a tempo de acompanhar, desde o início, o episódio Great Expectations [olha bem o nome!], de Grey’s Anatomy. [Friends e Sex and the City foram as últimas séries que acompanhei]. A locução de Meredith Grey no comecinho me chamou a atenção: “ninguém nunca pensou que sua vida seria boa. E sim, ótima… criamos expectativas”… Fisgada, me deixo prender na telinha e acompanhar os jovens cirurgiões do Seattle Grace.

Até tu, Brutus?

Fruto de uma sociedade que estimula o expoente, mas na base fomenta a massificação-que-emburrece, essa ânsia de ser e fazer a diferença é minha perdição. SuperAção é a palavra de ordem – não contente em competir com outros tantos, travo uma auto-competição sem benevolência nem trégua.

Nada entendo do mercado de ações, mas sei que quanto maior o risco, maior o ganho. E assim, sou convencida por mim mesma de que é preciso fazer mais. Ir além. Pensar fora da caixa. Ampliar meus limites. Pensar o que ninguém jamais ousou. Ser diferente. Ser única e insubstituível – alguém, por favor, pegue um pouco de kryptonita para acabar com esses devaneios Super-Mulher?

Tudo bem, eu sei que tudo isso é normal. Que muitos sofrem dessas angústias. Não sou a primeira, e certamente não serei a última. Os normais são poucos entre nós – medicados ou não. O doutor Valentim Gentil Filho que me perdoe: se Van Gogh tivesse tomado Pondera, ou qualquer outra droga da farmacologia atual, sua obra pós-psicoterapia teria sido muito chata.

Concordo com o doutor Valentim que, em seus devidos graus, ansiedade, instabilidade de humor, TPM, insegurança, desconfiança, irritabilidade e tristeza são aceitáveis. E no que difere os normais do normal: a capacidade de cumprir compromissos e de pensar de uma forma razoavelmente clara – independente da interferência desses sentimentos.

Caramba, eu sou normal! O que, talvez, me deixa fora deste grupo seja o meu pensamento-hipertexto-não-linear que-abre-janela e-volta-pro-assunto-anterior. Tô ferrada!

2 respostas para “Tô pensando…”

  1. Tomando como base uma sociedade democrática, uma coisa só é uma coisa se a maioria disser que é. E o inverso da mesma forma.

    Logo, os padrões aceitáveis, que distinguem uma pessoa normal de uma que não é, vêm de uma maioria da sociedade que, em algum momento da História disse que eram.

    O que estou tentado dizer é que, tentar se enquadrar nesses(falsos) padrões é besteira. Ás vezes a tenho vontade de retomar a terapia, mas logo lembro que depois de alguns anos sem respostas aceitáveis, passam a recomendar o uso de medicamentos. Quer para controlar o humor ou para inibir, tem pra todos os gostos.

    Se entendi bem o seu post. Você procura constantemente umamaneira de se destacar, de inovar e de mostrar a si mesma que você é mais do que os outros imaginam ou acham. Acho que isso é saudável, até mesmo porque eu faço isso todos os dias. Mas esperar esse reconhecimento pode levar dias, meses, anos ou até mesmo nunca chegue.

    Já parou pra pensar se isso…seja lá o que for, te faz feliz?

    Se fizer, o assunto está encerrado.

    Abraços de alguém que tem admirado cada dia mais seus textos.

  2. Noooossa, me sinto lisonjeada com a admiração! ;o)

    E, só pra completar, o assunto está encerrado! Sou feliz pacas!

    [ ]’s

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