Confissões de uma incendiária

Agora lembrei, ouvi dizer que o orgasmo feminino seria capaz de produzir energia elétrica suficiente para acender uma lâmpada. Mas, se lenda ou fato, ignoro. E nem me importo. Porque sei o que me queima a carne, quando sou sua. Sei da corrente elétrica que me arrepia a pele só por lembrar. Eu conheço o fogo que me consome. Se acendo lâmpadas, para quê? A luz que me guia vem dos seus olhos.

E agora, imploro pelas águas de março, pra lavar a alma, esfriar o corpo e me trazer de volta aos eixos. Porque preciso de trégua. Preciso recuperar o fôlego. Cuidar das marcas que você deixou na última noite. Eu quero banho de chuva e a roupa molhada, bem pesada, a me trazer pro chão.

Você estava certo. Fui tola. Brinquei com fogo: fui incendiária. Incitei, provoquei, instiguei… E terminei o que comecei. O “mais fácil não começar do que terminar” de Sêneca pode servir para qualquer outro assunto. Para qualquer outro. Mas não para você. Não para mim. É magnético, se não fosse químico. É dependência. É vício. E é até o fim.

Agora imploro pelas águas de março… porque sua luz é fogo.

*escrevi esse texto acho que no ano passado. Era pra ser legenda de uma foto do Paulo Salerno, meu fotógrafo predileto. Amo as sensações que suas fotos me provocam. São quentes, indecentes, inusitadas. Estou louca pra reatar nossa parceria. Doida pra imprimir todos os escritos que tenho na cabeça – nem que seja aqui no virtual. Pena que eu não tenha mais essa foto…

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