Sobre a singularidade na pluralidade

Um ensaio pseudo-filosófico.

Cheguei a uma conclusão. De tão diferentes e únicas, somos todas parecidas – quase iguais, pra ser bem sincera. Tudo bem. Você pode preferir azul, gostar mais de salgado, odiar pimenta e se deixar levar por um cheirinho mais adocicado. Prefere homem só um tantinho assim mais alto do que você? E um loirinho te chama mais a atenção? Ok. Nestas preferências somos bem diferentes.

Mas, quando falo da vida, quando escrevo o que – lá no fundo – me importa, encanta, assusta e estarrece, você concorda comigo. E ainda tem gente que diz ter lido seus próprios pensamentos.

Esta é minha teoria da singularidade na pluralidade. Somos tantas e tão iguais! Queremos as mesmas coisas. Temos os mesmos valores. Oscilamos em proporções. Na média matemática – onde os números não mentem jamais – somos estatisticamente parecidas. Muito mais parecidas do que gostaríamos.

Qual foi a mulher que nunca, num primeiro ou segundo encontro, ouviu aquele cara declarar que seu-olhar-é-uma-coisa-de-louco-que-o-tira-do-sério?

Um diálogo assim não está tão longe da vida como ela é:
– pára, vai… não faz assim.
– o quê? O que eu fiz? – diz ela, meio inocente.
– pára de me olhar assim. Declara ele, meio perturbado.
– assim como? Esse é o meu olhar normal…
– não brinca, vai… quando você me olha assim, chego a ficar tonto.

Neste momento, um pensamento devastador passa pela cabecinha de vento da nossa mocinha: se eu não estou fazendo nada e ele está assim, tonto, imagina quando eu usar o meu-olhar?!

Agora sim, ela tem a certeza de que seu olhar magnético é maior arma de sedução. E capricha nas voltas e reviravoltas dos semi-cerrados olhos lascivo – de glóbulos oculares à ogivas nucleares.

Ahhh… com você é um jeito de mexer nos cabelos, virando delicadamente o pescoço na direção dele? Seria aquela mordidinha no lábio? Uma passadinha de língua pelo canto da boca? Ou então o jeito particular de morder – distraidamente – o cantinho da unha, o canudinho, ou seja lá o que for!

Bem-vinda ao clube. Somos mesmo todas iguais.

Encantadas pela lábia masculina. Eles nos dão o poder, e envaidecidas, caímos na armadilha de sedução deles – nos entregamos e acreditamos [nem sempre] que desta vez vai ser diferente. Enfim encontramos O Cara.

Vaidade é nosso pecado.

E assim, muito parecidas, somos imensamente diferentes. Singular, na verdade. Até mesmo nas mais idênticas situações.

No meu mundo particular, minha desinência plural se encerra nas muitas mulheres que brinco ser. E neste caso, somente pra ele.

  • Esse olhar eu vi aqui. *

2 respostas para “Sobre a singularidade na pluralidade”

  1. Tô sim, amiga: pela VIDA.
    Apaixonadérrima pela MINHA VIDA.

    Mas, ainda está pra chegar o homem que terá o prazer de vivê-la comigo…

    Afff! Enquanto espero, escrevo. Vai que atrai? *risos*

E você, o que pensa sobre isso?! Comente aí, vai...