A Princesa de Fausto

Num passado distante
sua vida foi marcada pelo luxo.

Ela despertou desejos.
Atiçou a cobiça.
Superou a inveja.
Alimentou fantasias.

Ela se acostumou a reverências
acreditou na lisonja.
Confiou na eternidade.

E assim, por um tempo, prosperou.

Uma época de glórias.
Ela foi princesa,
Dama em uma corte de costumes.

Hoje, as muitas lembranças
estão gravadas na mente
e nas fotos desbotadas da parede.

O presente é feito de lixo
a decadência bateu à porta
e seu reino se transformou.

Em comum, passado e presente
têm a luz quente das festas.
Antes, grandes salões de baile,
hoje, disputadas esquinas mal-iluminadas.

De princesa, Copacabana passou a cafetina.
Nas areias, os playboys agora são piratas.

  • foto Paulo Salerno, produção de Leo Levi – mais fotos de-li-ci-o-sas no link. É só clicar.*

2 respostas para “A Princesa de Fausto”

  1. Bia, bom dia! Belíssimo poema. Eu conheci intimamente a Copacabana Princesinha do Mar; e hoje tomei um susto ao voltar e encontrar uma Copacabana prostituta barata. Mas é isso: a vida é feita de ciclos; então, acredito que Copacabana ainda será Rainha. Grande abraço, Poetisa!

  2. Bia, só hoje consegui entrar no seu blog novamente, confesso que senti saudades dos seus textos tão simples e tão dinâmicos. Tenho uma inveja boa de você, fique tranquila! Mas gosto da inspiração que seus textos me dão. Muita vida corre nas entrelinhas e acredito que você deveria ganhar um prêmio, um troféu que você leve pra casa e realize o quão boa escritora você é! Beijos e continue assim.

E você, o que pensa sobre isso?! Comente aí, vai...