Meus 36 anos

Antes, eu queria escrever algo impressionante. Linhas de tirar o fôlego, palavras justas. Daquelas que não há como trocar por outras: perdem o significado e a beleza. Escrever O Texto, sem tirar, nem pôr. Intocável, até por um acerto de vírgulas.

Pensava, talvez assim, passar a vida a limpo, reescrevendo minha história. Não porque vivi o que não quis. Mas por não ter feito tudo o que pude.

Aos 36 anos vivo numa encruzilhada. O corpo sente como nunca. A cabeça pensa que é jovem. A sociedade cobra como sempre. E eu, no meio de tudo isto, estancada pela quantidade das velas no bolo, me pergunto onde está o espelho da madrasta, na ânsia por saber se há alguém mais boba do que eu.

Há tempos estou em busca do perfeito. Sempre procurando, ou fugindo do efeito da inércia diante da paúra de enfrentar ajustes e críticas. Sem querer encarar a humanidade do imperfeito – a minha humanidade imperfeita.

Agora, me dou conta. Que imperfeita vida levei, até chegar aqui! Muitas vezes, aos trancos e barrancos, à beira do precipício mesmo. Outras tantas, dentro da linha limítrofe da sanidade. Mas nunca pasteurizada. Jamais bege. Esta é a minha glória.

Isto porque busquei identidade. Camaleônica, voraz, inconseqüente. Fui ao encontro de mim, separando joio de trigo. Por anos me perdi em caminhos labirínticos, sinuosos, intrincados. É que por dentro, estava fragmentada.

Busquei juízo. Encontrei riso. E ao me duplicar, fiz nascer das entranhas homem-menino, carne de mim, que vai andar por aí em suas pernas, pensar sozinho, crescer pro mundo.
Nele sou perfeita.

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